O verdadeiro valor da “AI”: Autenticidade e Imaginação
Debate em Cannes propõe a humanização das marcas e o resgate da realidade diante do avanço tecnológico
O que mais se ouve nos corredores do Palais, esse ano, não é o assunto de sempre. Em todos os palcos e em todas as conversas, “AI” significa outra coisa: o valor da autenticidade, imaginação e criatividade. No mundo de informações tão fragmentadas e que é difícil saber o que é verdadeiro e o que é falso, marcas são como pessoas: precisam construir confiança e reputação. E só se constrói isso, sendo consistente.
Em uma das palestras mais cabeçudas que vi por aqui, Mark Ritson, fundador do MiniMBA, e Byron Sharp, Professor of Marketing Science and Director at the Ehrenberg-Bass Institute, falaram sobre o espaço disponível para as marcas no nosso cérebro. E é menor do que 5%. Por isso, marcas não podem mudar seus conceitos em um curto espaço de tempo. Se o espaço mental disponível é tão pequeno, marcas que mudam de identidade a cada campanha simplesmente não existem para o consumidor. Sem memória, sem confiança e sem reputação, fica ainda mais difícil construir conexão.
E, como já disse a poeta Maya Angelou , e que Oprah Winfrey também citou aqui no Palais, “as pessoas podem esquecer o que dizemos para elas, mas não esquecem como as fazemos sentir”. Ano após ano, as conversas que acontecem fora dos palcos são tão ricas quanto as palestras mais disputadas. Em um desses papos, com a incrível Regina Augusto, falávamos como várias campanhas abordavam temas a favor da vida analógica, a celebração de experiência reais, e o “direito à realidade”. Esse conceito nasceu de uma publicação da Digital Frontier, em 2024, e se refere ao direito de consumir conteúdo orgânico em oposição ao conteúdo gerado ou promptado por inteligência artificial. Ou, de forma mais ampla, de experimentar a vida e o mundo como eles são, não por meio de simulações.
Esse conceito me tocou profundamente. Não só porque é urgente que saibamos diferenciar notícias reais de fake news, mas porque estamos vivendo uma grande revolução como humanidade. E temos o direito de continuar nos emocionando. Queremos ser mais humanos. E o que nos faz humanos é o poder de emocionar, de criar, de imaginar. Acho que isso é um grande convite. Humanize-se.