Natura e Rock in Rio farão esforço conjunto pela Amazônia

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Natura e Rock in Rio farão esforço conjunto pela Amazônia

Projeto Nave terá à frente um trio feminino - Roberta Carvalho (diretora artística), Karla Martins (argumento) e Daniela Thomas (cenografia) – e pretende apresentar uma Amazônia não noticiada pela mídia

Roseani Rocha
4 de julho de 2022 - 6h00

Em 2019, ano em que a Natura participou pela primeira vez do Rock in Rio, a companhia celebrava seus 50 anos de vida, passava por um reposicionamento de marca, fruto de uma reflexão sobre o que seria o futuro, considerando seu negócio e principalmente suas visões sobre sustentabilidade e comportamento empresarial. A conclusão, na época, era de que por mais que fizesse (e continuará fazendo), questões como a proteção da Amazônia e o meio ambiente de modo geral demandam um envolvimento de todos que compõem o tecido social, daí a assinatura “O mundo é mais bonito com você”. Naquele ano, a instalação Nave, construída no velódromo da Cidade do Rock, sob curadoria de Marcelo Dantas, veio justamente da ideia de não ser apenas um patrocinador-padrão, que paga para expor sua marca, mas utilizar a interação com um público de 700 mil pessoas ao longo de todos os dias de evento para despertar um senso de urgência sobre as questões ambientais e conexão entre presente e futuro. Sob o mote “Nosso futuro é agora”, a Nave propiciou aos visitantes uma experiência imersiva, sensorial e artística de 15 minutos, para despertar algum tipo de consciência e engajamento na construção desse futuro desejado.

Fernanda Paiva: Amazônia que será levada ao Rock in Rio é contemporânea e caldeirão cultural inspirador (Crédito: Divulgação)

Além da parceria com a própria organização do RiR, que tem suas ações para a Amazônia – como o Amazonia Live, em parceria com o Funbio e com o Instituto Socioambiental (ISA) que já realizou o plantio de mais de 3,8 milhões de árvores em mais de 2 mil hectares de floresta; apoio e angariação de R$ 5 milhões pelos parceiros e público no reflorestamento da região do Rio Xingu; e apoio à restauração de mais de 4,2 mil hectares no projeto Paisagens Sustentáveis – outra ação que repercutiu na primeira participação da Natura no festival veio de parceria com outro patrocinador, a Heineken. Uma operação de reciclagem foi montada pelas duas empresas e cerca de 10 toneladas de copos plásticos usados pelo público viraram tampas de novos produtos da Natura. Foram 670 mil unidades de tampas do Desodorante Corporal Spray de Natura Humor, evitando emissão de 15 toneladas de CO2 no meio ambiente.

A Nave de 2022

Este ano, do primeiro RiR depois da Covid, e com ingressos esgotados em tempo recorde, Fernanda Paiva, head of global cultural branding da Natura, define o clima: “As pessoas querem se sentir vivas, se conectar nessa coletividade e, ao mesmo tempo, sentir que tem algo maior que podemos deixar. Enquanto narrativas que a Natura quer levar ao RiR, tem a pauta da urgência de falar da Amazônia, um compromisso que a Natura tem há mais de 20 anos com a região. Não existe futuro ‘no mundo’, se não houver Amazônia”, enfatiza.

Mas também pontua que a Amazônia que será levada ao RiR é diferente daquela que é pauta recorrente na mídia, ou seja, somente a da violência e do desmatamento, mas também uma Amazônia “contemporânea”, que transborda vida e é um caldeirão cultural ímpar e inspirador. Para isso, a quatro mãos com o festival, a Natura construirá nessa nova Nave uma “experiência sensorial afetiva”, que buscará pegar as pessoas pelo coração e, ao ampliar seu conhecimento sobre a região, fazer com que todos se engajem mais na defesa desse ecossistema.

Roberta Carvalho, diretora artística da Nave este ano (Crédito: Julia Rodrigues/Divulgação)

A Amazônia é feminina

Para comandar o espetáculo na instalação este ano, foi trazido um time feminino e com o cuidado de que duas delas fossem personagens da própria região, trazendo mais forte a questão do lugar de fala, de forma que não fosse feita apenas uma tradução da região pelos olhos sudestinos. Lideram o Coletivo Criativo Nave este ano: a artista paraense Roberta Carvalho (diretora artística), a ativista e contadora de histórias acreana Karla Martins (argumento) e a carioca Daniela Thomas (cenografia). Além delas, a direção musical é da multiartista Aíla, idealização da empreendedora social Denise Chaer e direção geral do CEO do RiR, Luis Justo, que promete uma atração “totalmente sinestésica e imersiva em uma Amazônia contemporânea, multicolorida e pop”.

Há dois anos, a atração vem sendo pensada entre as lideranças citadas e profissionais de Natura e RiR num diálogo permanente com diferentes atores da vida e cultura amazônicas.  “Estamos construindo uma experiência imersiva que fala de uma Amazônia contemporânea, com uma narrativa poética audiovisual, criada a partir de obras de artistas amazônidas brasileiros que pensam ativamente o agora, com imagens potentes, diversidade de linguagens e um projeto sonoro arrebatador. Não tenho dúvidas que o público será surpreendido”, afirma Roberta.

Vencer a polarização

Num cenário em que tudo passou a ser politizado – no bom e especialmente no mau sentido, com a falta de diálogo e trocas de mensagens raivosas entre as pessoas, além da disseminação de fake news nos meios digitais, como construir consenso em torno da importância de um assunto? Para Fernanda Paiva, justamente a partir do fato de que a Amazônia está acima dessas discussões e, sem ela, realmente não existe perspectiva de futuro. Não significa que no processo tudo será harmonioso: “Só a Natura, só os já engajados e ativistas em prol da Amazônia não serão suficientes. A gente vai ter que abrir o diálogo, realmente discutir e pensar caminhos possíveis. Acreditamos que na rota do diálogo tem fricções, mas das fricções podem emergir novas soluções e caminhos”. Ela acrescenta que a estratégia com a versão deste ano da Nave é fazer os visitantes passarem pelo campo da emoção, para, depois, racionalizar, fazer seus julgamentos ou ser influenciados por vieses e ideologias que cada um carrega consigo. Para a executiva da Natura, existem formas e formas de abrir esse diálogo num campo mais afetivo e construir empatia e um outro tipo de responsabilização a partir do se importar. “Por isso estar no RiR, um lugar em que as pessoas estão naturalmente mais abertas, a partir da arte como linguagem. Não vamos dar uma palestra, mas pegar pelo pulso de vida, pelo desejo de experimentar isso de novo. Nossa obrigação é criar um espaço de diálogo”, diz.

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