Saúde mental como prioridade

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Saúde mental como prioridade

A liderança terá papel fundamental na construção de ambiente de trabalho mentalmente saudável


12 de janeiro de 2021 - 13h06

(Crédito: Ajijchan/ iStock)

Vou dedicar o primeiro artigo deste novo ano a um tema que deve estar obrigatoriamente na pauta central de qualquer empresa que deseje atrair e reter seus talentos e prosperar no mundo contemporâneo: a saúde mental.

A incerteza gera ansiedade e estamos vivendo tempos incertos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019 já apontavam o Brasil como o país mais ansioso do mundo: 9,3% da população sofrem de transtorno de ansiedade, quase o triplo da média mundial. Em 2020, a OMS previu que as doenças mentais seriam as mais incapacitantes do mercado de trabalho, já que cerca de 45% das pessoas com depressão não são diagnosticadas e não recebem tratamento adequado. Elas vão trabalhar todos os dias, estão lá de corpo presente, mas produzindo aquém de sua capacidade habitual.

Durante a pandemia, esse cenário se agravou como consequência da necessidade de as pessoas lidarem, simultaneamente, com fatores muito estressantes: o isolamento e a solidão, o adoecimento ou a dor da perda de pessoas queridas, o medo da contaminação, a ansiedade em relação ao futuro, a perda do emprego ou a sobrecarga causada pelo dever de trabalhar e cuidar dos filhos. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos em 16 países, o Brasil (41%) é o país que mais tem pessoas que sofrem com ansiedade por causa da pandemia, seguido do México (35%) e Rússia (32%).

Ao longo dos próximos meses, as empresas terão que seguir reinventando seus espaços e rotinas, atualizando suas políticas e ferramentas e, principalmente, garantindo a segurança emocional de seus colaboradores para as distintas realidades que se apresentarão, como a necessidade do trabalho presencial ou a possibilidade de trabalho remoto integral ou parcial. Em todos os cenários, a saúde mental precisará estar presente na agenda da liderança, ao lado de temas como sustentabilidade, diversidade e inclusão, já que ansiedade, depressão, esgotamento, trauma e outros transtornos continuarão impactando as vidas pessoais e profissionais dos funcionários.

A liderança terá um papel fundamental na construção de um ambiente de trabalho mentalmente saudável, gerando impacto positivo nos negócios, nos colaboradores e na sociedade. O primeiro passo para isso é a conscientização. A saúde mental não pode ser tratada de forma reativa; é preciso entender que ela é a base para termos pessoas engajadas e uma cultura fortalecida. Criar um ambiente de segurança também é fundamental: o líder deve promover conversas sobre saúde mental, contar sobre suas próprias dificuldades e ouvir de forma genuína o que está sendo falado a fim de quebrar o estigma e os mitos em torno do tema. Essa abertura ao diálogo acaba sendo fonte de novas ideias que podem influenciar as políticas e práticas da empresa. Outra recomendação diz respeito à comunicação: o líder deve ter certeza de que o time tem todas as informações sobre o que a empresa oferece na área de saúde mental, bem como incentivar o acesso aos serviços e ferramentas. Por fim, é fundamental medir o progresso: uma pesquisa de pulso feita com regularidade ajuda a mapear como as pessoas estão se sentindo e pode trazer contribuições importantes para moldar novos programas e práticas.

A saúde dos nossos times é fundamental para a criação de valor a longo prazo; é preciso elevá-la como uma prioridade estratégica e entender seus impactos nos resultados da empresa e, também, na comunidade em que estamos inseridos. É certo que o bem-estar físico e mental se traduz em mais performance, produtividade e lealdade da força de trabalho. Mas, acima de tudo, quem lidera deve se atentar a cada colaborador como pessoa.

Desejo a todos um 2021 mais leve e com muita saúde (física e mental)!

*Crédito da foto no topo: iStock

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