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Na era da IA, relevância pede textura

O excesso de conteúdo elevou o padrão, mas tornou a distinção o novo critério real de atenção

Alan Kenedy

Diretor Executivo de Estratégia da BR Media 18 de março de 2026 - 11h11

O que te faz parar e prestar atenção hoje?
Depois de alguns dias no SXSW, essa pergunta ficou mais incômoda do que parecia.

Nunca foi tão fácil produzir conteúdo.
E nunca foi tão difícil ser percebido.

Quando tudo é bom, o problema deixa de ser qualidade.
Passa a ser distinção.
E é aqui que começa a mudança.

Relevância não será mais uma questão de execução. Será uma questão de sinal.
Sinal de que existe alguém por trás.

No meio de notificações, assistentes digitais, gadgets e conteúdo sintético, o que começa a chamar atenção não é o mais bem feito.

É o que parece feito.
O que carrega escolha.
Contexto.
Vivência.

Não porque é mais bonito.
Mas porque é reconhecível.

Nancy Harhut, pesquisadora de ciência comportamental, disse em seu painel que as pessoas se conectam com as histórias, não apenas com os fatos.

A IA aprende padrões e os replica com eficiência.
Isso melhora a média.
Mas também aproxima tudo de um mesmo lugar.

E o cérebro humano não foi feito para se interessar pelo que é previsível.
Ele procura contraste.
Diferença.
O que quebra o fluxo.

Na prática, isso muda o jogo para marcas e creators.

Durante anos, a vantagem competitiva foi produzir melhor.
Agora, todos produzem bem.
A vantagem passa a ser outra.
Ter ponto de vista.

POV não como formato. Como ativo.

Porque, quando a execução vira commodity, o que sustenta atenção é a forma como você enxerga o mundo.

Quanto mais avançamos na automação, mais valor ganha aquilo que não é automático.

Mais repertório.
Mais identidade.
Mais cultura.

Não como nostalgia.
Como diferenciação.

A IA já influencia praticamente tudo.
Mas não resolve presença.
E, no fim, é isso que ainda separa o que passa do que fica.