Empresas de saúde investem em telemedicina

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Empresas de saúde investem em telemedicina

Após liberação do Ministério da Saúde, atendimento online surge como alternativa para evitar superlotação e contágio durante pandemia

Taís Farias
27 de março de 2020 - 6h11

Unimed-BH oferece o serviço de consulta online para atender clientes com sintomas de coronavírus (Crédito: Divulgação/ Unimed-BH)

Na tentativa de conter a disseminação do novo coronavírus no País, empresas de saúde investem em atendimento online e miram evitar superlotação. Na semana passada, o Conselho Federal de Medicina anunciou, em caráter excepcional e enquanto durarem os esforços de combate ao contágio de Covid-19, a liberação da telemedicina no Brasil. O projeto que regulamenta a prática foi aprovado na quarta-feira, 25, pela Câmara.

A decisão emergencial foi tomada após o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, se pronunciar sobre a necessidade de usar a tecnologia a favor da orientação dos pacientes. A resolução abrange o atendimento pré-clínico de suporte assistencial, consulta, diagnóstico e monitoramento dos pacientes nesse contexto. Anteriormente, não havia uma lei federal ou decreto específico que tratasse do tema.

Com a pandemia de Covid-19, a telemedicina ganha relevância por permitir a orientação básica de pacientes, mantendo o isolamento social. A técnica também é uma oportunidade para conter a superlotação de hospitais, clínicas e unidades de saúde. Como o vírus pode causar sintomas comuns a outras doenças, nesse período, muitos pacientes buscam o atendimento profissional para elucidar suas dúvidas.

A Unimed-BH, que atende mais de 1,2 milhão de pessoas na Grande Belo Horizonte, passou a oferecer uma plataforma de consulta online para todos os clientes que apresentem sintomas de coronavírus. Depois de passar por um questionário de triagem, o paciente tem sua consulta em vídeo agendada. As pessoas com diagnóstico de suspeita da doença, que estão em isolamento domiciliar, recebem um telemonitoramento diário feito por uma das enfermeiras da rede, durante o período de quarentena.

Samuel Flam, diretor-presidente da Unimed-BH, afirma que o projeto pode crescer nos próximos dias. “No momento, temos mais de 70 médicos comprometidos com esse formato de atendimento, e estamos monitorando a necessidade de ampliação de profissionais, dia a dia, de acordo com a demanda dos clientes”, explica.

A rede de centros médicos e consultas particulares, Dr Consulta, também investiu no serviço. A empresa oferece a opção de orientação médica por vídeo chamada via WhatsApp para os pacientes que apresentarem os sintomas. O atendimento pode ser agendado por call center ou aplicativo e tem custo de R$ 45. Segundo o diretor de marketing e atendimento ao cliente do Dr Consulta, Renato Pelissaro, a iniciativa tem tido alta adesão por parte do público.

“Desde o início do serviço, no começo do mês, dobramos a operação para o atendimento a cada três dias”, afirma o executivo. A rede se prepara para aumentar a oferta de especialidades no atendimento online. Nos próximos dias, o grupo oferecerá agendamento de consultas de psicologia e psiquiatria.

Existem, ainda, empresas de outros setores que nesse momento decidiram investir no setor. O sistema de gestão de pagamentos Connecty Pay se prepara para oferecer serviços de telemedicina em parceria com a empresa Medicina para Você. Na plataforma, médicos poderão se cadastrar e abrir suas agendas para atender online pelo próprio aplicativo. Rafael Belon, CEO da Connecty Pay, afirma que a empresa vem trabalhando para ampliar a oferta de produtos e serviços que demandem meio de pagamento. “Nosso objetivo é entregar um super app ao usuário, onde ele tenha acesso ao supermercado, farmácia, combustível, seguro veicular e agora consulta médica, com o pagamento sendo feito em um único meio”, explica.

Fase de teste
Antes da pandemia, algumas iniciativas de telemedicina já eram testadas no Brasil. Em 2017, uma parceria entre a operadora de saúde Care Plus e o Hospital Israelita Albert Einstein lançou o programa Einstein Conecta, que promove atendimentos por videoconferência. O serviço é indicado em casos específicos e de menor gravidade como alergias, conjuntivite, dor de garganta, dor muscular, enxaqueca e resfriado. Segundo a operadora, em 95% dos casos atendidos pelo Conecta o paciente, de fato, não precisaria ir até um pronto-socorro.

Os fatores culturais são apontados como uma das principais dificuldades para consolidação da telemedicina no País. “Historicamente no Brasil as pessoas têm o hábito de ir ao pronto-atendimento, quando esse deveria ser o local para atendimento dos casos realmente urgentes”, conta o presidente da Unimed-BH. A falta de regulamentação da prática fora do contexto emergencial também impede o crescimento do setor.

Para além da discussão médica sobre a viabilidade dos atendimentos online, o uso da telemedicina pode ter impactos econômicos para toda a cadeia de saúde, uma vez que quebra barreiras geográficas. “O médico do interior estaria preparado para competir com o profissional com trinta anos de carreira que trabalha em um centro renomado?”, questiona Helton Marinho, CEO da healthtech Ninsaúde. Com variáveis complexas na questão, ele acredita que a medida fique disponível para casos semelhantes no que diz respeito ao afastamento social, mas não deve deixar caminho aberto para a regulação completa da telemedicina.

*Crédito da foto no topo: Reprodução

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