Governança corporativa na era digital

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Governança corporativa na era digital

Adoção de novas práticas e abordagens torna-se crucial para gerar valor para marcas em época marcada por incerteza e complexidade


28 de setembro de 2020 - 10h28

(Crédito: Reprodução)

A governança corporativa tradicional está sob ameaça. Durante muito tempo, governança foi sobre incentivos e controles para fazer com que as pessoas tomassem as melhores decisões para gerar o maior valor possível para as organizações. Essa é uma visão tradicional que precisa ser atualizada para ir além do aspecto de eficiência e rentabilidade e integrar novas práticas que vão permitir que as empresas prosperem num ambiente onde a única constante é a mudança.

O que vivemos nos últimos anos foi a validação da Lei de Moore, teoria que dizia que a velocidade dos computadores dobraria a cada 18 meses. Hoje, já estamos nos preparando para uma nova fronteira tecnológica: a computação quântica, com sua incrível capacidade de realizar simulações complexas num tempo inimaginável para os dias atuais. Ainda estamos longe de entender a exata dimensão dos impactos que a chegada da computação quântica trará para as nossas vidas, para os negócios, para a ciência e o progresso. Entretanto, não restam dúvidas de que ela será exponencial.

E o que governança corporativa tem a ver isso? Tudo! As empresas que forem incapazes de acompanhar a velocidade das mudanças que vamos experimentar nos próximos anos dificilmente sobreviverão. A qualquer momento, uma inovação como blockchain, inteligência artificial ou realidade virtual pode mudar definitivamente os negócios, mesmo para os líderes globais consolidados. Portanto, na era digital, o processo deliberativo tradicional, que sempre marcou a governança corporativa, precisa incorporar práticas trazidas pelos avanços tecnológicos.

Entre as novas práticas de governança que vão gerar mais valor e sustentabilidade para o negócio neste ambiente de grande volatilidade está, em primeiro lugar, a capacidade de montar times diversos. Os desafios que vamos enfrentar daqui para frente (e a pandemia da Covid-19 nos mostrou claramente isso) serão cada vez mais complexos e a diversidade contribui para estimular a inteligência coletiva que nos prepara melhor para enfrentar essas questões. Entretanto, diversidade sem colaboração não gera resultado. É aí que entra uma segunda prática importante para os dias de hoje: a capacidade de trabalhar de forma colaborativa. Quando times diversos colaboram há uma “tensão” criativa que, invariavelmente, traz melhores soluções e resultados. Precisamos, ainda, considerar que as pessoas colaboram melhor e trazem mais inovação se têm autonomia para tentar e, sobretudo, não têm medo de errar. A terceira prática dessa nova governança passa, então, por criar um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para experimentar, cometer erros e corrigir rapidamente, sem perder tempo procurando culpados. Por fim, é fundamental mencionar a necessidade de se manter sempre atualizado sobre as novas tecnologias, incluindo-se aí, além das já mencionadas, o domínio das redes sociais. Há alguns anos, levava-se dois ou três dias para um tema vir a público; hoje, leva dez minutos ou menos. É urgente que os profissionais sejam capazes de entender e alavancar essas novas ferramentas em prol dos seus negócios.

A governança corporativa está passando por uma grande transformação. Romper com os velhos modelos é uma questão de sobrevivência. Neste contexto, a adoção de novas práticas e abordagens, que passam por equipes mais diversificadas e colaborativas, pela criação de um ambiente de experimentação e tolerância ao erro, e pelo domínio das novas tecnologias, torna-se crucial para gerar mais valor e sustentabilidade para as empresas numa época marcada por cada vez mais incerteza e complexidade.

*Crédito da foto no topo: Novendi Dian Prasetya/iStock

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