“Carnaval de rua deve ter regras”

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“Carnaval de rua deve ter regras”

Responsável pela organização da folia dos blocos do Rio e de São Paulo, Dream Factory acredita que as medidas da prefeitura asseguram a tranquilidade da festa

Bárbara Sacchitiello
9 de fevereiro de 2017 - 12h19

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Desfile do Bloco Casa Comigo pelas ruas da Vila Madalena, em São Paulo, no passado; região terá restrições na festa deste ano (Crédito: Reprodução/Facebook.com/CasaComigo)

Em 2010, a Dream Factory conquistou, pela primeira vez, a concorrência municipal para organizar o carnaval de rua do Rio de Janeiro. Desde então, a empresa não saiu mais da folia. Pela oitava vez, a agência será a responsável pela organização do carnaval da capital fluminense, o que compreende a execução de toda a infraestrutura necessária para o desfiles dos blocos, como a instalação de banheiros químicos, o credenciamento de vendedores ambulantes e negociações comerciais com as marcas que desejam participar da festa mais popular do Brasil.

A experiência na festa do Rio rendeu à agência uma bagagem para também capitanear o carnaval de rua de São Paulo. Pelo terceiro ano consecutivo, a Dream Factory foi escolhida pela administração municipal para organizar os desfiles dos 381 blocos que a prefeitura autorizou no carnaval da cidade. Com a expectativa de uma festa maior do que nos anos anteriores, a agência acredita que 2017 será marcado pela consolidação definitiva da folia paulistana como uma das maiores do Brasil.

 O trabalho da empresa na festa deste ano acontece em um momento em que as novas regras para o carnaval de rua geram debates e divergência de opiniões entre os moradores da cidade. O prefeito João Doria determinou algumas restrições para os blocos carnavalescos de determinadas regiões da cidade, fixando um horário limite para a festa a fim de não provocar transtorno aos moradores. Parte do público critica as medidas, com receio de que a festa seja prejudicada.

Na opinião do diretor-geral da Dream Factory, Duda Magalhães, as regras da prefeitura são válidas e importantes para assegurar o crescimento da festa. Em meio aos preparativos do carnaval das duas maiores capitais do País, o executivo conversou com a reportagem sobre as expectativas para a folia e sobre o potencial de negócios que as festa pode gerar para as marcas.

 

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Duda Magalhães, CEO de Dream Factory (Crédito: Divulgação)

Novas regras do carnaval paulistano
“É papel do poder público criar condições para que o crescimento do carnaval de rua aconteça de forma sustentável e organizada. Tem que existir regrar de convivência, caso contrário, a festa pode se tornar um problema e jogar contra si mesma. Claro que essas determinações devem preservar a liberdade cultural e de manifestação das pessoas. Não percebi, em nenhuma dessas determinações da prefeitura de São Paulo, a intenção de coibir a liberdade da festa.. O gigantismo da festa não pode se tornar um risco. É positivo que o carnaval tenha regras que possam garantir o crescimento sustentável do evento, a diversão e a segurança do público”.

Poder público
“É muito importante ter alinhamento com diversos órgãos do poder público para conseguir levar para a festa os elementos que não são parte da nossa estrutura de produção, como policiamento, segurança, organização do trânsito. Essa infraestrutura, que é fundamental para o carnaval, depende uma parceria grande com o poder público. Nos últimos anos, aprendemos muito no Rio de Janeiro pela interação com os órgãos de limpeza, de fiscalização e de outros serviços.

 Crescimento do carnaval de rua em São Paulo
“Acredito que o caráter aberto e democrático do carnaval de rua é a base do sucesso da festa e do crescimento do número de blocos em São Paulo. A ausência do abadá, que permite que as pessoas sigam os blocos gratuitamente, é a chave do sucesso do carnaval. Seja com R$ 50, R$ 30 ou R$ 10 no bolso, a pessoa sabe que pode sair de casa e se divertir. A ampla presença geográfica da festa, que acontece em diferentes bairros e regiões, atrai um público muito variado e pessoas de diferentes idades, classes sociais e estilos. O carnaval de rua é a festa mais popular, cultural e plural do Brasil.”

Marcas na folia
“No Rio de Janeiro, renovamos o patrocínio com Antarctica, Caixa e Olla. Em São Paulo, já temos a Skol e a Caixa e ainda há espaço para a negociação de mais uma cota e, nas duas festas, ainda há espaço para marcas que desejam fazer ações. Na capital paulista, contamos também com parceria de mídia com a Folha de S.Paulo. As marcas ainda não estão plenamente cientes da geração de negócios que o carnaval de rua pode trazer, ainda mais em um cenário de crise, onde a conexão direta com o público acaba sendo muito importante. “

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Bloco Sargento Pimenta, em São Paulo (Crédito:Reprodução/Facebook)

Benefícios econômicos
“No primeiro ano que produzimos o carnaval de São Paulo (2015), conseguimos captar R$ 800 mil em patrocínio privado. Já em 2016, esse montante subiu para R$ 4,5 milhões. Para este ano, a previsão é de que alcancemos um total de R$ 15 milhões de patrocínio com o carnaval de rua na capital paulista. Além de gerar muito negócio para as marcas, a cidade se beneficia com o evento, pois quanto mais forte e consolidada é a festa, maior potencial ela tem de atrair turistas. Fora a geração de empregos que a festa gera. Em São Paulo, mais de 5 mil pessoas já solicitaram credenciamento para trabalhar como vendedores ambulantes.”

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Desfile do Simpatia É Quase Amor, no Rio de Janeiro; pelo oitavo ano, agência irá produzir o carnaval de rua da cidade (Crédito: Reprodução/Facebook)

Marketing de emboscada
“Ainda acontece muitos casos de marcas que vão para as ruas sem qualquer tipo de autorização. Isso desrespeita o projeto de carnaval e deve ser fiscalizado. As marcas devem ter consciência de que, se querem aproveitar os blocos de rua para fazer ações, ativações ou outros tipos de interação com as pessoas, elas devem procurar a Prefeitura da cidade ou a Dream Factory. É de responsabilidade do poder público fiscalizar as ações de emboscada pois, com isso, estarão protegendo algo que é da própria cidade.”

Expectativas
“No Rio de Janeiro, como a festa já está bem consolidada, esperamos ampliar a infraestrutura, a quantidade de banheiros e promover mais um carnaval divertido para os moradores e turistas que vão à cidade aproveitar o que o Rio tem de melhor. Em São Paulo, esperamos um recorde de público nas ruas e um grande impacto econômico gerado pela festa, consolidando o carnaval da cidade entre os maiores e melhores do País.

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