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Notícia não tem valor, é commodity. Mas inteligência deve ser paga


24 de novembro de 2017 - 17h23

É muito mais normal do que parece um diretor geral, gerente, CEO ou qualquer outro dono de um cargo respeitável e responsável em uma empresa de comunicação, cansado de ver os números em queda e a absoluta ineficiência de qualquer fórmula mágica, perguntar, quase como um ultimato: o que devo fazer para salvar essa empresa?

Sem varinha mágica ou bola de cristal, o melhor de todos os conselhos é simples: esqueça o negócio que por muito tempo deu certo e entenda o presente com olhos modernos. Dinheiro existe, você só precisa criar a necessidade para que alguém invista em pagar essa conta.
Simples? Nem tanto.

Os responsáveis pelo negócio geralmente criam soluções mirabolantes para vitaminar aquilo que já não tem resultado: venda de publicidade tradicional (anúncio de jornal e banner) e circulação (assinatura de papel e bancas). Sim, e classificados. É duro admitir, mas quem seguir com essa estratégia absurda deve fechar em pouco tempo. No mundo em que a conexão é digital não há mais espaço para estratégias analógicas.

Por que alguém pagaria pelo meu conteúdo, já que a concorrência oferece grátis? Ótima dúvida. Quem não conseguir agregar valor ao conteúdo produzido, pode esquecer que um dia pensou em cobrar por isso. 

O papel ainda paga a conta e é importante em qualquer empresa de comunicação que um dia foi baseada no jornal e nas revistas. Segundo a WAN-Ifra, cerca de 70% da receita ainda vem do papel. Mas esse número está em queda e em 2018 deverá se aproximar de 50%. A outra metade precisa vir do digital e de novas receitas, como eventos e conteúdo patrocinado. Quem ficar estimulando redução no preço do anúncio (para pagar as contas imediatas), anabolizantes em assinaturas e classificados quase grátis estará acelerando a morte anunciada.

O quadro é bastante claro. O problema é assumi-lo como verdade, trabalhar para o futuro. The New York Times entendeu e hoje comemora 2,3 milhões de assinantes digitais. The Washington Post chegou a 1,1 milhão. The Guardian anunciou que tem 800 mil pessoas que, de alguma forma, pagam por conteúdo. Sem falar nas publicações de nicho como The Wall Street Journal ou The Economist, com equilíbrio nas contas por acreditar no digital.

Alguém vai perguntar: por que alguém pagaria pelo meu conteúdo, já que a concorrência oferece grátis? Ótima dúvida. Quem não conseguir agregar valor ao conteúdo produzido, pode esquecer que um dia pensou em cobrar por isso. Notícia não tem valor, é commodity. Mas inteligência deve ser paga. A explicação, o porquê, a análise, a previsão do que vai acontecer. Tudo isso tem valor, muito valor.

Portanto, o melhor de todos os conselhos, como já afirmado no segundo parágrafo, é abrir mão do velho modelo de negócios, que tanto funcionou até uns cinco anos atrás, e apostar nas novas receitas. Com estratégia, para que a transição não seja um problema. Talvez seja necessário mudar alguns profissionais, que não se adaptam aos novos tempos. É do jogo. Mas a mudança é mais que necessária, é condição.

E corra, antes que seja tarde.

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