Que época para se viver!

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Que época para se viver!

Já imaginou encontrar pela rua Michelangelo, Leonardo da Vinci, Botticelli e Rafael, e ler um livro na biblioteca ao lado de Martinho Lutero? Por João Livi


22 de julho de 2019 - 14h57

“Imagina tomar um café da manhã no mesmo dia em que a Monalisa recebia sua última camada de tinta!”, João Livi (Crédito: Pixabay)

Imagine um mundo conectado, com novos conceitos pipocando vertiginosamente e tecnologias mudando tudo o tempo todo?

O hoje é incrível, mas estou falando do final do século 15 na Europa.

Enxergar esta época em uma perspectiva histórica é um privilégio tão grande quanto será, daqui a 200 anos, estudar o início do século 21.

Para começar, você nascia no mesmo continente, e estava vivo ao mesmo tempo que os reis católicos Fernando e Isabel, os maiores financiadores da expansão geográfica do mundo conhecido. Podia cruzar aqui e ali com Pedro Álvares Cabral, Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Américo Vespúcio e uma série de pioneiros destemidos.

Se gostasse de arte, podia ver um Michelangelo ou um Leonardo da Vinci. Não em um museu, mas “em pessoa”, numa rua de Florença ou Milão. E tinha Botticelli, Rafael Sanzio, Ghirlandaio e muitos outros. Imagina tomar um café da manhã no mesmo dia em que a Monalisa recebia sua última camada de tinta!

Henrique VIII, o rei inglês que rompeu com Roma e fundou sua própria religião, a anglicana, estava passando por lá também — o traquinas — e mais tarde daria a si mesmo o extravagante título de “Chefe Supremo da Igreja da Inglaterra no Mundo”.

Rodrigo Bórgia, que virou papa e série do Netflix, estava nas redes sociais da época. Aliás, que sensação hein, viver num mundo em que os livros impressos estavam democratizando o conhecimento. Pegar um livro e ler em uma biblioteca, ao lado de um tal de Martinho Lutero, que estava também escrevendo um pedaço da história. Ou de Erasmo de Roterdã, outro reformador da igreja e dos costumes.

— Ô, João, tá indo aonde?
— Vou lá na praça que um tal Savonarola vai falar, parece que o cara manda bem.
— Vou com você, então depois a gente toma uma cerveja.

Copérnico estava vivo, e a Terra oficialmente deixava de ser plana. A expressão “Para o Mundo que eu Quero Descer” deve ter sido criada naqueles dias.

Claro, tudo tem seu lado obscuro.

Tinha Cesar Bórgia, filho de Rodrigo, um príncipe sem caráter, sanguinário e injusto.

Sim, rolava um assunto desagradável lá, uma tal de Inquisição. Tinha um tal de Tomás de Torquemada que era complicado, gostava de queimar as pessoas vivas. Metade do planeta tinha sífilis. Não existia antibiótico, nem Afrin. Todo verão rolava epidemia de malária. E Maquiavel, que já era maquiavélico desde criancinha, ensinava, inclusive com a ajuda da revolucionária imprensa, a subir na vida pisando no pescoço dos outros.

Tá, tudo bem. Não era perfeito.

Mas eram só 60 milhões de pessoas naquele pedação de terra, não tinha VAR e o trânsito era ótimo. Qualquer época da humanidade é pródiga em acontecimentos. Mas é difícil bater a pré- Renascença em termos de gente interessante, conceitos inovadores, invenções e descobertas. Um intervalo mágico de uns 50 anos em que o mundo começou a mudar radicalmente, e que desencadeou num hoje igualmente impressionante.

*Crédito da foto no topo: Pixabay

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