Essa camisa não te pertence

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Essa camisa não te pertence

Marcas pagam milhões para exibir seus nomes nos uniformes dos atletas, mas dentre estes alguns ainda não sabem respeitar os direitos comerciais dos patrocinadores


31 de maio de 2016 - 12h20

Depois do último e decisivo pênalti, Cristiano Ronaldo correu para a linha de fundo e arrancou a sua camisa. Posicionado estrategicamente em frente às câmaras de televisão, sua cena comemorando a vitória com os jogadores do Real Madrid foi vista por 200 milhões de pessoas ao vivo, reproduzida nas mídias sociais e virou capa de jornais mundo afora. Foi de longe a imagem mais importante da final da Liga dos Campeões da Europa.

Tudo muito merecido. Afinal, ganhar tal campeonato onze vezes não é para qualquer um. Na verdade, não é para ninguém. Só o Real Madrid conseguiu este feito.

A segunda imagem mais icônica da final foi a de Sergio Ramos, o capitão da equipe vencedora, levantando a taça na tribuna de honra, rodeado pelos seus companheiros. Ao seu lado, o brasileiro Marcelo fazia festa com a sua tradicional alegria baiana. Dois detalhes me chamaram a atenção: Ramos com uma camisa diferente do seu uniforme e Marcelo vestindo a sua ao contrário (com o número na parte da frente).

 

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Marcelo usa a camisa com o número virado para a frente, escondendo a marca do patrocinador

Enquanto isso em Dubai, o time de patrocínio da Emirates provavelmente assistia o que se passava na Europa com um misto de tristeza e frustração.

A companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, principal patrocinadora do Real Madrid, paga mais de R$ 100 milhões por ano para ter sua marca estampada nos uniformes. No momento mais importante da temporada, quando seu time ganha o campeonato mais importante do mundo, os jogadores decidem sequestrar os holofotes para autopromoção.

Quando Cristiano Ronaldo decidiu tirar sua camisa para promover seu ego, Sergio Ramos trocou seu uniforme por uma camisa promovendo sua família e Marcelo vestiu-a ao contrário para fazer graça, esconderam a marca da Emirates e custaram à patrocinadora alguns milhões de dólares em publicidade.

Se um dos times mais profissionais e alguns dos mais experientes jogadores do mundo não estão preparados para respeitar os direitos comerciais dos patrocinadores, quem estará?

Os jogadores do Real não foram os primeiros nem infelizmente serão os últimos.

Em uma comemoração ainda mais importante, há 14 anos, outro jogador brasileiro fez, na minha opinião, algo muito pior. Na final da Copa do Mundo da FIFA em 2002 o nosso então capitão Cafu, em um ímpeto criativo, achou correto escrever na sua camisa “100% Jardim Irene” para receber a Copa do Mundo na frente das câmeras do mundo todo.

O momento que não era dele, mas de todos os brasileiros, foi manchado pela sua vaidade. A CBF não fez nada. A FIFA também não. E vida seguiu como se nada tivesse acontecido. Eu ainda fico triste cada vez que vejo aquela imagem.

Por questões financeiras ou patrióticas, os atletas precisam entender que os uniformes que vestem não lhes pertencem. A Emirates pode não ter nenhuma cláusula em seu contrato com o Real Madrid, mas eu certamente terei nos que eu assinar daqui para frente.

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