A era da segmentação simplificada acabou

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Opinião

A era da segmentação simplificada acabou

Precisamos incorporar a diversidade de valores e comportamentos emergentes para sua marca não virar um “tio do pavê"


11 de junho de 2024 - 14h35

(Crédito: Adobe Stock)

A cada era, o tecido social se tece com novos fios, e hoje testemunhamos uma tapeçaria única, onde as cores da identidade se misturam em padrões jamais vistos. É uma época de mudança, onde as fronteiras entre gêneros, idades e classes sociais se dissolvem diante dos nossos olhos. 

Neste turbilhão de transformações, é evidente que as narrativas tradicionais não mais se aplicam. Mulheres erguem a bandeira do feminismo e estão cada vez mais guiadas por um senso de justiça (daí se tornarem mais progressistas não só sobre temas de gênero, mas, também de raça, dentre outros) enquanto homens abraçam visões conservadoras, guiados por um sentimento de perda de status, de ameaça a uma posição social antes firmemente garantida. 

É uma inversão de papéis que desafia os estereótipos arraigados. Para ser mais específica, cerca de 35% das mulheres da Geração Z se identificam com posturas progressistas, em contraste com 25% dos homens que tendem a ser mais conservadores, de acordo com Alice Evans, pesquisadora visitante da Universidade de Stanford e uma das principais especialistas no assunto. E é justamente essa quebra de paradigmas que nos leva a repensar como identificamos nossos públicos. 

Outros dados recentes que gostaria de adicionar a essa reflexão foram divulgados pela pesquisa do Public Religion Research Institute e trazem à tona uma mudança ainda mais profunda na paisagem cultural. O levantamento revela que 28% dos adultos da Geração Z se identificam como LGBTQIAP+, evidenciando um aumento marcante na aceitação social das pessoas que se identificam dessa forma entre as gerações mais jovens. Esta tendência reflete não apenas uma maior abertura e tolerância, mas também uma disposição crescente para desafiar as normas tradicionais de identidade e sexualidade. 

Assim, o velho mantra de idade, gênero e classe social já não é suficiente para mapear as complexidades da sociedade contemporânea. A fluidez de identidade se torna evidente quando percebemos que as pessoas não se encaixam mais em caixas estanques de “homem” ou “mulher”. A diversidade de gênero é tão vasta que até mesmo as redes sociais oferecem uma quantidade enorme de opções para expressão. 

E o que dizer da classe social? A noção de que os maiores consumidores são exclusivamente das classes mais altas é desafiada quando vemos que os verdadeiros consumidores de determinadas marcas e de produtos de alto valor muitas vezes estão nas comunidades. Agora a faixa de preço e a simples categorização de renda já não podem mais capturar a verdadeira essência do consumidor. 

Enquanto isso, o conceito de idade torna-se fluido em uma era de longevidade e transições constantes. As pessoas estão vivendo mais, mudando de carreira, de vida e de relacionamentos em um ritmo acelerado. A rigidez das faixas etárias já não reflete a realidade de uma sociedade em constante evolução. 

Todos esses dados nos conduzem a reflexões sobre as mudanças de paradigma que estamos testemunhando, nas transformações nos padrões de liderança e nas dinâmicas de poder que estão em jogo. É evidente que estamos entrando em uma era de fluidez, onde as fronteiras tradicionais de idade, gênero e classe social estão se tornando cada vez mais obsoletas. 

As redes sociais e os smartphones são apontadas como ‘acentuadores’ desse comportamento, já que é possível que pessoas que moram na mesma casa ‘habitem’ mundos digitais completamente diferentes, expondo as pessoas a uma diversidade de conteúdos, desafiando nossas noções preconcebidas sobre identidade e comportamento.  

Não podemos mais apenas confiar nessas categorias simplistas para definir nosso público-alvo ou compreender seus valores e comportamentos. A era da segmentação simplificada acabou. Agora, mais do que nunca, é essencial reconhecer a diversidade e a individualidade das pessoas. Não se trata mais de formar personas genéricas, mas sim de adaptar nossas marcas para atender às necessidades e aspirações de uma sociedade em constante mutação. 

Fica aqui o meu convite para que este momento de ruptura seja encarado como uma oportunidade para repensar, reinventar e revolucionar nossa abordagem como sociedade, mercado e marcas anunciantes. 

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