Um bolo de rolo, si vous plait
No primeiro ano da Batux em Cannes, parto em busca das ideias que transformam cultura em conexão
Uma das coisas mais bonitas que a comunicação me proporcionou ao longo da vida foi a chance de conhecer muitos Brasis dentro do mesmo país. Nesta semana, por exemplo, a agenda me levou de Caruaru e Campina Grande – onde acontecem algumas das maiores celebrações populares do mundo – para Cannes, onde a indústria criativa global se reúne para discutir o futuro da comunicação.
Confesso que gosto da simbologia dessa conexão São João – Cannes Lions. Porque, apesar de separados por um oceano e por contextos completamente diferentes, existe algo que conecta esses lugares: a criatividade.
Nos últimos meses, tenho acompanhado de perto a preparação das marcas para o São João. Não apenas os palcos, os shows ou as ativações, mas principalmente o desafio que existe por trás de tudo isso: criar experiências que façam sentido para as pessoas, respeitem a cultura local, gerem conversa, criem memória e conquistem relevância suficiente para merecer um espaço na vida delas.
E talvez seja exatamente essa conversa que me leva agora a Cannes.
Nos últimos anos, o festival passou a conviver com questionamentos importantes. O aumento dos custos, a ascensão das agências independentes, a pressão crescente por resultados de negócio e a necessidade de justificar investimentos fizeram muita gente revisitar uma pergunta que antes parecia óbvia: qual é o papel de Cannes para as marcas e para os profissionais hoje?
Como sócia da Batux, essa discussão me interessa especialmente. Este ano, pela primeira vez, decidimos inscrever um case no festival. A decisão veio acompanhada de entusiasmo, mas também de muitas contas, algumas planilhas de custos e boas doses de coragem. Para uma agência independente, participar de Cannes está longe de ser uma decisão trivial.
Talvez por isso eu esteja embarcando com tanta curiosidade. Na primeira vez em que fui a Cannes, voltei para casa com alguns leões de Nivea Doll na bagagem. Desta vez, a viagem tem outro significado. Menos respostas, mais perguntas.
Quero entender quais serão as conversas que vão movimentar a indústria. Quero observar como a criatividade está respondendo aos desafios de um mercado cada vez mais fragmentado, acelerado e complexo. Quero descobrir quais ideias estão conseguindo transformar atenção em conexão, conexão em negócio e negócio em valor para as marcas.
Mas, acima de tudo, quero olhar para Cannes sem esquecer tudo o que aprendi circulando pelo São João.
Porque, seja em uma praça lotada de forró ou nos corredores do Palais, estamos todos tentando responder à mesma pergunta: como criar experiências que realmente importem para as pessoas?
Nas próximas semanas, pretendo compartilhar por aqui os encontros, provocações e aprendizados dessa jornada. E levo comigo uma pergunta que talvez acompanhe toda essa cobertura: Em um momento em que a indústria inteira busca formas mais autênticas de se conectar com as pessoas, o que Cannes tem a aprender como forró?