Valéria Barone: “vamos aprender a ser muito mais produtivos”

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Valéria Barone: “vamos aprender a ser muito mais produtivos”

Por mais que hoje exista certa dificuldade na adaptação, período remoto vai resultar em mais foco para as agências, diz a managing director da Gut São Paulo

Isabella Lessa
3 de abril de 2020 - 6h00

A Gut, que acaba de completar um ano de operação em São Paulo, iniciou o home office em 13 de março, uma semana antes dos pedidos oficiais do governo de São Paulo. Desde então, como todas as empresas que têm trabalhado sob esse sistema, tem vivenciado desafios e aprendizados diários. Valéria Barone, managing director da agência, afirma que as experiências de participar de concorrências remotas têm sido tranquilas, mas que outros processos cotidianos da operação ficam mais densos pelo fato de a equipe não estar no mesmo ambiente:

Valéria Barone, managing director da Gut São Paulo: (Crédito: Arthur Nobre)

Meio & Mensagem — Como vem sendo a dinâmica entre a equipe nesse modo remoto? E com os clientes?

Valéria Barone — Nossos colaboradores seguem empenhados para passarmos por esse momento delicado da melhor maneira possível. O ritmo da agência está acelerado com as entregas que já existiam, temos adaptações e o desenvolvimento de novos trabalhos. Nesse momento, temos que estar ainda mais próximos aos nossos clientes cumprindo nosso papel com agilidade e decisões inteligentes. Temos calls diariamente às 9h30 entre os heads da agência e também reuniões fixas entre os heads e suas respectivas áreas, além de, é claro, calls diários com os clientes.

M&M — Como os clientes estão lidando com esse momento de imprevisibilidade? Com isso, estão demandando outros tipos de entrega da Gut?
Valéria — Tanto o cliente — como todo mundo — não sabe o que irá acontecer. Estamos passando por uma situação sem precedentes e estamos juntos lado a lado.

M&M — Já houve casos de alteração em campanhas de algum cliente? Qual e por quais motivos?Valéria — Sim, praticamente tivemos alterações em campanhas de todos os clientes. Às vezes foram campanhas aprovadas que não puderam ser produzidas da maneira que tinham sido concebidas, outras porque as mensagens não faziam mais sentido devido ao momento atual que estamos vivendo e, algumas que tivemos que desenvolver planos específicos para Covid-19. Praticamente tivemos que rever o planejamento de todos os clientes.

M&M — Muitas campanhas e planos de comunicação precisarão ser modificados daqui em diante?Valéria — Alguns só vão ser postergados, mas outros precisarão ser mudados porque a mensagem não vai fazer sentido depois disso tudo que estamos vivendo. Ou porque perdeu o timing ou porque o negócio do cliente será afetado de maneira muito bruta.

M&M — De que formas acha que esse episódio, ainda sem data para terminar, vai impactar as agências de publicidade? Quais aprendizados poderão ser tirados disto?
Valéria — Essa talvez eu ache que seja a pergunta mais difícil. Estamos vendo mudança no dia a dia, mas ele vai sem dúvida impactar brutalmente não só as agências, mas o mundo. Acredito que a gente vai aprender a ser muito mais produtivo e a trabalhar de forma efetiva com ainda mais foco. Tem muita coisa que já aprendemos nesses 20 dias de home office e vai ter muito mais até o final da quarentena.

M&M — Para uma agência que está há um ano no mercado e é independente: passar por um período brusco como esse é mais fácil em relação a agências de grandes grupos ou é mais difícil — sob aspectos financeiros, principalmente?
Valéria — Acho que tem certas vantagens. Um dos maiores valores da agência é a transparência e, nesse momento, temos exercitado isso como nunca, o que estabelece uma maior proximidade com nossos colaboradores. Isso é claramente um reflexo da personalidade dos founders da Gut — Anselmo e Gaston — no nosso dia a dia. Sobre aspectos financeiros, temos uma estrutura enxuta o que faz nosso custo ser bem menor do que uma grande agência.

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