Ainda vale a pena insistir

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Ainda vale a pena insistir

Todos os eventos da última década tiveram desafios que pareciam insuperáveis, mas no final aconteceram


24 de maio de 2021 - 13h22

Crianças celebram o momento da divulgação dos mascotes (Créditos: Koki Nagahama/Getty Images)

No dia 7 de setembro de 2013 eu estava em Buenos Aires, Argentina, participando da 125ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional. Na época, eu trabalhava na Visa, liderando o time global de patrocínios, em São Francisco, Califórnia.

Aquela não era uma reunião comum, pois na sua agenda constavam duas decisões históricas.

A primeira era a escolha da sede das Olimpíadas de Verão de 2020. A disputa era entre Madrid, Istambul e Tóquio.

Depois de duas rodadas de votação, Tóquio e Istambul foram escolhidas para disputar a final. A votação era secreta, mas o anúncio estava aberto para alguns convidados. Eu tive a sorte de ser um deles.

Em uma sala de reuniões no subsolo do Hilton Hotel Buenos Aires, as duas delegações estavam ansiosas pela decisão. Haviam trabalhado por anos para aquele momento. Torcedores esperavam atentos nas duas capitais do outro lado do mundo para as celebrações da vitória.

Quando as luzes se apagaram e o vídeo de Istambul apareceu no telão, a delegação turca explodiu em alegria e comemorações. Mas a alegria durou bem pouco. Segundos depois, os executivos do COI interromperam a festa avisando que aquilo era apenas um vídeo apresentando as finalistas e não a decisão do vencedor. Logo em seguida, respeitando a ordem alfabética, passariam o vídeo de Tóquio.

Quando o envelope com o nome do vencedor foi finalmente aberto pelo Presidente Jacques Rogge, quem fez festa foram os japoneses.

Todos os patrocinadores ficaram felizes com a escolha. Sendo o Japão um mercado tão importante para todas as multinacionais, tê-lo como sede era garantia de sucesso comercial para as marcas associadas ao COI.

Poucos dias depois, veio a segunda eleição igualmente importante: a escolha do nono Presidente do Comitê Olímpico Internacional.

Ao todo eram seis candidatos, mas somente dois eram realmente competitivos: o alemão medalhista Olímpico da esgrima Thomas Bach e o Porto-riquenho banqueiro e executivo Richard Carrión.

Se Bach, Carrión e os outros quatro candidatos soubessem os desafios que o futuro presidente enfrentaria nos anos seguintes, talvez repensassem suas candidaturas. Mas em 2013, naquela tarde primaveril argentina, o clima não poderia ser mais positivo.

Foi nesse clima que Thomas Bach foi eleito para liderar um dos períodos mais turbulentos da história olímpica.

Primeiro vieram os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia, em 2014. A construção dos hotéis foi concluída minutos antes de a pira Olímpica ser acesa. Isso sem falar da invasão russa na Ucrânia logo após o fim do evento.

Dois anos depois, no Rio de Janeiro, Bach e seu time tiveram que trabalhar em triplo para fazer os Jogos acontecerem. Não fora a intervenção dos suíços, as Olimpíadas teriam sido canceladas algumas semanas antes da data marcada.

Em 2018, em PyeongChang, na Coréia do Sul, a ameaça nuclear dos vizinhos norte-coreanos era iminente até poucos meses antes do evento. Graças à intervenção do COI, na última hora houve um acordo que levou as duas vizinhas, que estão em conflito desde 1953, a formarem uma só delegação.

Todos imaginavam que depois de 2018, tudo seria muito mais fácil. Com Tóquio, Pequim, Paris, Milão-Cortina e Los Angeles já escolhidos como sedes até 2028, os executivos do COI poderiam finalmente respirar em paz.

Até que em 2020, o vírus chegou, o mundo parou, as prioridades mudaram e todos os eventos esportivos – inclusive as Olimpíadas – foram adiados para 2021. Agora, há semanas do início dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020+1, ainda tem muita gente questionando se eles realmente acontecerão.

Sei que o COI fez tudo o que podia para que os Jogos acontecessem da melhor forma possível. À exceção de alguma catástrofe (escrevo batendo três vezes na madeira), teremos Olimpíadas sim. Afinal, além de entender muito de esporte, o COI também é especialista em gerenciamento de crises.

Todos os eventos da última década tiveram desafios que pareciam insuperáveis, mas no final aconteceram. Em todos eles, teria sido mais fácil desistir. Graças à persistência dos organizadores locais e do COI, o esporte ganhou e pôde mostrar para todo o mundo porque, mesmo nas horas mais difíceis, vale a pena insistir. Esse ano não será diferente.

*Crédito da foto no topo: Koki Nagahama/Getty Images

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