Os planos do Instituto Ronald McDonald para os próximos 25 anos

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Os planos do Instituto Ronald McDonald para os próximos 25 anos

Fundado no Brasil em 1999, Instituto se prepara para celebrar 25 anos; Bianca Provedel, diretora executiva, comenta planos estratégicos atuais e a longo prazo


28 de fevereiro de 2024 - 6h00

instituto ronald mcdonald

Fachada da Casa Ronald McDonald em Itaquera, São Paulo (Crédito: Divulgação)

Em 1999, o Brasil recebia um ator que viria a se tornar um importante combatente na luta contra o câncer infantil: o Instituto Ronald McDonald. No País, o Instituto começou a partir da história pessoal de um pai, Francisco, que perdeu o filho Marquinhos para o câncer. 25 anos depois, o Instituto é um grande fomentador da causa auxiliando crianças e adolescentes durante o processo de tratamento contra o câncer e outras doenças.

Na ocasião, Francisco buscou tratamento fora do Brasil, em um momento em que o país ainda sofria com diversas deficiências no tratamento de doenças graves. Nos Estados Unidos, foi encaminhado com a família para uma Casa Ronald McDonald durante o tratamento Memorial Hospital. O local fornece alimentação, hospedagem, assistência diversa e transporte gratuito para as famílias durante o processo.

Ao retornar para o Brasil, e também após o falecimento de Marquinhos, voltou com a vontade de proporcionar experiências semelhantes para as famílias brasileiras. Assim, iniciou sua jornada como voluntário do Mc Dia Feliz – campanha em que o lucro das vendas de Big Mac são direcionadas à instituições de combate ao câncer infanto-juvenil. Daí, surgiu o casamento entre necessidade e oportunidade.

Desde então, a organização sem fins lucrativos tem olhar para a jornada da família: antes, durante e após o tratamento. “Isso é uma realidade muito do Brasil, e vejo que é um problema de desigualdade em diversos sistemas de saúde, inclusive nos países mais desenvolvidos”, explica Bianca Provedel, diretora executiva do Instituto Ronald McDonald, a qual se dedica desde 2005. O modelo, inclusive, é usado como case de inspiração para outros países em que a causa atua.

Como funciona o Instituto Ronald McDonald

Tudo começa com o diagnóstico precoce do câncer infantil – este, segundo Bianca, um dos principais gargalos do sistema público de saúde brasileiro. Para isso, capacitam profissionais da saúde, entre médicos, enfermeiros e outros envolvidos no primeiro atendimento, bem como estudantes de medicina. Além disso, sensibilizam profissionais da educação básica, como professores, para a identificação de possíveis sintomas. Em 15 anos de programa, o Instituto trabalhou junto a mais de 35 mil profissionais, impactando indiretamente mais de 5 milhões de vidas.

Durante o tratamento, apoiam hospitais da rede SUS que realizam o tratamento do câncer infantil. Uma vez que a maioria dos hospitais de referência são polos em cidades específicas, fornecem a Casa Ronald McDonald – a primeira iniciativa que chegou ao Brasil, antes mesmo da criação do Instituto – e o Programa da Família Ronald McDonald.

instituto ronald mcdonald

Um dos espaços do Programa da Família Ronald McDonald (Crédito: Divulgação)

A diretora executiva afirma que tais iniciativas são essenciais para que as famílias tenham aderência, uma vez que se trata de pessoas com renda familiar baixa. Nas casas, recebem hospedagem, alimentação, transporte para o tratamento, escola, curso profissionalizante, têm seus direitos de cidadania assegurados e assistentes sociais para suporte. Ao todo, são 7 casas pelo Brasil e apoiam outras que exercem outra função.

Já o Programa Espaço da Família entra em cena para casos de tratamento mais avançados, em que a criança não precisa estar presente diariamente nos hospitais. Por isso, há uma área dentro do hospital. Ao final do tratamento, o Instituto faz o preparo da família para o retorno para casa, avaliando as situações que as crianças irão encontrar na cidade de origem. Assim, avaliam e atuam na manutenção da qualidade nutricional, melhorias habitacionais, segurança familiar etc.

