Indispensável, mas desnecessário
Quais são os limites das marcas no ambiente urbano e a importância do bom senso contra a poluição visual?
O quão mal acostumados ficamos ao morar em uma cidade que preza por uma lei que propõe reduzir e padronizar a exposição de anúncios na paisagem urbana, com o objetivo de combater a poluição visual e a degradação ambiental?
Depois que entrei para o mundo do OOH, meu olhar para toda e qualquer comunicação que esteja ao alcance dos olhos tornou-se meu grande diferencial. É algo de sensibilidade, mas, ao mesmo tempo, meu grande desconforto. Desenvolvi uma mania absurda de observar primeiro o que está sendo comunicado nas ruas, para só depois olhar o todo.
Hoje, andando pela orla em direção às ativações de todas as plataformas digitais existentes (ou daquelas que têm orçamento para se posicionar e montar uma estrutura nababesca na praia), me deparei com um dilema delicioso, daqueles que só temos a oportunidade de vivenciar quando consumimos informação e novidades em quantidades absurdas.
As marcas podem aproveitar a oferta de espaços e imprimir lonas grandes o suficiente para cobrir patrimônios históricos, ou até mesmo “entrar” em cartões-postais sem limites?
Longe de achar que os formatos precisam ser limitados. Quem vos fala aqui é uma das maiores apoiadoras de projetos especiais no mundo do out of home, defendendo SIM que o OOH é parte indispensável de toda e qualquer comunicação de marca. Mas precisamos ter discernimento para entender o que é desnecessário em algumas jornadas.
Claramente, meu olhar específico neste evento baseia-se na semana de um Festival que atrai quase 30 mil pessoas (entre inscritos e turistas) e monetiza como pode. Mas, ao parar por um minuto e observar a falta de padronização, regras e costumes na exposição das marcas ao longo de toda a orla, entendo que, enquanto houver espaço comercializável, existirão vendedores interessados nesta venda.
Ainda assim, acredito que o olhar crítico e especialista da marca (junto à sua agência e ao bom senso) precisa ser muito claro: o quanto ela quer ser lembrada pelo impacto positivo, e o quanto ela aceita se tornar parte de uma poluição visual que gera incômodo e faz o caminho inverso ao pensado e proposto?