Sobrevivi cinco anos investindo em startups. E agora?

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Sobrevivi cinco anos investindo em startups. E agora?

Se você perceber grandes barreiras para o sucesso, saia do negócio enquanto houver tempo, ainda que possa haver prejuízos


3 de setembro de 2019 - 12h41

(Crédito: iStock)

Só de imaginar que não vemos o iceberg completo, fica a certeza de que estamos diante de algo complexo. Porém, apesar do desconhecido, investidores e empreendedores, de hoje e do futuro, estão cada vez mais aptos a identificar facilmente ideias básicas e simples, mas que são oportunidades bilionárias.

Hoje, toda a cadeia produtiva procura investir em startups, seja para criar unicórnios ou para se modelar na gestão delas, gerando mais agilidade e competitividade nos segmentos em que atuam. Nesses últimos cinco anos, errei muito. Porém, aprendi a estudar as falhas para errar menos, pois sem erros não existem ideias de quatro, cinco ou seis dígitos.

Os erros básicos são os piores, pois você já sabe que vai errar. Mas prefere ter a certeza para jamais cometê-los. Eu havia escutado o termo síndrome de Midas de um grande investidor, mas inicialmente não levei a sério, fui teimoso, até sentir na pele o que realmente significava. Essa síndrome me atingiu logo no início, quando eu e meus sócios na época vendemos a nossa primeira startup. Sim, a Elemidia foi uma startup que recebeu aporte de um fundo de investimento americano após três anos de existência. Com nove anos, foi vendida.

Quando se acerta bonito, fica claro na mente que as chances de sucesso são maiores que as chances de falhas, o que te coloca no caminho da tal síndrome. Afinal, transformar tudo em ouro não significa ter uma vida plena. A minha sorte foi ter sido instruído a tempo para sair antes que pudesse me dominar.

Entrar em ideias ainda no papel foi outro erro bizarro que cometi. Primeiro, pela premissa de que, como sabemos, o papel aceita tudo. Segundo, por depositar confiança nas pessoas envolvidas e acreditar mesmo que elas poderiam fazer o negócio voar. Não acredito mais! Ultimamente, só me interesso por negócios que já estejam faturando, independentemente do valor, mesmo que seja apenas R$ 1. O importante é ter um faturamento.

Outro ponto equivocado é insistir em algo que não vai dar certo. No entanto, nesse caso, temos que ter um equilíbrio, pois existem muitos negócios que se tornaram unicórnios com mais de cinco anos, às vezes, dez anos de existência, com baixíssima receita, mas que, de repente, decola.

Se você perceber grandes barreiras para o sucesso, saia do negócio enquanto houver tempo, ainda que possa haver prejuízos. Realizar um prejuízo no mundo das startups, muitas vezes, é considerado um sucesso, pois a perda pode ser menor do que algo que poderá evaporar e ainda lhe deixar dívidas.

Paz societária é um ponto vital que aprendi a buscar em todos os investimentos. Não adianta ter um bom negócio e se envolver com sócios difíceis que perdem mais tempo com coisas simples do que se dedicam com humildade, caráter e, principalmente, sem burocracias.

Uma startup precisa de processos simples que vão se modelando à cultura e ao negócio. Jamais podem ter burocracias. Por isso, temos que ter muito cuidado e conhecer bem com quem vamos nos associar para não cair em uma armadilha.

Visando mitigar alguns destes problemas, elaborei uma metodologia de aprendizado que chamo de “hold up”. Esse método analítico que envolve diferentes estruturas das startups, processos experimentais e racionais promove uma investigação mais completa, seja para descobrir um resultado, seja para se obter um fim que é almejado. Isso tem me ajudado a resistir como investidor, minimizando as chances de perder meu capital e potencializando a decisão pelo melhor negócio.

Estou no momento “hold up” ao qual sobrevivi investindo em startups, o que me leva a pensar que tudo vem com o desafio do risco viciante. Por isso, afirmo que a busca pelos unicórnios sempre continuará, seja como venture builder ou venture capital. O importante é nunca perder a perseverança. Resista e invista, mas não insista nos erros.

*Crédito da foto no topo: Reprodução 

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