Jackson, ex-GM: “Fui o primeiro negro nos cargos que ocupei”

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Jackson, ex-GM: “Fui o primeiro negro nos cargos que ocupei”

Executivo que passou pelo alto escalão do marketing de empresas como Coca-Cola, Pepsi, Coors e General Motors, fala sobre a importância da mentoria para talentos negros


8 de julho de 2020 - 6h00

Michael Jackson fundou a consultoria 2050 Marketing, que auxilia os clientes a pensar o futuro do setor (Crédito: Reprodução/ AdAge)

Por Jeanine Poggi , do AdAge

Ser o primeiro negro a conquistar posições de liderança dentro do marketing de grandes anunciantes fez parte da trajetória de Michael Jackson.  Ele passou boa parte de sua carreira em companhias como Coca-Cola, Pepsi, Coors e General Motors, onde foi vice-presidente de marketing e publicidade. Em 2017, o executivo deixou o mundo corporativo para trabalhar com startups e fundou sua consultoria 2050 Marketing, que prepara os clientes para o que a área será nas próximas décadas.

Em entrevista concedida ao AdAge, Michael fala sobre sua experiência no marketing dos anunciantes, o contato com as agências e o papel da mentoria para impulsionar a carreira de talentos negros.

AdAge – Como foi sua experiência enquanto um homem negro trabalhando com marketing em companhias como GM, Coca-Cola e Coors?

Michael Jackson – Em quase em todas as posições que trabalhei, começando com a Coca-Cola até a GM, eu fui o primeiro homem afro-americano a ocupar o cargo. Era inacreditável. Quando estava na pós-graduação, um grande cara me contratou, o que me deu ótimas oportunidades de ser bem-sucedido. Mas, então, eu continuei sendo ignorado para promoções mesmo quando eu já tinha concluído meu mestrado. Eu escrevi uma carta para um VP sênior que concordou em se encontrar comigo. Pelo lado positivo, como eu fui o primeiro em todas as posições, sempre havia um mentor. Em quase todos os casos, eles eram brancos que viam minha perspectiva, me guiavam e encorajavam. Isso me manteve em frente.

AdAge – Em seus cargos anteriores você se sentiu adequadamente apoiado enquanto um homem negro trabalhando na indústria de comunicação?

Michael – Na Coca-Cola, eu estive lá por nove anos e meio. Eu sobrevivi por todo esse tempo porque tive um cara, relativamente sênior na organização, que me mentorou e me deu a oportunidade de ter sucesso. A Pepsi foi provavelmente a empresa mais diversa em que eu já trabalhei. Brenda Barnes e Roger Enrico são realmente muito bons em promover diversidade dentro da organização. Coors também foi uma experiência positiva.

AdAge – Como foi trabalhar com as principais holdings de agências sob o ponto de vista dos clientes?

Michael – Foi muito difícil. Na Coors, nós trabalhamos com a Goodby (Silverstein & Partners) e FCB Foote Cone & Belding e não havia pessoas negras, eles não tinham nenhuma diversidade. O momento mais desafiador foi quando eu me mudei para GM e eles ainda tinham oito marcas divididas entre Publicis e IPG. A empresa estava me cobrando para diversificar nosso marketing e eu me lembro a primeira vez que coloquei todas as agências juntas em uma sala para estruturar a abordagem. Havia 65 pessoas na sala e apenas três não eram brancas, enquanto todas elas trabalhavam para agências multiculturais. Aquilo me impressionou. Lembro-me de olhar para as pessoas literalmente chocado com o fato de que não havia pessoas negras entre as lideranças das principais agências. Lembro-me de sentar com Maurice Levy e o Michael Roth e dizer que nós precisávamos ter uma representatividade maior para concluir o trabalho. A resposta deles foi: “Sim, Mike, entendemos”. Por um ano e meio eu tive esse papel. Não houve mudanças no topo dessas agências com relação à inclusão racial. Era uma batalha todos os dias e a maior parte dessa batalha era interna. Foi difícil para eu pressionar as agências porque meus subordinados diretos que gerenciavam as marcas estavam bem entrincheirados com essas agências.

AdAge – O que te fez deixar o mundo corporativo?

Michael – No fim das contas, eu senti que já tinham alcançado aquilo que eu desejava alcançar. Na época, disse ao meu chefe que não sou o mártir de nenhuma companhia. Tenho orgulho do que consegui realizar, mas saí silenciosamente.

AdAge – Houve algum mentor que ajudou a moldar sua carreira?

Michael – Em uma nota positiva e, apesar dos grandes desafios, eu tive alguns mentores brancos que conseguiram, que literalmente me abraçaram e ajudaram a me colocar em uma posição de sucesso. Algumas vezes isso era explícito e muitas vezes era nos bastidores. Eu apoio a mentoria formal ou informal porque ela me deu o nível de confiança que eu precisava pra continuar lutando nessa batalha. Se você não tem suporte e confiança é quando as pessoas saem e dizem: “Vou trabalhar para o Google; Vou trabalhar em outro lugar”.

AdAge – O que você deseja ver da comunidade publicitária neste momento?

Michael – Tem duas coisas que eu gostaria de ver e que eu realmente não acho que sejam difíceis. Eu posso sentar aqui e listar cem afro-americanos em publicidade, marketing e mídia que poderiam estar no top 5 das principais agências e imediatamente trabalhar para criar um pipeline de candidatos não-brancos. Existe tanto talento nessa indústria com pessoas que são apaixonadas pelo trabalho. Mesmo os bem-sucedidos, eles só conseguem chegar até certo platô e é isso. Essas empresas precisam promover pessoas negras para as primeiras posições, mesmo que seja seis meses antes de estarem prontas para assumir esse cargo. Eu acho que os resultados seriam inacreditáveis.

*Tradução: Taís Farias

** Crédito da foto no topo: Tookapic/Pexels

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