Confiança: o ativo mais valioso que as marcas têm a construir
Excesso de informação amplia escolhas, mas é a confiança que define a decisão do consumidor
Quanto mais acesso para encontrar respostas, mais difícil se torna a tarefa de tomar decisões. Vivemos uma era em que a informação está a poucos segundos de distância, impulsionada por buscadores, algoritmos e I.A. Mas o excesso de opções não necessariamente gera clareza. Em muitos casos, gera dúvida. Talvez por isso uma palavra tenha aparecido com tanta força em diferentes discussões durante Cannes Lions este ano: a confiança.
Durante a palestra de Samantha Avivi, CMO da Bayer Consumer Health, no Cannes Lions, um dado chamou a atenção: consumidores afirmaram confiar na inteligência artificial tanto quanto e, em alguns casos, mais do que, em seus próprios médicos. O dado é provocativo não apenas pelo avanço da tecnologia, mas pelo que revela sobre o comportamento contemporâneo. Se a informação está cada vez mais acessível, rápida, em segundos, a verdadeira disputa deixou de ser por respostas. Ela passou a ser pela construção da confiança.
A inteligência artificial já ocupa um espaço central na forma como as pessoas pesquisam, aprendem e tomam decisões: ela compara produtos, resume informações e organiza conteúdos que antes demandavam longas jornadas de busca. O que a palestra da Bayer trouxe de mais interessante não foi uma discussão sobre tecnologia, e sim uma reflexão sobre o que acontece depois da resposta.
Mas, enquanto ouvia a palestra, ficou claro um exercício necessário: distinguir informação de decisão, porque não são a mesma coisa. Ao apresentar sua visão sobre o futuro da relação entre marcas e consumidores, a Bayer defendeu a ideia de que a confiança não é construída em momentos isolados, mas em ciclos contínuos. Essa reflexão também ajuda a entender a evolução da creator economy.
Em um mundo de opções, a escolha continua sendo influenciada por fatores humanos, emocionais e culturais, especialmente em categorias que envolvem bem-estar, saúde, beleza ou qualidade de vida, a confiança continua sendo um dos principais atalhos para a tomada de decisão. A influência raramente nasce de uma publicação específica. Ela é resultado da recorrência, da presença constante, da relação construída ao longo do tempo entre criadores e suas comunidades.
Essa lógica se torna ainda mais evidente quando observamos a força dos criadores regionais. Um criador que conhece os hábitos, a cultura e as referências de determinada comunidade não atua apenas como um canal de comunicação. Ele já chega carregando um capital de confiança que foi construído dentro daquele território.
Por isso, quando falamos sobre relevância local, não estamos discutindo apenas representatividade, a conversa também reflete sobre credibilidade. Talvez essa seja uma das reflexões mais valiosas deixadas pela palestra da Bayer, ser “AI-first” significa utilizar a tecnologia para automatizar processos, ganhar eficiência e liberar tempo para aquilo que continua sendo essencial: construir confiança. E essa parte não mudou. Ela se faz da mesma forma de sempre, com consistência, proximidade e relações que se mantêm relevantes muito depois que a campanha termina.