A queda do Império Romano

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A queda do Império Romano

Futuro do setor deverá seguir o caminho da fragmentação


29 de junho de 2020 - 12h53

(Crédito: Reprodução)

Recentemente, em uma live entre Marcello Serpa e Hugo Rodrigues, dois dos caras mais admirados da nossa indústria, entrou em pauta o quanto a tecnologia está sendo disruptiva. Hugo até comentou e brincou que “sempre elogiamos e achamos bacana quando surgem Uber e Airbnb, mas, quando chegam ao nosso negócio, o cenário muda”. Serpa, então, contou que conheceu uma plataforma que conecta marcas a parceiros especialistas nas diferentes áreas da Comunicação e que achava que ela poderia “matar” o modelo de negócio no qual se fez e sempre acreditou. E, ao comparar o atual momento da nossa indústria com a queda do Império Romano, Serpa disse que o futuro do setor deverá seguir o mesmo caminho: da descentralização, da fragmentação.

Entendo que novos modelos de negócios devem ser vistos como alternativas, e não como ameaças ao já existentes. Especialmente, no pós-Covid-19, mais do que importantes, são necessários.

Muitos falam no “novo normal”, mas o fato é que as mudanças já vinham ocorrendo nos últimos anos, e de forma acelerada. A pandemia, que impôs mudanças às nossas rotinas pessoas e profissionais, tratou de intensificar o ritmo dessas transformações. Na nossa indústria, não tenho dúvida, a fragmentação será ainda maior. Por vocação ou por necessidade, teremos uma nova geração de empreendedores.

Muitos profissionais já vinham trilhando o caminho de serem donos de suas agendas, de fazerem a coisa do seu jeito, de experimentarem um novo modelo de vida. Agora, diante de um cenário tão complexo, com a crise impactando a economia global e com o desemprego em alta, é preciso estar atento (e aberto) às novas possibilidades. Humildade é a palavra chave para os tempos de incerteza que enfrentamos e, portanto, para aceitar que ninguém sabe o que realmente acontecerá.

Por enquanto, podemos assegurar que a Covid-19 foi responsável por significativa transformação digital. Muitos profissionais e muitas empresas tiveram que se render ao digital e a aprender a lidar com ele da melhor forma que foi possível. Na China, no início dos anos 2000, depois de enfrentar a SARS, o país acelerou o seu crescimento digital. Fred Trajano, CEO da Magalu e reconhecido com um dos maiores especialistas no mundo online, em recente artigo, escreveu que somente a digitalização poderia salvar a economia brasileira do novo coronavírus.

Na nossa indústria, não será diferente. As plataformas já existentes podem ser a saída para muitos profissionais que terão que dar um novo rumo a suas carreiras, freelando ou empreendendo. Elas conectam pessoas, mesmo que essas representem empresas. Mesmo em um mundo altamente acelerado pela tecnologia, os clientes buscam relações pessoais.

Assim, se você está paralisado com tudo o que está acontecendo, se sentindo sem rumo, provavelmente ainda não parou para pensar que alguma relação construída ao longo de sua carreira possa ser o gatilho para um novo projeto. Você, que é criativo, já perguntou para um de seus ex-clientes se ele não quer trabalhar novamente contigo no estúdio que você poderá montar? Você, que sempre foi atendimento, já perguntou para um ex-cliente se ele não gostaria que você gerenciasse suas necessidades centralizando um trabalho em rede?

Não tenho a menor dúvida que muitos responderiam sim, e você começaria a empreender.

Assim como aconteceu com a queda do Império Romano, o mundo não será mais o mesmo pós-pandemia. Em Roma, coube aos bárbaros darem o golpe no Império, e reconstruir algo novo sobre as ruinas daquela civilização. A história atual está sendo escrita e o que fizermos agora definirá quem serão os vencedores desta nova era. Desconfio que aqueles que se adaptarem mais rapidamente com menos certezas chegarão lá. Será?

*Crédito da foto no topo: iStock

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