Um retrato do assédio em agências do Nordeste

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Um retrato do assédio em agências do Nordeste

Nos nove estados da região, 71% das profissionais de agências de publicidade já sofreram assédio no trabalho

Teresa Levin
5 de setembro de 2017 - 10h23

Campanha denúncia assédio em agências do Nordeste (Crédito: Reprodução)

Nos nove estados do Nordeste, 71% das profissionais de agências de publicidade já sofreram assédio no trabalho, enquanto 77,4% já tiveram que ignorar piadas machistas ou sexistas por medo de represálias. E mais: 48,4% das publicitárias evitaram denunciar o assédio com receio de perderem o emprego. Quem está à frente do assédio sofrido por estas profissionais em agências do Nordeste? Em 54% dos casos, os donos das agências; em 37,2%, os diretores de criação; em 32,7%, são colegas, e em 31,9%, clientes. Os números alarmantes são parte da campanha Esse Case é Foda, capitaneada pela agência paraibana TagZag, que inclui vídeos, cartazes e um hotsite que chamam a atenção para os casos de assédio vivenciados por profissionais do sexo feminino em agências de publicidade.

“Nas conversas com as mulheres do mercado o assunto sempre surgia e era unânime que todas já haviam sofrido ou presenciado assédios dentro das agências. Diversas profissionais da TagZag são engajadas na causa feminista e isso contribuiu para encontrar uma pauta comum a todas”, explica Carol Crozara, head of digital da TagZag. Os dados foram levantados através de uma pesquisa realizada com aproximadamente 200 publicitárias que preencheram um formulário via Google Docs após serem procuradas organicamente, em uma espécie de boca a boca virtual. As agências escolhidas são as maiores de cada estado nordestino de acordo com dados do Sinapro e da Abap.

A proximidade do Dia da Igualdade Feminina, comemorado em 26 de agosto, foi o gancho para o lançamento da ação. “Já sofremos assédio em diversas esferas da sociedade e é muito frustrante isso acontecer também dentro do trabalho, ainda mais na propaganda que, teoricamente, é um ambiente de pessoas esclarecidas, de vanguarda e mente aberta”, diz Carol. Ela alerta que o principal ponto levantado pela pesquisa é justamente o de que o assédio está em todos os lugares. “Tivemos respostas de mulheres que trabalham em diferentes departamentos”, coloca.

A expectativa é de que, a partir desta campanha, o assunto seja mais debatido. “Esperamos que a cultura machista de assédio e tratamento desigual das mulheres no mercado publicitário seja discutida, exposta, destacada. Acreditar numa transformação via tomada de consciência é utópico, quem sabe possamos chegar lá um dia. Mas o constrangimento pode dar um bom empurrão”, acrescenta Mariana Craveiro, COO da TagZag. Ela antecipa que há o plano de estender a pesquisa para os mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro, através de um alinhamento com o Grupo de Planejamento de São Paulo. “Os conselheiros Ana Cortat, Ken Fujioca e Ulisses Zamboni nos procuraram interessados em conhecer a pesquisa e estendê-la. Vamos fazer isso acontecer. Este é o próximo passo”, finaliza.

A agência criou cartazes sobre o tema que podem ser baixados no site da campanha Esse Case é Foda. Além disso, os filmes da iniciativa estão disponíveis no YouTube, confira um deles abaixo:

 

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