Cannes

AI-nvisível

A IA deixa de ser protagonista e se firma como meio para resolver problemas de negócio

Dogura Kozonoe

Chief Creative Officer (CCO) da MRM Brasil 25 de junho de 2026 - 12h00

O festival continua aqui na Riviera Francesa, e um padrão que chama muito a atenção entre os cases vencedores é o uso da AI como ferramenta.

Cases em que a AI é a própria ideia simplesmente não são premiados. E eu explico o porquê.

Seria o mesmo que uma campanha, lá nos anos 2000, se gabar de ter usado a internet para colocar um site no ar. Ou, em 2010, comemorar que criou uma fanpage no Facebook.

A AI não é o fim. É o meio.

Outro dia assisti a um conteúdo do Felipe Vassão que define muito bem isso. Se você usa AI para criar uma cena de explosão que, no mundo real (em Hollywood), exigiria uma equipe gigante de especialistas, você não está buscando criatividade, está buscando eficiência de custo. AI vira uma ferramenta financeira.

E a lógica é que, ao usá-la nessa situação, você queira um resultado impecável. Com craft, com realismo, justamente para as pessoas nem perceberem que aquilo foi feito por inteligência artificial.

A AI vai chegar a um ponto de evolução em que se tornará invisível nas nossas vidas. Como a internet ou a eletricidade. O Fabio Souza (CEO da MRM) já me dizia: “Você só nota a internet quando ela falta”. O mesmo vale para a luz elétrica.

Os agentes vão evoluir de forma tão natural no nosso dia a dia que vai chegar uma hora em que não vamos mais parar para pensar: “Será que eu crio um agente para isso?” ou “Será que esse conteúdo foi feito com IA?”. Vai ser tão automático quanto desbloquear o celular e ver posts do mundo inteiro atualizarem na tela.

No fim das contas, o que fica é o de sempre: o uso criativo e relevante da ferramenta para solucionar problemas de negócio.