Opinião

A Copa não é só dos patrocinadores

Como marcas podem se comunicar durante a Copa sem infringir regras e sem abrir mão de relevância

Eduardo Corch

Diretor-geral LATAM da EMW Global 15 de janeiro de 2026 - 6h00

“Meu chefe me perguntou o que vamos fazer na Copa do Mundo.”

Essa pergunta não é exceção. Ela se repete, ano após ano, em salas de reunião de empresas que sabem que a Copa do Mundo é um dos poucos momentos em que o país inteiro para, comenta, discute e sente junto. Trata-se de um fenômeno cultural, social e emocional que atravessa o cotidiano dos brasileiros, inclusive dentro das organizações.

Ainda assim, muitas marcas entram nesse ciclo já derrotadas. Sem patrocínio oficial, assumem que a única estratégia segura é o silêncio. Uma leitura confortável e, na maioria das vezes, equivocada.

O maior risco não é fazer errado. É não fazer nada.

Existe um receio legítimo em relação ao marketing de emboscada. As regras da FIFA e das confederações nacionais são rígidas e devem ser respeitadas. Nomes, símbolos, marcas, troféus e qualquer associação indevida estão fora de questão.

O problema surge quando esse cuidado vira imobilismo. A Copa do Mundo não é apenas um ativo comercial. Ela é um evento cultural de enorme impacto emocional, e nenhum desses territórios pertence exclusivamente aos patrocinadores oficiais.

Regras não matam criatividade. Má estratégia, sim.

Cumprir regras não significa abrir mão de relevância. Pelo contrário. As melhores ideias costumam nascer justamente quando a criatividade precisa conviver com limites. O desafio não está na regulamentação, mas na falta de planejamento estratégico e de leitura cultural do momento.
Comunicar durante a Copa do Mundo exige responsabilidade, mas também coragem para ir além do óbvio.

Onde estão as oportunidades fora do patrocínio oficial

Há um território legítimo ainda pouco explorado pelas marcas. O uso de ex-jogadores e treinadores é um bom exemplo. Eles carregam histórias, credibilidade e identificação com o público, sem estarem necessariamente vinculados aos direitos da competição ou das seleções atuais.

Outro caminho são as campanhas institucionais e internas: ações de engajamento com colaboradores, parceiros e clientes, além de programas de incentivo e reconhecimento que dialoguem com o espírito do momento, sem recorrer a ativos protegidos.

E existe, ainda, o espaço mais poderoso de todos: o conteúdo. Paixão, alegria, trabalho em equipe, superação, pertencimento e um nacionalismo positivo não pertencem a nenhuma entidade. São narrativas universais que a Copa apenas amplifica.

Há jogo fora das quatro linhas

A Copa do Mundo dura 39 dias. O silêncio estratégico, quando injustificado, costuma durar mais e custa caro em relevância. Em um momento em que marcas disputam atenção, conexão e significado, abrir mão desse território cultural por excesso de zelo é, no mínimo, uma escolha confortável.

As marcas que se destacam não são necessariamente as que estampam seus logos em placas, LEDs ou backdrops de estádio, mas as que entendem o contexto, respeitam as regras e sabem ocupar o imaginário coletivo com inteligência. Porque participar da conversa é compreender o seu papel dentro do evento.

Há muito jogo fora das quatro linhas.

Participar da conversa é compreender que existe muito jogo fora das quatro linhas. Basta ousar com estratégia, respeitar para não ser penalizado, e entrar em campo para ganhar.