O que não cabe no videocase
A verdade é, todo mundo quer um leão, mas pouca gente quer o processo que demanda
Eu vivi uma grande emoção essa semana em Cannes que foi subir no palco pela primeira vez para encontrar um leão de ouro. Durou 10 segundos. Mas com certeza o efeito dele sobre mim vai durar muito mais e ser multiplicado em milhões de memórias.
E enquanto eu digeria essa emoção e experiência o que mais me vinha a cabeça é como o tempo é complexo e relativo e a absorção dele é não linear.
Fora dos palcos a agilidade, a eficiência e a performance são os discursos de ordem. (E aqui não é uma crítica a isso, apenas a constatação). A vida vem demandado cada vez mais essa agilidade. Mas eu só conseguia pensar mesmo em quanto tempo, quanto esforço coletivo e quanta atenção aos detalhes foi necessária para se ter um trabalho realmente excelente.
No palco, tudo acontece muito rápido.
Um case dura poucos minutos. Um filme, poucos segundos. Um nome é anunciado, uma equipe sobe para receber um Leão e, para quem está assistindo, parece que a história inteira cabe naquele instante.
Mas estar aqui me fez pensar justamente no que não aparece.
Na enorme contradição entre os segundos que vemos no palco e as infinitas horas de discussão, edição, negociação, refinamento e trabalho duro que tornaram aquele momento possível.
E a verdade é, todo mundo quer um leão, mas pouca gente quer o processo que demanda.
E apesar da demanda acelerada da vida, as coisas mais especiais continuam levando tempo. E o resultado disso foi muito maior que os segundos que o palco proporcionaram
Vi uma agência inteira embarcando nessa construção. Estratégia, atendimento, mídia, produção, dados, tecnologia e liderança contribuindo para levar uma ideia o mais longe possível.
Quando o Leão chega, ele parece um momento.
Mas não é.
Ele é a soma de centenas de momentos.
Porque o que sobe ao palco em alguns segundos carrega, quase sempre, muito mais tempo do que conseguimos enxergar.
A Publicis vive um ano muito especial. E olhar para esses resultados daqui tem sido motivo de enorme orgulho.
Mas o que mais levo comigo não é a imagem do palco.
É a lembrança de tudo o que aconteceu antes dele.
Porque o começo não foi rápido.
E nenhuma das coisas que realmente importaram foi.