Respeite as pessoas, mas desrespeite a hierarquia

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Opinião

Respeite as pessoas, mas desrespeite a hierarquia

Liberdade de expressão é uma das principais características das organizações de alto desempenho


18 de julho de 2017 - 9h00

O CEO falou uma besteira enorme naquela reunião e ninguém o corrigiu. Éramos sete na pequena sala. Eu fiquei olhando o presidente, o CFO, o CMO, o CIO e o CTO, esperando que algum deles o corrigisse, mas ninguém abriu a boca.

A decisão que tomaríamos era muito importante. Valia dezenas de milhões de dólares e muitos empregos. Se ao menos o CEO soubesse os fatos, pensei… Mas ninguém falava nada. Olhei para o meu chefe que, nesse momento, tentava se esconder atrás de seu computador fazendo de conta que não estava lá. Os outros disfarçavam também.

Tomei coragem e disse: “Mr. CEO, permita-me uma pequena correção nos fatos…”. O que veio depois disso não está no top 10 das minhas experiências profissionais. A esculhambada deve ter demorado uns dois minutos, mas pareceu durar dois dias. Pública, para garantir que isso não se repetiria nem comigo, nem com ninguém que estava na sala. A reunião acabou com a pior decisão possível porque as pessoas escolheram ficar quietas. Eu, apesar da reprimenda, saí com a consciência tranquila.

Foto: Reprodução

Ninguém naquela sala, exceto eu, precisava trabalhar. Todos eram merecidamente mui- to ricos. Sem exceção, ganharam muito com o seu trabalho. Sem exceção, ficaram quietos por medo de corrigir seu chefe e perder seus empregos. Quando a reunião acabou, o CEO deixou a sala feliz em saber que tinha todas as respostas do mundo. Perguntei para dois dos “C-alguma-coisa” que ainda estavam na sala: “Se vocês sabiam que ele estava errado, por que não falaram nada?” A resposta, sem nenhuma vergonha, foi: “Ele não gosta de ser corrigido”. E assim caminham muitas empresas.

A liberdade de expressão no trabalho é uma das principais características das organizações de alto desempenho. Não é por acaso que esse atributo aparece em todas as pesquisas de engajamento. Os funcionários que falam o que pensam são os que se importam mais com as em- presas. São aqueles que ainda querem achar a resposta certa para os problemas. Já os que se calam… O que eu aprendi com os meus bons e maus chefes, tento aplicar no meu dia a dia com cinco regras simples:

Respeite as pessoas

Poder falar o que pensa não significa criticar as pessoas, mas sim suas ideias. No esporte, é comum os treinadores ensinarem as crianças a “atacar a bola, não o jogador”. O significado é o mesmo na vida corporativa. Não perca tempo debatendo o que seus colegas são, mas sim o que pensam e suas decisões.

Desrespeite a hierarquia

O pouco respeito à hierarquia é a principal razão do sucesso. Toda crítica é bem-vinda. Qualquer um pode dizer o que pensa a qualquer hora. O gerente não tem o compromisso em concordar ou aceitar, mas tem a obrigação de escutar.

Não critique sem oferecer alternativas

Ninguém tem paciência com quem só reclama. Se você acha que algo está errado, sugira outra solução. Veja o problema coletivo como seu e tente resolvê-lo. Todos os gerentes querem alguém assim em seus times.

Comemore e promova as pessoas que dão o bom exemplo

Montar uma equipe na qual todos se comportem assim não é fácil. Sempre haverá um cético que prefere falar pelas suas costas. Mas vale a pena insistir. Quando o gerente incentiva esse comportamento e dá o exemplo, é natural que a equipe se motive a fazer o mesmo.

A mudança começa pelo chefe

Poder falar o que pensa é um direito garantido pela Constituição fora dos escritórios. Dentro deles, ainda depende do seu chefe. Os melhores líderes com quem trabalhei me incentivaram a criticar abertamente tanto suas ideias quanto suas decisões. Mesmo que fosse em público. Eles não tinham nenhuma preocupação em não saber todas as respostas, em ficar em dúvida ou em ter que pedir ajuda para os outros.

O “desrespeito respeitoso” é o atalho mais rápido para formar as melhores equipes. Se você é um líder, pratique. Se não gostou das ideias, pode criticar. Estou escutando.

 

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