“A agência que não sabe de nada”

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“A agência que não sabe de nada”

Novo modelo de trabalho não vai existir


22 de maio de 2019 - 18h54

(Crédito: Rawpixel/Pexels)

Parece título de livro de fantasia medieval, mas é como eu resumo um dos grandes encontros promovidos pelo ProXXIma 2019. Durante o painel de debates entre Fernando Musa (Ogilvy) e Hugo Rodrigues (WMcCann), inspirado pelos modelos das startups, o moderador questionou sobre a estrutura das agências. Ambos contaram suas experiências sobre a desconstrução e reconstrução da metodologia de trabalho, e em meio a trocas saudáveis de cutucadas, Hugo brincou que o slogan de ambas as agências deveria ser “A agência que não sabe nada”, ilustrando o desapego às certezas.

Minha leitura de toda essa discussão e muitas outras que tenho acompanhado, e gerado, é que o modelo “certo” ou o “ideal” tem um curto prazo de validade atualmente. Vou explicar o porquê pegando emprestado algumas palavras do Musa: “Temos que parar de buscar o método ideal e solucionador de todos os problemas para colocar no livro do ‘novo modelo da publicidade’ porque ele não vai existir!”

O mundo não vai mudar mais devagar daqui para frente. A obsolescência de qualquer modelo definitivo tem impactado diretamente o resultado de grandes companhias do nosso mercado, dando abertura para empresas menos “definidas”.

Quando a publicidade nasceu, existia um ou dois jeitos de fazer as coisas, hoje nasce e morre no mesmo dia, um jeito diferente de se fazer algo. Tanto agência quanto anunciante sofrem com essa inconstância. Cada um fala uma coisa, prega um desenho e aplica de um jeito. Isso dificulta o próprio trabalho de integração entre agências em um mesmo cliente.

Em um certo ponto, esse movimento favoreceu agências digitais que sempre responderam para agências offline e, assim, tinham que se moldar e adaptar à vários processos, o que criou uma metodologia fluída. Muito mais que um modelo, o mindset de que a única certeza é a mudança, é o que tem feito novos modelos de negócios prosperar.

Quando as agências começaram a ser procuradas para não só resolver problemas de comunicação, mas também de negócios, qualquer modelo não flexível e adaptável está fadado ao fracasso, principalmente quando temos desafios diferentes, clientes sem nada em comum, tamanho, equipe e metas distintos tudo precisa ser ressignificado e adaptado.

Roberto Martini, da Flag.cx, possui uma icônica frase sempre dita em suas palestras que reflete bem o espírito do tempo que vivemos: “Mudar não é mais uma opção”. E em um tempo onde buscamos uma zona de conforto em meio a tantas incertezas, acabamos encontrando uma folga onde todos clamam por uma resposta de uma pergunta que às vezes esquecem qual é.

Para fechar, trago um trecho de um icônico discurso do Bruce Lee: “Be water my friend”.

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