Comunidades: A lente de observação em Cannes
Em um mercado cada vez mais automatizado, acredito que comunidade se tornou um dos ativos mais humanos das marcas
Já estamos de malas prontas para Cannes. Olhando para a agenda do festival em 2026 e para os debates sobre Inteligência Artificial que já aquecem o mercado, vou em busca das marcas que, nesta edição, procuram se conectar com o fator humano. Não há como trabalhar com comunidades feitas apenas por IA sem entender que o que realmente gera engajamento em campanhas são pessoas, e o que move esse engajamento é a base de fãs.
Alguns dos cases vencedores do ano passado não usam o público apenas como um observador, mas sim como parte da criação de uma comunidade muito ativa. E comunidade, aqui, podemos considerar até de haters, como na campanha Haaland’s Payback Time, da DAVID New York para o Clash of Clans.
O papel da marca é cocriar e, muitas vezes, deixar o próprio fã assumir o controle da narrativa, como no case superpremiado Vaseline Verified, da Ogilvy Singapore para a Unilever. À medida que a IA automatiza a criação de conteúdo em massa e personaliza feeds de forma cirúrgica, o consumidor começa a ansiar por espaços de conexão genuína, e o fandom se torna o último reduto do comportamento puramente humano e imprevisível na internet.
Fandom exige tempo, rituais e, acima de tudo, repetição. Não é construído do dia para a noite. Essa consistência e o respeito ao público se tornaram ativos raros. Por isso, embarco para o festival com a ansiedade legítima de quem quer ver o mercado abandonar as métricas de vaidade e as fórmulas fáceis para, finalmente, abraçar o que é visceral: criatividade e cocriação.