Diário de Cannes

Do subsolo à superfície

Essa edição do Cannes Lions acontece em um dos momentos mais interessantes da história recente da comunicação

Guilherme Assumpção

Diretor executivo MiQ Brasil 21 de junho de 2026 - 14h40

Estou especialmente animado para o Cannes Lions deste ano. Minhas participações foram mais discretas nas edições anteriores, mas o festival esse ano acontece em um momento particularmente relevante para a indústria.

Falamos há anos sobre transformação digital. Sobre novas plataformas, hábitos de consumo, tecnologias e formas de distribuir conteúdo. Mas a sensação que tenho é que, até aqui, grande parte dessas mudanças acontecia abaixo da superfície. Agora, elas finalmente começam a alterar a paisagem.

Gosto da analogia dos movimentos tectônicos: durante muito tempo, as transformações acontecem silenciosamente, longe dos nossos olhos. Até que chegam à superfície e mudam o relevo, criam montanhas, deslocam fronteiras e tornam impossível continuar enxergando o mundo da mesma forma. É exatamente isso que estamos vendo acontecer.

Os grandes grupos de comunicação passaram por grandes reestruturações. Modelos de negócio historicamente consolidados estão sendo questionados. Empresas que pareciam inabaláveis enfrentam novos desafios. Nada é exatamente como era alguns anos atrás.

Talvez um dos exemplos mais emblemáticos seja a própria Copa do Mundo, que acontece simultaneamente ao Cannes Lions. O Mundial, durante décadas, pertenceu quase exclusivamente à televisão aberta, mas hoje divide audiência, atenção e investimento com plataformas digitais. Ver transmissões no YouTube disputando espaço com modelos tradicionais mostra o tamanho da mudança que estamos vivendo.

Por isso, acredito que essa edição acontece em um dos momentos mais interessantes da história recente da comunicação. Não apenas porque novas tecnologias estão surgindo, mas porque estamos acompanhando uma redefinição mais profunda de como conteúdo, mídia, entretenimento e marcas se conectam com as pessoas.

Minha expectativa é entender como as marcas estão respondendo a esse cenário, quais modelos começam a ganhar força e quais sinais apontam para os próximos anos.

Mais do que acompanhar tendências, estarei em Cannes para observar como a indústria está se reorganizando diante dessa nova realidade.

Que comecem os jogos!