Marcia Esteves: “Teremos que nos reinventar”

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Marcia Esteves: “Teremos que nos reinventar”

CEO da Lew’Lara\TBWA analisa como a pandemia deve mudar as relações e as prioridades da sociedade global e a comunicação entre marcas e pessoas

Renato Rogenski
23 de março de 2020 - 6h00

Marcia Esteves: “É uma oportunidade de nos fazermos ainda mais relevantes” (Crédito: Arthur Nobre)

Desde o dia 16 de fevereiro, quando o movimento de quarentena foi intensificado em São Paulo por conta da pandemia do Covid-19, as agências da maior capital brasileira tentam se adequar a novos modelos, ritmos e contextos de entrega. Com a Lew’Lara\TBWA não é diferente. Segundo Marcia Esteves, CEO e sócia da empresa, o plano de contingência focou medidas para evitar o contato físico entre os profissionais e a estrutura de uma operação remota que garanta o funcionamento total da equipe, principalmente a entrega dos projetos e campanhas para os anunciantes.

Graças a tecnologia, toda a equipe tem acesso aos arquivos necessários de toda a agência para trabalhar e, segundo a publicitária, a comunicação tem funcionado bem por meio de reuniões via videoconferência, com status diários por grupos de marcas, além de trocas de informações e alinhamento por telefone ou aplicativos de mensagens. “A ordem agora é transitar somente ideias, não pessoas”, afirma. Na entrevista a seguir, a CEO da Lew’Lara\TBWA analisa a nova dinâmica de trabalho e os impactos da pandemia no mercado.

M&M — O novo modelo de trabalho causou algum impacto na produtividade?
Marcia Esteves — Estamos com toda operação atuando de forma remota. Nós nos planejamos e estipulamos um plano para que nenhuma demanda seja prejudicada e para que não deixe de existir integração e comunicação entre as equipes. Além disso, esse contato diário ajuda na manutenção da integração entre nós, com nossos clientes, com nossos parceiros, em reclusão voluntária em suas casas. É impressionante a vontade de todos de permanecerem ativos, trabalharem, entregarem mais e melhor e continuar contribuindo para as nossas marcas e sociedade.

M&M — Como fica a relação entre redator e diretor de arte? Há algum prejuízo?
Marcia — Não, de forma nenhuma. Claro que o contato presencial é diferente e isso ficou mais evidente agora que estamos momentaneamente privados desse tipo de contato, que era tão trivial e tão pouco valorizado há dez dias. Mas nossos criativos estão com suas máquinas em casa, fazendo um trabalho maravilhoso de forma remota. A separação física não é sinônimo de falta de integração. A tecnologia dá o tom de proximidade, ainda que as pessoas estejam a quilômetros de distância umas das outras. A comunicação e a integração das equipes não foram prejudicadas. Na verdade, a força do coletivo está mais forte a cada dia.

M&M — Como os clientes estão reagindo aos impactos do novo coronavírus?
Marcia — Estamos falando de um vírus que ainda desconhecemos, para o qual estão sendo testados os métodos de imunização e tratamento. E por conta disso, o cenário político e econômico do mundo entra em estado de alerta, em retração e instabilidade. A partir do momento em que as pessoas mudam sua rotina, os hábitos de consumo mudam, automaticamente as marcas são impactadas. Estamos todos juntos, analisando os dados e transmitindo ideias e valores, nos mantendo saudáveis, dado que a saúde é o bem mais precioso em um momento tão conturbado.

M&M — Já houve casos de alteração em campanhas de algum cliente?
Marcia — Tudo o que envolve o desenvolvimento dos produtos vendidos foram atingidos, como fábricas, produção, mão de obra e transporte, de maneira geral, como também a prestação de serviços, eventos e ativações. É inevitável que tudo seja revisto neste momento, e estamos em reuniões e alinhamento com cada um deles, que passam por momentos diferentes, alguns com fluxo maior de consumo, como as empresas alimentícias, outras em retração, como as de turismo.

M&M – Como fica o segmento de viagens, onde atua a CVC, cliente da Lew’Lara\TBWA? Há algum plano em ação para minimizar os impactos causados pela pandemia?
Marcia — Ainda é muito cedo para responder essa questão. Tenho a convicção de que assim que a pandemia for contida, as pessoas precisarão de férias e as viagens voltarão com maior intensidade, ainda que dentro de cada país, em um primeiro momento, para depois escalonar para os níveis anteriores à crise do Covid-19. Por hora, o novo coronavírus botou o turismo em quarentena e nossos clientes do setor estão preocupados com seus negócios, naturalmente, mas também e — principalmente — com seus consumidores. O setor de turismo é responsável por uma receita de mais de US$ 150 bilhões (cerca de R$ 750 bilhões), segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo. É um mercado importante, que vai atravessar este momento e voltará a crescer. E assim como todos os nossos clientes, contarão com nosso apoio incondicional para isso.

M&M — Você acredita que muitas campanhas e planos de comunicação precisarão ser modificados?
Marcia — Acho que a vida vai ser modificada pós Covid-19. Ainda não sei como: não sei como a economia vai reagir, não sei como o mundo vai ficar após a quarentena mundial. O que me parece é que depois “dessa volta ao lar”, as relações vão se modificar, as prioridades vão se modificar, e, naturalmente, a comunicação e campanhas. Teremos que nos reinventar na medida em que a sociedade estará reinventada.

M&M — Quais devem ser os impactos no mercado publicitário brasileiro em curto, médio e longo prazos?
Marcia — Nós não teríamos um ano fácil, uma vez que nossa economia estava ensaiando uma recuperação. Continuaremos enfrentando tempos desafiadores, mas preferimos enxergar como uma oportunidade de nos fazermos ainda mais relevantes. Em tempos de transformação, teremos que ser disruptivos, usando dados, estratégia e criatividade, e isso sabemos fazer bem.

M&M — Quais os aprendizados que a publicidade pode extrair de períodos de crise e imprevisibilidade como este?
Marcia — Crises e cenários tidos como conturbados favorecem a criatividade, uma oportunidade de sair da zona de conforto e propor coisas novas, testar novos caminhos e possibilidades. Quando achamos que não é possível, nada como um período de instabilidade ou recursos limitados para nos ensinarem a fazer mais com menos. O Brasil é reconhecido mundialmente por sua criatividade e esperamos que as adversidades possam nos motivar à disrupção.

Crédito da imagem de topo: DKosig/iStock

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