Juntando IA com ‘bio editing’, as coisas ficam estranhas rápido
IA e a biotecnologia aceleram a eficiência e o storytelling, mas geram desigualdade e riscos éticos
O SXSW acabou e eu estou absolutamente chocada com as inovações que essa edição apontou.
As marcas estão numa busca intensa para estipular uma relação com seus consumidores mais íntima e de confiança. E uma das estratégias para isso é a busca por novos storytellings, novas histórias que garantam o elemento-surpresa e a reverberação, ainda que isso crie estranhamento e até alargue a comunicação para os aros mais distantes do seu target.
A Disney é um bom exemplo desse posicionamento: para lançar o remake do Rei Leão, eles se juntaram com a Balmain Paris, que criou uma coleção exclusiva apresentada na sede da Disney Paris, encerrando a semana de moda na cidade. Eles também fizeram parceria com a Fórmula 1 só pra aumentar o storytelling dos personagens. O Mickey virou o único piloto capaz de ser bem recebido em todos os boxes do campeonato por todos os pilotos.
As mudanças estão vindo rápido e um novo jeito de olhar o ser humano está chegando. Amy Webb (fundadora do The Future Today Strategy Group) participou do festival mais uma vez. Ela é conhecida por analisar as novas trends do mercado e normalmente resume alguns tópicos principais pra apontar na sua palestra. Este ano ela desistiu de falar em trend e a abordagem foi “tem uma tempestade vindo, todo mundo precisa se preparar”. Recomendo ver a palestra dela no canal do SXSW no YouTube. Ali você consegue entender como neurociência, edição biológica, IA e mercado de consumo estão muito acelerados nas mudanças. Dependendo da sua indústria (por exemplo, telecomunicações, seguros, serviços financeiros), as inovações vão chegar nos próximos meses e, segundo ela, este ano vai ser bem desconfortável.
Um grande ponto a ser considerado agora é que quem tem poder aquisitivo vai conseguir, pelo uso de IA, ter muito mais informações sobre seu corpo e melhorar a qualidade de vida e eficiência por causa desse uso. Por exemplo, se você tem uma cama inteligente que passa informações sobre seus hábitos noturnos e melhora a qualidade do seu sono, você acorda mais descansado e com o cérebro mais relaxado e pronto pro dia. Isso já melhora a sua eficiência e já deixa você na frente de muita gente. O poder de compra de utensílios com IA (cama, óculos…) vai deixar as pessoas ainda mais preparadas e eficientes pratudo. E, do outro lado, quem não tem esse poder de compra vai ficar ainda mais prejudicado.
Estamos todos alimentando a IA com um uso intenso da ferramenta; esse gênio não volta mais pra lâmpada. Mas precisamos saber como as indústrias de tech estão usando esse conhecimento. Quando juntamos IA com “bio editing”, as coisas ficam estranhas muito rápido. Ter a capacidade de alterar uma deficiência genética é muito admirável, mas é improvável que pare por aí sem a devida atenção da opinião pública e regulamentação. Essa é minha maior preocupação. Será que vamos conhecer um super-humano em breve?