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Opinião

Os novinhos querem falar. E nós precisamos ouvir

Nós, líderes, temos o desafio de encarar o que essa geração está nos mostrando e oferecer um ambiente de trabalho que seja receptivo e acolhedor para os colaboradores


15 de junho de 2022 - 10h26

(Crédito: NTL studio/Shutterstock)

Recentemente tive a oportunidade de ouvir uma palestra sobre comportamento humano no pós-Covid-19 (?) realizada por Thimon de Jong, professor do departamento de psicologia social da Universidade de Utrecht. Especialista em insights e tendências e investigador da FreedomLab Future Studies, Jong aponta que estamos todos vivendo em um banco de areia, em uma ilha isolada no meio do oceano.

Não estamos mais nos afogando, como ocorreu durante o período de isolamento, mas também não estamos em segurança, pois vivemos em constante cansaço, ansiedade e depressão. E quem mais está sofrendo com isso é a geração Z, talvez por ser a geração que mais expõe seus sentimentos.

Trazendo isso para um cenário brasileiro, a situação ainda se complica. A crise econômica e a falta de perspectiva de um plano de vida profissional sustentável ampliam esse sentimento de ansiedade e depressão. De acordo com uma pesquisa realizada pelo LinkedIn recentemente, 80% das pessoas que têm entre 25 e 33 anos estão em crise, e os novos modelos de trabalho também têm uma participação nisso.

Apesar do home office ainda ser um privilégio para poucos e possibilitar mais liberdade e flexibilidade, o afastamento do ambiente de trabalho e, principalmente, das pessoas quebra as relações de confiança, de intimidade e o tão desejado engajamento. Com isso, nós, líderes, temos o desafio de encarar o que essa geração está nos mostrando e oferecer um ambiente de trabalho que seja receptivo e acolhedor para os colaboradores.

Ideias como coaching reverso e suporte para projetos paralelos, os lado B dos genZ surgiram como oportunidades a serem trabalhadas. Segundo as pesquisas de Jong, 70% dos integrantes da geração Z contam com um projeto paralelo, o que contribui para a geração ser considerada como empreendedora. Basicamente, o jovem quer falar e ser ouvido por seus líderes, expor seus sentimentos e suas ideias, além de trabalhar em colaboração, ter propósito e criar conexões.

Sempre achei que eu fazia tudo isso com meu time. Mas, de fato, nunca havia aberto um espaço só com os mais jovens para deixá-los falar e, o pior: há algum tempo não reservava um tempo só para ouvir. Sem trazer soluções, sem sair com metas, decisões ou métricas, apenas ouvir. Fiz isso há algumas semanas, ainda com um pequeno grupo, com um recorte dos genZ do Yahoo Brasil. Sim, projetos paralelos foram muito discutidos, ainda mais em uma empresa focada em comunicação e tecnologia. Isso é quase natural.

Mas, fiquei ainda mais impressionada com a potência das falas. Quando perguntei o que gostariam de fazer na empresa se tivessem liberdade e apoio para isso, surgiram coisas como: “é tão simples, é só aproveitar o que já temos, os talentos e o que cada pessoa gosta de fazer. É relativamente simples achar um tempo no dia a dia para se dedicar a algo quando você gosta muito, apesar de estar todo mundo sempre cheio de trabalho”.

“Eu preciso falar. Sobre racismo, machismo e inclusão. Faz parte do que eu sou. Mas não podemos só ser ouvidos nestes momentos. Eu também quero falar de séries, de música, de reality shows e de política”. “Eu adoro me mostrar. Quero falar sobre tantas coisas. E acho que isso pode ser aproveitado”.

Pode até parecer simples ou até mesmo óbvio, mas com isso pude compreender o quanto eu precisava estar disposta a ouvir de verdade. Tenho certeza de que isso fará toda diferença, não só para mim, mas para o time como um todo.

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