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Em estado de emergência e sem torcida, Tóquio 2020 é desafio tecnológico e humano para atletas, marcas e mídia viverem e narrarem histórias de superação


19 de julho de 2021 - 13h34

(Crédito: Lintao Zhang/ GettyImages)

Após o adiamento de um ano, nesta sexta-feira, 23, em estado de emergência na cidade, o Estádio Nacional de Tóquio, sem a presença de torcedores, será palco da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. A data no logo, mantida na marca oficial para evitar prejuízos financeiros com os produtos licenciados que já estavam no mercado, talvez seja o único item remanescente do planejamento original.

Concebida para ser a edição mais inovadora da história, evidenciando a faceta tecnológica do país asiático, a Olimpíada poderá ser lembrada como os Jogos da Recuperação. A realização desta edição do evento e a superação dos atletas após uma temporada turbulenta e pandêmica, pode ser eternizada como um símbolo do combate da humanidade ao novo coronavírus — guerra ainda longe de estar vencida.

O Japão é benchmark de recomeços. Em 1964, quando Tóquio recebeu os Jogos Olímpicos pela primeira vez, o país mostrou sua capacidade de reconstrução ao receber o mundo menos de 20 anos depois da explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, na Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, coube a Yoshinori Sakai, então com 19 anos, que havia nascido em 6 de agosto de 1945, em Hiroshima, poucas horas depois da explosão da bomba, acender a pira no Estádio Olímpico. Em 2021, em outro elemento simbólico, para mostrar a recuperação da área, o revezamento da tocha olímpica teve início em Fukushima, dez anos após o terremoto que destruiu a região.

A filosofia olímpica utiliza o esporte como instrumento para a promoção da paz, da união e do respeito por regras e adversários. Diferenças culturais, étnicas e religiosas são celebradas a cada quatros anos nos estádios, ginásios e demais arenas de competição. Sem público, no entanto, essa atmosfera única não existirá, assim como os espaços para ativação dos patrocinadores. O Fan Park e a Fan Arena, que receberiam atividades comerciais e de iniciação esportiva, estarão fechados para os torcedores.

Além de honrar os bilionários compromissos comerciais, a manutenção dos Jogos Olímpicos mantém vivo o sonho de milhares de atletas que, muitas vezes, têm apenas uma chance, na breve carreira, de disputar uma Olimpíada no auge da forma física e mental. Na atual preparação, enfrentaram a perda de familiares e amigos para a Covid-19, treinamentos improvisados em casa, a ausência de torneios preparatórios e mesmo o fim de contratos de patrocínio (que costumam coincidir com o período do ciclo olímpico).

O investimento em times de atletas, inclusive, ação recorrente na estratégia de marcas parceiras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e mesmo de não patrocinadores da entidade, ganhou novos contornos com o cenário do atual ciclo, num reforço do compromisso com o esporte e com os atletas. Também é uma forma de ativar o evento quando ações presenciais não são viáveis. Mais do que nunca, o marketing será desafiado a gerar engajamento e proporcionar experiências memoráveis no universo digital.

Mas se o público não poderá testemunhar essas jornadas de superação in loco, histórias para compartilhar não faltarão. Nesse ponto, a mídia também precisará se reinventar para transmitir todas as emoções das glórias e dos fracassos esportivos diante das limitações impostas pelo cenário: redução da equipe de profissionais no país-sede, do acesso do time aos espaços de competição e centros de treinamento e da locomoção pela cidade. A tecnologia terá papel fundamental, assim como o toque humano.

Na Grécia Antiga, o objetivo da Olimpíada era promover trégua entre cidades-estados. Em 125 anos na Era Moderna, os Jogos Olímpicos não foram realizados apenas em três ocasiões (1916, 1940 e 1942), em função das guerras mundiais. No contexto do adiamento de Tóquio 2020, os princípios de amizade, compreensão mútua, igualdade, solidariedade e jogo limpo, do Olimpismo, são ainda mais necessários fora das linhas dos campos, quadras, pistas e piscinas.

*Crédito da foto no topo: Reprodução

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