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Atenção senhores passageiros

A máquina do tempo já existe e se chama internet: com ela, os usuários têm que aprender a minerar as informações que desejam receber


5 de agosto de 2019 - 8h38

(Crédito: Avi Richards/Unsplash)


Sempre gostei de histórias de mundos paralelos. Como a ideia de que a partir de uma escolha que a gente faça, passe a existir outra história em outra dimensão. Isso não existe além da minha imaginação e da de contadores de história como Warren Beatty e Buck Henry, que dirigiram O Céu Pode Esperar — que já é uma releitura de A Matter of Life and Death, de 1946, contado por Michael Powell. Eu assisti Em Algum Lugar do Passado tantas vezes na infância que sabia os diálogos de cor. E todo mundo assistiu a Back to the Future, inclusive à turma de Stranger Things enquanto se aventura pelo mundo invertido no mesmo ano de 1984.

A ficção é sempre uma delícia, mas a verdade é que nunca estivemos tão próximos de viver tempos paralelos como hoje. O Twitter me conta que o governo quer suspender o uso da cadeirinha para crianças. Volto a 2008. Depois vou para os Estados Unidos, onde robôs já aprenderam a jogar, com humanos desenvolvendo estratégias cooperativas. Com isso, além de jogar, já, já a inteligência artificial vai conseguir trabalhar em equipe para fazer desde carros autônomos até assistentes robóticos que ajudarão em cirurgias. O app da escola da minha filha avisa: vai haver vacinação contra sarampo. Sarampo? Back to the past. O jornal inglês The Times cria com a agência Rothko, da Accenture Interactive, o “JFK Unsilenced”, que reproduz o discurso que o presidente americano John Kennedy faria se não tivesse sido morto.

Aqui, o passado e o futuro se misturando. Enquanto isso, no WhatsApp só se fala sobre a volta dos anos de chumbo no Brasil, com censura à imprensa e a comerciais. Tudo em segundos, de acordo com o que eu escolher na minha máquina do tempo, que é a internet. Com ela dá para saber tudo que está acontecendo, aconteceu e muito do que acontecerá, dependendo de onde você pesquisar. E isso muda tudo.

Tem gente que segue o passado, o atraso, o “quanto pior, melhor”, as fofocas, o azul para homens e rosa para mulheres, as news que ninguém verifica se são fake. E esquece que pode viajar para universidades, para escolas, para concertos, para startups, para descobrir novos modelos, novos comportamentos, para novas soluções, novas produções, novas profissões da nova economia.

Assim como as empresas precisam minerar dados, escolher as informações para oferecer algo relevante para os consumidores, os consumidores têm que aprender a minerar a qualidade da informação que querem receber e trocar. Eles podem aumentar ou diminuir a ignorância, o preconceito, os avanços. A máquina do tempo está aí. Funciona na Índia, na Suíça, nos Estados Unidos, no Brasil, no mundo todo quase sem fronteiras. Resta saber para onde você quer ir e com quem.

*Crédito da foto no topo: Reprodução

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