O Instituto Ronald McDonald como marca

O Instituto Ronald McDonald foi fundado pelo McDonald’s nos Estados Unidos, no estado da Filadélfia. Atualmente, a rede de fast-food é a financiadora do Instituto por meio de um sistema global, uma vez que tem o compromisso formal de ser a principal apoiadora. Dentro do universo de saúde e bem-estar de crianças e adolescentes, cada país trabalha com patologias e necessidades específicas em larga escala.

“Sem dúvida alguma, é uma marca que traz extrema credibilidade, pois os mesmos padrões de excelência que são exigidos da empresa são exigidos do Instituto. Globalmente, temos o padrão ouro de qualidade, protocolos, processos e toda a parte empresarial que dá a credibilidade e faz a marca ser top of mynd”, detalha Bianca.

O Mc Dia Feliz, que completou 35 anos em 2023, é uma campanha essencial para a causa. A arrecadação recorde aconteceu também no ano passado: foram arrecadados R$ 20,9 milhões a serem destinados para a oncologia pediátrica brasileira.

Apesar disso, o Instituto precisa de outras empresas ao seu lado na jornada. No Brasil, conta com grandes nomes como Coca-Cola, Marfrig, BRF, Martin Brower, Santander e Bradesco entre o pool de empresas que apoiam a iniciativa. A executiva salienta que a agenda ESG tem feito com que empresas busquem apoiar causas que se conectem com os negócios. O fato faz com que o terceiro setor tenha um papel importante para que alcancem resultados de compromissos que assumem de maneira pública e perante investidores.

Desafios da causa

Entre as principais dificuldades de operar uma organização social sem fins lucrativos no Brasil, Bianca cita a escalabilidade e fomento de recursos para que o impacto seja maior. Durante os 25 anos de atuação, o Instituto Ronald McDonald impactou mais de 3 milhões de jovens e crianças diretamente e apoiou 108 instituições, por exemplo.

A boa notícia, de acordo com a diretora, é que o terceiro setor está sendo visto com bons olhos no País. Isso acontece uma vez que passou por um processo de profissionalização, planejamento estratégico e reestruturação. “Com a questão do próprio movimento da ONU (Organização das Nações Unidas) com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e os desafios que os países receberam de enfrentar os objetivos e alcançar metas mensuráveis, as organizações sem fins lucrativos vieram como grandes players e parceiros para que alcancem esses resultados”, diz.

As estratégias do Instituto se relacionam com quatro principais ODS da ONU. São eles o 3, de saúde e bem-estar; 4 de educação de qualidade; o 7 pela energia acessível e limpa a partir da implantação de sistemas solares e implantação de iluminação de LED nas Casas Ronald McDonald do Brasil; e o 10, que fala sobre a redução das desigualdades.

Os próximos 25 anos

2024 será um ano de mudança para o Instituto Ronald McDonald. Enquanto o sistema nacional completa 24 anos, o global chega na casa dos 50.

Em julho, a cadeia mundial apresentará uma nova marca e posicionamento, fruto de diversas discussões, sobretudo a da vinculação de nome ao McDonald’s. “O Ronald McDonald dá nome ao nosso instituto, mas ele não existe mais. Será que é o nome que melhor nos representa hoje?”, indaga Bianca. Pensado durante todo 2023, a elaboração da nova marca contou com uma parceria com a Kantar. A empresa realizou um levantamento para entender a percepção do Instituto Ronald McDonald perante o público.

Segundo ela, é preciso avançar e modernizar o Instituto assim como a rede de fast-food evoluiu sua marca ao longo das décadas. Tudo isso, claro, sem perder o vínculo com a empresa norte-americana. O McDonalds, inclusive, está participando da elaboração de estratégia para trazer mais flexibilidade ao nome.

Ainda, no final deste ano, o Instituto lançará um grande ação pela causa, em que pretende agregar empresas e organizações em prol da vida das crianças e adolescentes a nível nacional. “Temos a ideia de que essa campanha se torne um grande movimento, que ela venha a ser perene e possamos trabalhar com várias ações não só de divulgação, mas de captação e conscientização. Também, para que a gente consiga entrar com a nossa marca em alguns espaços em que tenha um tipo de resistência”, finaliza Bianca.

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