O marketing do vacilo precisa melhorar

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O marketing do vacilo precisa melhorar

Quando escutamos que uma empresa tem medo de inovar, na verdade, estamos falando sobre não querer falhar, e isso cria barreiras


28 de setembro de 2021 - 9h16

(Crédito: Apghedia/ Shutterstock)

Errar é humano. Será que é por isso que marketing é de humanas? Não, não estou tentando destruir a reputação dos marketeiros – eu também sou um deles. Estou apenas destacando o fato de que os deslizes do mundo da propaganda chamam muito a nossa atenção. Chegam até a ser assunto de livros e perfis de redes sociais dedicados apenas a isso (se não conhece, divirta-se com o @errosdemkt ).

Nossa indústria celebra o acerto. Premia o resultado positivos e as melhores ideias. Mas e as piores, o que fazer com elas?

É muito bonito falar que “é errando que se aprende”, mas está aí um aprendizado que ninguém quer colocar no currículo. O festival de Cannes não tem a categoria “erro mais criativo”. O Effie também não dá um reconhecimento para o “escorregão mais efetivo”. Nem o Caboré destaca o “fracasso do ano”. Esses prêmios a gente ganha da vida. E escolhe o que fazer com eles.

Admitir nossos erros é tão difícil quando reconhecer nossos “defeitos”. Temos medo de ser desvalorizados, humilhados, desprestigiados. E isso aumenta a nossa apreensão de tentar. Quando escutamos que uma empresa tem medo de inovar, na verdade, estamos falando sobre não querer falhar. E isso vira uma barreira.

As estatísticas do TruMedia sobre futebol mostram que apenas 3% dos chutes de fora da área são convertidos em um gol. O melhor jogador nessa habilidade é o brasileiro Philippe Coutinho, com uma impressionante taxa de acerto de 6%. Uau, o dobro da média. Mas perceba: mesmo o profissional mais efetivo de todo o mundo nessa modalidade erra em 94% dos casos.

Você aceitaria essa taxa de erro? Se o Coutinho trabalhasse em nosso mercado, seria nomeado um Chief Mistakes Officer. Mas no futebol ele é um gênio, porque com apenas um acerto pode garantir uma vitória importante.

De uma coisa tenho certeza: todo chute para fora era um golaço na mente de quem chutou. Essa é a atitude que buscamos no mundo dos negócios também. O capricho em cada chute.

Aplaudir deslizes não faz parte da nossa cultura. Mas a transformação digital exige uma nova forma de pensar: uma mentalidade de aprendizado contínuo, de adaptação, de testar, de ajustar e de se perguntar o tempo todo sobre novas possibilidades.

“Por quê?” Se um estagiário pergunta isso, parece que ainda não sabe das coisas. Mas se um presidente faz a mesma pergunta, parece que sabe tanto das coisas que está desafiando o status quo. É hora de valorizar todos esses “porquês”. É assim que a inovação começa. Sem medo de errar. Mas fazendo de tudo para acertar.

Às vezes, estar errado na hora certa é o melhor que podemos fazer, se soubermos por que erramos e o que devemos fazer para corrigir a rota.

Estou com a impressão de que o vacilo precisa de uma ajuda no seu próprio marketing. Ele virou o “bicho papão” dos executivos pressionados por resultados. Mas é justamente ele que pode nos ajudar nas nossas cobranças diárias.

Imagine que a sua empresa vai colocar todos os recursos do ano na fabricação de um único quadro. Uma pintura que deve estar perfeita. Uma obra de arte que precisa ser vendida por um valor histórico e trazer um resultado financeiro prometido aos investidores. E se você pudesse testar quais obras de arte seriam mais apreciadas antes de produzir? E se você pudesse pintar apenas um pedacinho do quadro e confirmar se a qualidade está boa? Errar pequeno, errar rápido, errar barato. Para aumentar a chance de acertar no grande.

Eu não gosto de errar. Mas gosto tanto de acertar que até comecei a suportar mais erros só para poder acertar mais. E aí, já fez o seu errinho de hoje?

*Crédito da foto no topo: Ajwad Creative/iStock

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