Cannes

O que não cabe no videocase

A verdade é, todo mundo quer um leão, mas pouca gente quer o processo que demanda

Juliana Elia

VP de Estratégia da Publicis Brasil 25 de junho de 2026 - 15h08

Eu vivi uma grande emoção essa semana em Cannes que foi subir no palco pela primeira vez para encontrar um leão de ouro. Durou 10 segundos. Mas com certeza o efeito dele sobre mim vai durar muito mais e ser multiplicado em milhões de memórias.

E enquanto eu digeria essa emoção e experiência o que mais me vinha a cabeça é como o tempo é complexo e relativo e a absorção dele é não linear.

Fora dos palcos a agilidade, a eficiência e a performance são os discursos de ordem. (E aqui não é uma crítica a isso, apenas a constatação). A vida vem demandado cada vez mais essa agilidade. Mas eu só conseguia pensar mesmo em quanto tempo, quanto esforço coletivo e quanta atenção aos detalhes foi necessária para se ter um trabalho realmente excelente.

No palco, tudo acontece muito rápido.

Um case dura poucos minutos. Um filme, poucos segundos. Um nome é anunciado, uma equipe sobe para receber um Leão e, para quem está assistindo, parece que a história inteira cabe naquele instante.

Mas estar aqui me fez pensar justamente no que não aparece.

Na enorme contradição entre os segundos que vemos no palco e as infinitas horas de discussão, edição, negociação, refinamento e trabalho duro que tornaram aquele momento possível.

E a verdade é, todo mundo quer um leão, mas pouca gente quer o processo que demanda.

E apesar da demanda acelerada da vida, as coisas mais especiais continuam levando tempo. E o resultado disso foi muito maior que os segundos que o palco proporcionaram

Vi uma agência inteira embarcando nessa construção. Estratégia, atendimento, mídia, produção, dados, tecnologia e liderança contribuindo para levar uma ideia o mais longe possível.

Quando o Leão chega, ele parece um momento.

Mas não é.

Ele é a soma de centenas de momentos.

Porque o que sobe ao palco em alguns segundos carrega, quase sempre, muito mais tempo do que conseguimos enxergar.

A Publicis vive um ano muito especial. E olhar para esses resultados daqui tem sido motivo de enorme orgulho.

Mas o que mais levo comigo não é a imagem do palco.

É a lembrança de tudo o que aconteceu antes dele.

Porque o começo não foi rápido.

E nenhuma das coisas que realmente importaram foi.