P&G abraça (forte) a causa da inclusão racial

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P&G abraça (forte) a causa da inclusão racial

Companhia lança programa Racial 360°, que envolve suas marcas, seus públicos internos e até fornecedores, em busca de mudanças estruturais

Roseani Rocha
19 de novembro de 2020 - 6h00

 A P&G está lançando nesta semana um programa que começou a ser desenhado mais fortemente pela empresa há dois anos. O projeto Racial 360° promoverá iniciativas em quatro esferas: colaboradores, suas marcas, parceiros de negócios e comunidade.

O anúncio do projeto contou com a CEO da companhia, Juliana Azevedo, Julia Asakawa, que é diretora de marketing Baby Care e lidera o pilar de diversidade, criado na P&G em 2018, e Lais Ramires de Souza, especialista em comunicação. Juliana contou que a pandemia só fez a companhia colocar o pé no acelerador em sua agenda de cidadania e que depois de tornar mais agressivas suas metas em sustentabilidade chegou a hora de ter uma abordagem mais “intencional e ativa” para o assunto igualdade e inclusão no âmbito étnico e racial, em todos os pontos de contato da empresa. “Temos quatro mil funcionários no Brasil e o objetivo de refletir dentro da P&G a sociedade brasileira. Ainda não estamos lá, mas vamos nos movimentar nesse sentido”, comentou a CEO.

Lais Ramires, por sua vez, destaca a importância de estruturar ações que envolvam toda as áreas da companhia para fazer frente a um demarcador racial vinculado a 130 anos de escravidão que, por sua vez, provocou um ostracismo social da população negra, uma “maioria minorizada”. “Pensamos em como poderíamos começar a corrigir um racismo estrutural, que está até no inconsciente de nós todos como pessoas físicas”, argumentou.

Julia Asakawa apresentou as principais iniciativas da empresa, como o “P&G Para Você”, processo de seleção exclusivo para estudantes negros e que oferece a eles um ano de curso de inglês e mentoria. A iniciativa se torna ainda mais importante diante do fato de a P&G ser conhecida por ter 70% de suas lideranças promovidas dentro da empresa. A própria CEO Juliana Azevedo começou como estagiária. Em 10 meses do lançamento, a empresa já absorveu 25% dos participantes.

Desta vez, também conseguiu atrair mais candidatos negros neste projeto e no Processo Seletivo Relâmpago, que não é exclusivo para negros, ao melhorar a comunicação por meio de parceria com Empregueafro e McKinsey, participando de eventos das duas empresas, e por meio de parcerias com universidades, como a Zumbi dos Palmares. Dos quatro mil funcionários da P&G, mil estão em cargos administrativos e 32% deles são de pretos e pardos. No escritório, há dois anos, o número era de um dígito só. O objetivo é ter 50%-50, tanto na questão de equidade racial, quanto na de gênero (em que a empresa está em 40% de mulheres). Em níveis gerenciais e de diretoria, 13% são negros ou pardos.

Outra ação, importante por envolver agora empresas fundadas ou geridas por negros, com a intenção de inclui-las no rol de fornecedores da P&G, é a segunda onda da Aceleradora P&G Social, que terá uma edição Racial 360°. Com o Movimento Black Money e a Integrare, a P&G oferecerá um Programa de Desenvolvimento para criar condições de reparações estruturais contribuindo com empreendimentos de pessoas negras no mercado de trabalho. Serão ofertadas pelo menos 10 vagas, e o afro empreendedor interessado pode se cadastrar pelo site.

Na comunicação, têm sido feitos levantamentos mensais das peças levadas ao ar em todos os canais de mídia, para avaliar seu grau de representatividade em questões de gênero, raça e acessibilidade.  A companhia afirma ter mudado a forma de fazer publicidade para incentivar conversas importantes e com representatividade, lançando campanhas inclusivas e ativando embaixadores como o ator Babu Santana, Mc Soffia, Sheron Menezes, Tia Má e a Thelma Assis.

Finalmente, na frente “Comunidades”, a empresa concentra esforços em infância e juventude, ao apoiar a iniciativa “Um Milhão de Oportunidades”, da UNICEF, em parceria com a United Way. A primeira onda da Aceleradora P&G Social também focou no assunto e apoiou o projeto Capacita-me, que oferece cursos gratuitos a pessoas negras desempregadas e em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A P&G também selou parceria com a consultoria Tree, de diversidade e inclusão, com incentivo à Trilha de Desenvolvimento para Talentos Negros, focada especialmente em mulheres; e fez aporte financeiro na fintech Coletando, que em outubro implementou dois ecopontos móveis no Pavão e Pavãozinho, as maiores favelas do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão – a iniciativa pretende gerar renda para 25 mil pessoas.

Juliana Azevedo destaca que o projeto foi premiado dentro da P&G como a melhor iniciativa relacionada à questão da diversidade e inclusão, por sua abordagem mais sistêmica, e tem sido avaliado de perto pela matriz, nos EUA (país que enfrentou muita convulsão social nos últimos meses por questões raciais).

Já ao ser questionada sobre o impacto econômico que a igualdade racial traria, Julia Asakawa lembrou que negros e pardos são 56% da população brasileira, com movimentação estimada em R$ 2 trilhões. “Além de números importantes por si, é preciso reconhecer essa população para representá-la com os melhores produtos”, disse.

Juliana Azevedo afirma que a companhia demorou um pouco a expor mais essas atividades, porque queria bagagem, números melhores e essa abordagem sistêmica de agora em diante. E concluiu: “Temos grandes ambições e muita humildade, para aceitar parceiros e pessoas que saibam mais que a gente nesse projeto”.

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