CES planeja evento no Brasil até 2021

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CES planeja evento no Brasil até 2021

Gary Shapiro, presidente da megafeira tecnológica, fala sobre projetos futuros e 50 anos do evento ano que vem

Igor Ribeiro
27 de julho de 2016 - 11h05

Evento símbolo de tecnologia e inovação que ocorre todo janeiro em Las Vegas, o Consumer Electronics Show (CES) tem se reinventado. Amplia, por exemplo, o espaço dedicado a startups e as cidades a receberem o programa Unveiled, um showcase rotativo que já passou por Nova York, Londres, Paris e Praga. A meta de Gary Shapiro, CEO da Consumer Technology Association (CTA), que organiza a megafeira, é trazer a versão pocket do CES ao Brasil nos próximos cinco anos.

Gary Shapario, CEO da CES Las Vegas (Crédito: Divulgação)

Gary Shapario, CEO da CES Las Vegas (Crédito: Divulgação)

À parte dessas transições, a convenção continua sólida. Representa uma indústria avaliada em US$ 287 bilhões e bateu recorde de visitação neste ano, atraindo mais de 177 mil pessoas, sendo 53 mil estrangeiros. A seguir, o executivo fala ao Meio & Mensagem sobre esse tema e os 50 anos, em 2017, do evento que lançou para o mundo tecnologias como VCR, DVD, Blu-ray, HDTV, drones, tablets e impressoras 3D.

Meio & Mensagem — O que a CES deverá fazer de especial para celebrar seus 50 anos em 2017?
Gary Shapiro — Certamente será a maior e mais importante CES já realizada. Para celebrar, vamos prestar o devido reconhecimento aos parceiros de sempre, aos maiores criadores de produtos e soluções para a sociedade moderna. Nesses 49 anos, a CES já apresentou ao mundo mais de 700 mil produtos e vai destacar e projetar mais inovações e tendências no ano que vem.

É um desafio para a CES se manter como um polo de inovação diante de outras feiras internacionais, como o Mobile World Congress, em Barcelona, e até mesmo o Detroit Auto Show, que tem voltado a se destacar? Las Vegas não perdeu o encanto?
Las Vegas possui 150 mil quartos em quase duas centenas de hotéis, com uma infraestrutura completa para o visitante e tudo muito próximo do aeroporto internacional, incluindo o centro de convenções, que é muito moderno e tem tecnologia de ponta. E um evento como o CES é uma oportunidade única para reunir executivos, empreendedores, investidores, marqueteiros, mídia e todo profissional que faz parte ou é interessado na cadeia de consumo. Acredito que, apesar de toda tecnologia que encurta distâncias, um evento como uma convenção ou uma feira ainda é a melhor ocasião para estabelecer relacionamentos duráveis, pois mexe com a experiência, é sensorial. Neste ano foram mais de 200 painéis, mais de 800 palestrantes e 3,6 mil exibidores. Tivemos quase 54 mil pessoas de fora dos Estados Unidos, que vieram de 150 países e, em Vegas, participaram, em média, de 33 reuniões de negócios cada um e evitaram mais de 5,5 milhões de quilômetros em viagens internacionais. Não há melhor lugar para manter-se informado sobre inovação, além de ser uma referência no que diz respeito a consumo e tecnologia. Diz-se no mercado que se deve inovar ou morrer, e temos essa crença para o CES também.

Quais ações o CES realiza especificamente para o mercado de comunicação?
Muita inovação relacionada à indústria de propaganda, mídia e cinema ocorre aqui, além de eventos para reunir diretores de marketing de grandes empresas para trocarem experiências. Temos, por exemplo, o C Space, uma conferência à parte, com programação voltada à indústria global de mídia e criatividade. Começou em 2015 e, neste ano, já dobrou de tamanho. Em 2017, essa área vai absorver o Entertainment Matters, evento dirigido a produtores de conteúdo e empresas focadas em entretenimento. Foi aqui que Reed Hastings, CEO do Netflix, anunciou em janeiro a expansão de seu serviço para mais 130 mercados globais, de uma só vez. Além disso, oferecemos aos diretores e líderes dessa indústria o Executive Club, com uma série de benefícios, incluindo salas de reunião exclusivas.

Parte dos grandes grupos tem preferido adquirir inovação pronta — seja investindo em aceleradoras, realizando grandes aportes em startups ou comprando patentes — do que desenvolver alta tecnologia internamente ou com apoio do Estado. Isso tem se refletido também na CES?
Mais ou menos. No Innovation Awards, por exemplo, tem aparecido mais startups. O prêmio reconhece grandes inovações da indústria em categorias como tecnologia, realidade virtual, home-audio, sustentabilidade, gaming… A maior parte dos ganhadores ainda é de grandes grupos, mas cada vez mais empresas menores despontam na premiação. Startups sempre foram parte importante da associação e da convenção. É algo circular, hoje elas ditam boa parte das tendências, acabam inspirando grandes empresas, e depois volta de novo. O Eureka Park foi oficializado há poucos anos, mas já é muito movimentado, pois é muito vantajoso para as startups participarem. Já foi levantado mais de US$ 1 bilhão para os empreendedores que passaram por ali. Esperamos mais de 500 exibidores no Eureka Park em 2017.

Um evento como o CES é uma oportunidade única para reunir executivos, empreendedores, investidores, marqueteiros, mídia e todo profissional que faz parte ou é interessado na cadeia de consumo. Acredito que, apesar de toda tecnologia que encurta distâncias, um evento como uma convenção ou uma feira ainda é a melhor ocasião para estabelecer relacionamentos duráveis, pois mexe com a experiência, é sensorial

Boa parte das startups nasceu e se desenvolveu orientada pela economia criativa, conceito que tem guiado muitas multinacionais em seu realinhamento junto ao consumidor. Acredita que esse é um caminho inevitável para a indústria?
Tenho certeza de que esses modelos vão seguir revolucionando nossa sociedade e inspirando nossa indústria. Porque são mais rápidos, prestam serviços cada vez melhores, custam menos. Deve haver, claro, um impacto de mercado intenso, como no caso de taxistas, mas não há como lutar contra isso, ficar na contramão do que desejam as pessoas, que são soluções melhores e menos caras. Eu mesmo viajei há pouco para Nova York com a família e os hotéis lá estão muito caros, então consegui um bom apartamento, confortável, por meio de uma plataforma dessas. Não bastasse essas conquistas, são soluções em que a colaboração tecnológica é intensa e dinâmica, e isso também é muito inspirador para o próprio mercado, e as grandes empresas principalmente, reverem suas estratégias e negócios.

Quais são os planos futuros para o programa CES Unveiled?
Começou como um showcase tecnológico que antecipava as tendências da CES, primeiro em Las Vegas e Nova York, depois em Londres e em Paris, que se tornou um destino constante do Unveiled, sempre com plateias lotadas. Este ano acrescentamos Praga, como um hub para o leste europeu, uma cidade promissora e bem localizada, próxima a outros lugares de cultura muito inovadora. Espero poder levá-lo também ao Brasil nos próximos cinco anos. É um espaço de discussão importante para empresários da região verem mais de perto o que ocorre na área deles pelo mundo, fazerem contatos, ganharem confiança para apresentarem seus projetos em Las Vegas e para jornalistas divulgarem esses trabalhos e a marca da CES.

A íntegra desta entrevista está publicada na edição 1720, de 25 de julho, exclusivamente para assinantes do Meio & Mensagem, disponível nas versões impressa e para tablets iOS e Android.

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