A agência já me viu pelado

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A agência já me viu pelado

Não existem anunciantes ou agências perfeitas e um relacionamento só vai funcionar se ambos decidirem fazer o melhor possível um pelo outro


19 de outubro de 2021 - 17h08

(Crédito: Shutterstock)

Sei que é estranho falar isso nos dias de hoje, mas tenho uma confissão a fazer: eu acredito em casamento. Não naqueles arranjados e forçados. Nem naqueles perfeitos e cheios de pirlimpimpim dos contos de fada. Estou falando da união que funciona. Daquela onde os dois lados escolhem ficar juntos porque sabem que é o melhor para ambos. E é claro que não estou escrevendo sobre relações amorosas, mas sobre um tipo de parceria que é quase tão complexa quanto uma boda conjugal: a relação entre anunciante e agência.

Nosso mercado faz bastante barulho quando uma conta é “conquistada”. A gente gosta de celebrar novas uniões. Ou “peixes fisgados”. É aquela felicidade momentânea de quem muda o status na rede social para alguém que está “em um relacionamento sério”. Mas quem já casou sabe que a festa passa rápido, e em poucos dias começam a chegar os boletos. E é no dia a dia que a gente vai saber se esse compromisso vai dar certo ou não.

Não existe anunciante perfeito. Nem agência dos sonhos. Só vai funcionar se os dois decidirem fazer o melhor possível um pelo outro. Relações do tipo “eu finjo que crio grandes ideias e você finge que me paga por isso” já nascem com data de validade mais curta que banana em dias de verão.

Para dar certo é preciso confiança, reconhecimento, transparência. 

A marca McDonald’s está em uma fase muito especial no Brasil: resultados excepcionais de negócio e dezenas de prêmios, troféus e menções honrosas nos últimos meses. Mas preciso reconhecer que boa parte disso acontece porque temos uma agência parceira. O pessoal que está na Galeria tem ketchup nas veias, molho especial na criatividade e uma calda extra na execução. Eles não são perfeitos. A gente também não. Mas fazemos o nosso melhor para a relação funcionar.

Escolher o time que vai ajudar a construir a sua marca é coisa séria. Aceitar um contrato cheio de condições com um cliente também. Os dois lados têm interesses em jogo. E riscos a correr. Isso não é brincadeira.

Saber definir os melhores parceiros e conseguir lidar com eles diariamente talvez seja um dos maiores segredos por trás dos grandes cases de marketing da história. E essa escolha vai muito além da discussão do fee mensal.

Outro dia o Grupo de Atendimento me perguntou o segredo por trás do Méqui. A minha resposta foi direta: “é que a agência já me viu pelado”. Não sem roupas, mas sem censuras. Sem medos de contar nossas preocupações, incertezas e pontos fracos. Sem limites para o que eles podem saber da nossa estratégia, das nossas escolhas e das nossas preferências. Vira e mexe rola uma DR, temos muitas opiniões diferentes. Mas um objetivo maior em comum.

Marcas fortes levam tempo para serem construídas. E esse processo exige muita consistência. Como conseguir isso se a agência mudar a cada seis meses?

Não estou defendendo que os contratos sejam eternos e nem garantindo que vamos ficar com a mesma agência para o resto da vida. Mas deixo aqui o meu incentivo para que você celebre com mais intensidade os aniversários de casamento do que os anéis de noivado. Dá mais trabalho. Mas esse é justamente o nosso trabalho.

*Crédito da foto no topo: Koypic-Shutterstock

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