Todos nós vamos envelhecer

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Opinião

Todos nós vamos envelhecer

E isso é algo que o mercado da comunicação precisa entender


6 de junho de 2024 - 6h00

Em um momento onde o etarismo está tão forte, tão presente no cotidiano, a ONU (Organização das Nações Unidas), identificou a discriminação como um problema global. Logo, isso nos leva a um ponto: A publicidade urge por mudanças. Dados divulgados da pesquisa Global Learner Survey, feita pela Pearson em parceria com a Morning Consult, mostram que 65% das mulheres destacam o etarismo como um problema a ser resolvido.

A publicidade precisa parar, pensar e agir, afinal é através de campanhas, ações e notícias que o mundo tem se moldado constantemente. É obrigação de todos nós, comunicadores, levar este e outros problemas a sério e auxiliar na educação da sociedade. Sei, parece utópico querer que todos pensem assim, mas colocar mulheres jovens, bonitas e na flor da idade para um comercial de produtos utilizados por pessoas mais velhas, é no mínimo estranho, não?

O que as campanhas mais recentes têm feito com a sociedade? Hoje, jovens utilizam produtos para adultos em sua rotina de cuidados diários. No TikTok existe uma tendência de crianças e adolescentes usarem produtos para Skin Care e, consequentemente, têm tido problemas cada vez mais sérios, como o da garota que quase perdeu a visão por sofrer uma reação alérgica.

Recentemente me impactei positivamente com a campanha lançada pela The Ordinary, marca canadense conhecida mundialmente por seus produtos, que visa conscientizar os adolescentes sobre os perigos dos produtos de skincare que não foram feitos para eles. A propaganda intitulada como “Você não precisa dos 10 passos” em tradução literal, é um esforço para desafiar as tendências das mídias sociais e promover uma abordagem mais saudável para adolescentes, incentivando-os a utilizar apenas produtos realmente necessários como, por exemplo, o filtro solar.

É importante também ressaltar que já existe uma tendência de ser realista em relação aos cuidados com a pele. Antes, os produtos de tratamento para pele eram chamados de anti-idade, mas de uns anos para cá, esse termo vem felizmente sendo substituído por pro-aging e well-aging. Talvez, uma ideia que podemos lançar ao mercado é a de aceitação. Sim, precisamos aceitar que todos nós iremos envelhecer e está tudo bem.

A nossa população está cada vez envelhecendo mais. A expectativa de vida do brasileiro é de 75,5 anos. Mas onde está a representatividade dessas pessoas dentro da publicidade? Esse nicho específico, têm um alto poder aquisitivo. Existe um termo interessante que se chama “economia prateada” que se trata da soma de todas as atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas com mais de 50 anos e aos produtos e serviços que elas consomem ou um dia irão consumir.

Segundo dados da World Population Agein, pela primeira vez a população com mais de 60 anos passa a ter 5 anos de idade. Ainda, um outro estudo, realizado pelo SPC Brasil, oferece um panorama da geração prateada no país e revela que 94% destes indivíduos têm a responsabilidade de sustentar suas famílias, além de que mais da metade (52%) está disposta a pagar mais por produtos e serviços de qualidade. Inclusive, dois terços (64%) são os únicos decisores nas compras, e quase metade (48%) prefere consumir em vez de economizar. Todos esses números indicam algo importante e me impressiona o quanto parece que a publicidade deixou de se importar com isso.

Estamos vivendo uma distorção e eu culpo o mercado da comunicação por isso. São inúmeras mulheres +50 e as marcas optam por colocar garotas de 20 anos para representar um público que elas não pertencem. Nós, como comunicadores, estamos excluindo as pessoas mais velhas e esquecendo que, daqui há alguns anos, nós seremos essas pessoas.

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