Opinião

Adaptabilidade radical

As marcas que prosperarão serão aquelas lideradas por executivos capazes de dialogar com o futuro sem abandonar o presente

Helena Prado

Presidente executiva da Pine 29 de agosto de 2025 - 8h49

(Crédito: Shutterstock)

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A rotina de CMOs e CEOs sempre foi intensa, mas os últimos anos trouxeram ainda mais velocidade e incerteza para o cenário. Mudanças acontecem em ciclos cada vez mais curtos, novas ferramentas surgem a cada semana e modelos de negócio se transformam em questão de meses. Nesse meio, a narrativa de uma marca pode ser completamente redefinida de um dia para o outro. 

É um cenário que exige algo como uma “adaptabilidade radical”, uma habilidade complexa sem a qual dificilmente líderes de grandes marcas conseguirão manter a relevância.

Essa flexibilidade, no entanto, não significa que o planejamento deva ser descartado. Ele, como sempre, mantém o papel de servir como mapa, orientando as prioridades e garantindo coerência nas decisões, especialmente em cenários de pressão. A diferença é que, em tempos de IA, esses planos precisam ser vistos, cada vez mais, como estruturas vivas, prontas para serem atualizadas diante de novos dados, tendências ou mudanças de comportamento do público. 

A visão de longo prazo deve ser mantida, afinal ela é um ativo valioso para a construção de reputações, mas é preciso redobrar a atenção com o mundo real para ver o quanto aquele roteiro dialoga com o que pede o momento.

Na comunicação e no PR, onde a essência é criar conexões genuínas com públicos diversos, a IA se mostra uma importante ferramenta para atingir esse equilíbrio, principalmente para aqueles que souberem explorar as oportunidades inéditas trazidas por ela, sem perder de vista pilares essenciais, como o preparo técnico, visão estratégica e sensibilidade humana.

Temos diante de nós a concretização de promessas com que líderes de marcas sonharam durante anos, como os dados que fluem em tempo real, as análises mais precisas e profundas de padrões de comportamento e as interações personalizadas em escala. Ainda assim, tecnologia sozinha não constrói reputação. Todas essas ferramentas reunidas só serão verdadeiramente úteis se forem transformadas em um storytelling autêntico, que fortalece a presença das marcas e cria lembranças duradouras.

O papel dos líderes, nesse contexto, é assumir a curadoria dessas narrativas. Um post, um press release ou uma ação integrada de comunicação podem nascer de dados, mas precisam ganhar forma no território da emoção. O mesmo território em que muitos desses líderes souberam construir suas trajetórias.

O momento, então, não é de negar o passado, mas de incluir novas habilidades no repertório. Para liderar com autoridade nessa era, experiência prática com as novas tecnologias é fundamental. Ter lido sobre IA generativa não substitui o impacto de usá-la para criar uma narrativa, testar um formato de mídia ou ajustar uma estratégia de crise em tempo real. Experimentar, errar, corrigir e refinar é o que dá ao líder visão crítica para separar hype de valor real. É nesse processo que se forma a intuição digital, que permite tomar decisões rápidas sem perder de vista o propósito.

As marcas que prosperarão serão aquelas lideradas por executivos capazes de dialogar com o futuro sem abandonar o presente, usando dados para contar histórias que importam e agindo com a velocidade que o tempo digital exige, sem abrir mão da essência que torna uma marca memorável. A tecnologia é o acelerador. A liderança continua sendo o volante.