Depois das Olimpíadas

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Depois das Olimpíadas

Não espere maio de 2024, quando faltarem só dois meses para as próximas Olimpíadas em Paris. O esporte precisa do nosso apoio todos os dias, todos os meses e todos os anos


2 de agosto de 2021 - 14h19

Abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016 (Crédito: Matthias_Lemm)

Você que está aí comemorando as medalhas de Rayssa e Ítalo, acordando cedo para ver a Marta e a Debinha jogarem, indo para cama tarde da noite para assistir o Álvaro José (o maior locutor do esporte olímpico do Brasil) narrar as quartas-de-final de tênis de mesa e vestindo verde e amarelo para homenagear nosso time olímpico, meus parabéns. Estes atletas, medalhistas ou não, merecem todo o nosso respeito e admiração.

No Brasil, com todos os problemas sociais e econômicos que a maioria da população enfrenta, dedicar-se ao esporte de alto desempenho é uma tarefa digna de Nike; não a marca, mas a deusa grega da vitória.

Para chegar até aqui, cada um dos 302 atletas da delegação brasileira no Japão teve que remar mais, correr mais, treinar mais, acordar mais cedo e se sacrificar mais do que quase todos os seus rivais.

Nos Estados Unidos, a estrutura do esporte universitário oferece oportunidades para os jovens treinarem ao mesmo tempo que recebem uma educação de qualidade. Os mais talentosos recebem bolsas de auxílio que chegam a cobrir todos os seus custos durante os anos que estudam e competem pela escola, algo que pode valer centenas de milhares de dólares. Isso sem falar de uma lei recentemente aprovada que permite que eles comercializem suas imagens e nomes, como os atletas de esportes profissionais.

No Brasil, eles e elas precisam trabalhar. Nossos atletas olímpicos são administradores, vendedores, representantes comerciais, motoristas etc. A maioria depende de bolsas do governo, do Comitê Olímpico Brasileiro, de suas federações e da ajuda de familiares para poder viajar e competir. A grande maioria, larga com uma enorme desvantagem nessa corrida para se tornar um campeão olímpico.

Diferentemente dos jogadores de futebol e de algumas poucas exceções em outros esportes, há uma chance razoável de que esqueçamos os nomes e as glórias de todos os nossos heróis assim que a pira olímpica for apagada em Tóquio. Esta é uma verdadeira hipocrisia de proporção olímpica.

Mas se nós marqueteiros não podemos resolver todos os problemas sociais e esportivos do Brasil, o que podemos fazer para mudar esta situação?

O esporte e os atletas precisam de apoio financeiro.

Se você representa uma marca, patrocine. Invista em atletas, federações e eventos dos esportes olímpicos. Comece a patrocinar em setembro desse ano, assim que eles desembarcarem do Japão. Não espere maio de 2024, quando faltarem só dois meses para as próximas Olimpíadas em Paris. O esporte precisa do nosso apoio todos os dias, todos os meses e todos os anos. Patrocinar o esporte olímpico custa muito menos do que você imagina.

Se você não pode patrocinar, contrate os atletas para trabalhar na sua empresa. Poucas contratações são tão seguras quanto a de um atleta olímpico. Apesar de eles não terem necessariamente o mesmo preparo acadêmico – afinal, enquanto os outros candidatos apenas estudavam, eles treinavam e trabalhavam -, eles compensarão suas deficiências de muitas outras formas.

A maioria dos novos funcionários falham por razões comportamentais, não técnicas. Eles têm dificuldade em trabalhar em equipe, em lidar com a pressão e em tomar decisões.

Os atletas olímpicos, ao contrário, cresceram trabalhando em equipe, lidando com a pressão do mundo nos eventos onde competiram e tomando decisões de carreira muito mais sérias do que qualquer apresentação em PowerPoint pode demandar. Eles são simplesmente superiores ao resto de nós para lidar com as pressões do trabalho.

Isso não quer dizer que não precisarão de ajuda e muito treinamento. Mas ensinar as técnicas do trabalho, as expressões da empresa, as especificidades do mercado e dos produtos é muito mais fácil do que treinar alguém em “como lidar com a pressão do chefe”.

Patrocinando ou contratando, você e sua empresa podem ajudar muito. Diferentemente do que alguns pensam, os atletas não hibernam por quatro anos entre os jogos. Eles estão entre nós e precisam de apoio. Se você quiser comemorar ainda mais em 2024, faça algo agora e seja parte da vitória do Brasil nas Olimpíadas de Paris.

*Crédito da foto no topo: iStock

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