O melhor conselho que já recebi

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O melhor conselho que já recebi

Experimente pedir orientações para pessoas mais experientes do que você e depois me conte o que aconteceu


26 de janeiro de 2021 - 13h08

(Crédito: Oatawa/ iStock)

De cada dez executivos que conheço, onze querem ser conselheiros. Para quem não conhece este mundo, explico: o que eles querem não é ser um “ombro amigo”, mas ocupar uma cadeira (bem) remunerada em uma grande empresa no seleto grupo de pessoas experientes que dão o direcionamento à diretoria. Sim, grandes corporações têm essa “liga da Justiça”, um grupo de notáveis que fica hierarquicamente acima do CEO. Na verdade, em muitos casos, essa é uma obrigação. O mercado exige que certas empresas tenham essa governança. Mas há uma porção de negócios que escolhe ter conselheiros por livre vontade. Uma rápida “googlada” vai te mostrar que isso pode contribuir com independência nos direcionamentos, acuracidade das informações e um processo diverso de tomada de decisões. Mas, se eu tivesse que resumir a razão pela qual os conselhos existem em uma simples expressão, diria: eles estão lá para ajudar as empresas a errar menos. E como essa não é uma tarefa fácil, esses boards são formados por pessoas sêniores, especialmente convidadas para esta missão.

Mas vamos dar uma pausa nas ambições pessoais dos chief-qualquer-coisa-officers para uma rápida filosofada. Você já parou para pensar que até companhias gigantescas que contratam os melhores profissionais e têm muito dinheiro se utilizam de um grupo pequeno de pessoas experientes para aconselhá-las? Veja bem: essas empresas têm acesso às tecnologias mais avançadas, bons relacionamentos, muito conhecimento, informações completas de mercado e capacidade de alocar recursos onde quiserem. Mas, ainda assim, formam um comitê especial que existe apenas para diminuir sua chance de errar.

Quanto vale uma orientação certa na hora certa? Um chacoalhão quando estamos equivocados? Um questionamento que nos tira da zona de conforto? Uma dica visionária que antecipa movimentos não óbvios do mercado? Essas empresas sabem disso.

E foi reparando nesse fato que um dia me perguntei: e eu? O que estou fazendo para errar menos na minha vida?

Pode parecer evidente, mas não acho que é. Quando estou com dor no braço, consulto um ortopedista. Quando preciso de uma campanha de marketing fantástica, falo com a agência. Mas, e quando estou com uma dúvida sobre um problema de negócio difícil? Ou com uma questão familiar? Com dificuldades nas minhas finanças pessoais? Ou com dilemas existenciais?

É impressionante a quantidade de gente por aí decidindo coisas importantes baseada na opinião do vizinho, nas frases motivacionais de perfil no Instagram ou nos recadinhos que vêm dentro do biscoito chinês.

A maneira mais fácil de resolver um problema é pedindo ajuda para quem é especialista em solucionar esse tipo de questão. É por isso que as grandes empresas têm conselhos.

Experimente pedir orientações para pessoas mais experientes do que você e depois me conte o que aconteceu. Toda vez que faço isso, termino a chamada com tantas boas ideias na cabeça que me culpo por não ter feito antes.

No nosso mercado, valorizamos muito o pensamento original. Nossa cultura, ego e criatividade nos incentivam a pensar que somos capazes de resolver qualquer problema sozinhos. Parece até que pedir ajuda é uma demonstração de fraqueza. Que visão limitada. Na multidão de conselhos é que está a segurança.

Vou além. Já pensou em formar um “conselho” para a sua vida? Isso mesmo, um grupo especial que você pode consultar quando precisar tomar decisões difíceis ou checar se está tudo bem.

Estamos começando um ano imprevisível. As bolas de cristal tiraram férias e vamos ter que navegar com visibilidade limitada por um tempo. São condições “anormais” de temperatura e pressão. Mas ideais para criar uma rede de proteção com boas opiniões, dicas e orientações. Você não precisa seguir todas elas. Mas tenho certeza de que ouvi-las vai te ajudar mais do que imagina. E te preparar ainda mais para ser um bom conselheiro no futuro.

Termino deixando de presente o melhor conselho que já recebi: peça bons conselhos.

*Crédito da foto no topo: iStock

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