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Desejo coletivo de enriquecer vivências individuais através de emoções, experiências e conexões mantém efervescência dos eventos ao vivo e prova que o anseio por interações humanas mais autênticas está latente


12 de março de 2024 - 14h00

Amagia dos eventos presenciais está mais viva do que nunca. O período de reclusão da pandemia criou uma demanda reprimida, certamente. Mas, mesmo nos distanciando da época em que a carência de encontros respondeu a uma necessidade de saúde pública, o desejo de vivenciar experiências ao vivo, em muitos casos em meio a multidões, não cessou. Pelo contrário, há uma efervescência crescente que motiva novos investimentos tanto nos grandes shows musicais, que seguem esgotando ingressos com longa antecedência, como nos eventos e festivais que mobilizam a atenção da indústria de comunicação, marketing e mídia.

Há um desejo coletivo de enriquecer as vivências individuais através de emoções, experiências e conexões, aponta o relatório The Future 100, lançado pela VML e que em 2024 chega a sua décima edição, embasado por nove mil entrevistas realizadas de setembro a outubro de 2023 em nove países, incluindo o Brasil. Em diversos momentos, o estudo indica que apesar da quantidade desconcertante de novas tecnologias absorvidas pelas pessoas, o anseio por interações humanas mais autênticas está latente. Some-se a isso a busca de uma parcela crescente de jovens pela desaceleração e por privilegiar experiências compartilhadas.

Essas mudanças de comportamento podem afetar as relações de consumo, pois muitas pessoas esperam que as marcas as ajudem nessa busca por sentir emoções intensas, experiências benéficas para a saúde física e mental e conexões coletivas reais que atenuem o anseio de pertencimento. O relatório instiga as marcas a romperem com o racional e a explorarem o disruptivo poder da emoção, sugerindo novas métricas para se avaliar desempenhos, tais como “suspiros”, “lágrimas de alegria”, “arrepios” e “queixos caídos”. Os consumidores estão mais propensos a investirem em marcas que agregam valor emocional às suas vidas, sustenta o estudo.

Outro ponto interessante é o que notauma estafa em relação aos ciclos opressores de hypes sucessivos e até mesmo uma “rebelião” com o ritmo acelerado de novastendências fabricadas, especialmente nasredes sociais. Esse sentimento gera, como contraponto, o surgimento de grupos que combatem o esgotamento provocado por mídias e tecnologias, e, por outro lado, abre oportunidades para produtos e serviços que levam em conta a necessidade humana de alternar de maneira mais equilibrada momentos de conectividade e inatividade digital. A sugestão, aqui, é que as marcas deem tempo para as pessoas saborearem as experiências antes de pular rapidamente para a próxima. Um paralelo com o consumo de mídia estaria na desaceleração na compulsão por maratonar no streaming e em uma revalorização de atrações semanais das TVs.

Esse espírito, mais para live experience do que para metaverso, move também os milhares de profissionais que se deslocaram até Austin, nos Estados Unidos, para o principal evento de inovação e cultura do calendário anual da indústria, o South by Southwest (SXSW), aberto oficialmente na sexta-feira, 8. Meio & Mensagem está presente com uma equipe de seis jornalistas, responsáveis pela cobertura multiplataforma que inclui as redes sociais e o site meioemensagem.com.br/sxsw, onde há acesso livre ao noticiário diário sobre o evento e ao blog coletivo Conexão Austin, com participação de mais de 60 profissionais brasileiros presentes no evento.

As tendências futuristas apresentadas em palcos de festivais como o SXSW não se materializam por osmose. É a bagagem intelectual que os executivos participantes levarão consigo que tem a capacidade de promover mudanças nas organizações em que atuam e nos mercados que compõem. Bagagem essa que é enriquecida com as conexões feitas durante os dias do evento não apenas nos aprendizados colhidos nas salas das apresentações oficiais, mas também nos debates paralelos, nas reflexões compartilhadas com outros participantes, na vivência pela cidade e no processamento posterior de todos esses insights. É da convivência com a ampla diversidade de pensamento, com a livre circulação de ideias e com a atmosfera de troca de conhecimento que poderão surgir os movimentos reais e coletivos de evolução da indústria.

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