A nova mentalidade de liderança em bando

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A nova mentalidade de liderança em bando

Estamos acostumados a sermos movidos emocionalmente por pessoas com paixão. É o que nos faz conectar a uma pessoa e o que nos persuade a segui-la


23 de julho de 2018 - 10h44

Créditos: RetroRocket/iStock

Investi grande parte do meu ano sabático estudando, pesquisando e entrevistando empreendedores, executivos e formadores de opinião sobre o futuro da liderança. O principal objetivo foi entender como os jovens à frente das organizações estão moldando o futuro, sempre com a meta de melhor entender como podemos preparar adequadamente as gerações que estão chegando, reduzindo as distâncias entre as lideranças de hoje e de amanhã.

Foram mais de cem entrevistas online, feitas com líderes e jovens em ascensão ao redor do mundo, sendo 26 executivos de empresas listados pela Fortune500. Do total de entrevistados, 60% eram mulheres e 40% homens, representando 21 nacionalidades e de 13 diferentes indústrias. As perguntas foram formuladas tendo em vista tal diversidade e aproveitando toda a riqueza possibilitada por ela, mas sempre tendo o papel da liderança como ponto de suporte.

Buscamos ainda nos aprofundar nos desafios da atual cultura de liderança nas empresas globais e em ações empreendedoras específicas de seus países. Apresento, a seguir, os principais temas, insights e aprendizados.

-Liderança é frequentemente confundida com gerenciamento: liderar requer esforço, dedicação e experiência. É mais fácil fazer sozinho e/ou microgerenciar do que delegar e empoderar.

Os líderes com frequência focam em seu crescimento pessoal em vez de pensar no desenvolvimento da equipe: a liderança de hoje está mais preocupada em vender seu próprio trabalho do que em explorar e maximizar o potencial de sua equipe.

-Uma cultura de uniformidade e homogeneidade gera mediocridade: diversidade cognitiva e de ideias é, sem dúvida, um dos valores principais na cultura de hoje e sua ausência diminui drasticamente o potencial de realização da sua equipe.

-Líderes podem se tornar obcecados por mudanças: quando líderes assumem uma nova equipe, pode se evidenciar um desejo de mudar como as coisas são feitas ou destacar o que precisa ser modificado. Mudanças desnecessárias podem impactar a autoconfiança de uma equipe.

-Liderança é uma paixão, não uma função de um título ou posto: seguir a paixão é um bom caminho, pois quando a paixão conduz é mais fácil inspirar uma equipe.

A partir disto, aprendemos para onde as coisas precisam ir:

-Uma cultura de colaboração é imperativa: colaboração e comunidade estão no coração da nova visão de liderança. As pessoas acreditam que aqueles que não conseguem infundir uma cultura de colaboração e demonstrá-la falham na função mais básica do seu papel de líder.

-Paixão, criatividade, transparência e clareza são as qualidades mais importantes em líderes, respectivamente: estamos acostumados a sermos movidos emocionalmente por pessoas com paixão. É o que nos faz nos conectarmos com uma pessoa e o que nos persuade a segui-la.

-Líderes verdadeiros outorgam poder: liderança significa conceder poder à sua equipe para que saibam como agir quando o líder não estiver presente.

Se quisermos preparar e dar crescimento à nova geração de líderes, precisamos inspirá-los a ter a confiança de sua própria voz. Liderança é uma qualidade que pode ser cultivada — não é necessariamente algo que venha de fábrica.

Então, como incentivamos o potencial de liderança em alguém? Precisamos criar um ambiente que recompense a tomada de riscos e celebre o aprendizado ágil. Liderança é um teste de resolução e perseverança. Numa mentalidade que outorgue poderes, podemos preparar a próxima geração a decidir com mais qualidade.

Para concluir, o que de melhor tiramos desse estudo foi a necessidade de uma mentalidade colaborativa, e as mudanças que precisam acontecer para que os líderes sejam seres sociais por definição. Isto os torna mais capazes de construir uma cultura de comunidade que inspire e delegue poderes a seus membros, sempre por meio da diversidade de pensamento. Ao alcançar essas metas, o verdadeiro líder aproveita plenamente o potencial de sua equipe.

 

*Crédito da imagem no topo: FangXiaNuo/iStock

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