Cannes

Cannes Lions? Prazer, Live Marketing

Aquela imagem que eu tinha do festival foi mudando com o passar dos dias

Rafael Cruz

Diretor de Criação da Batux  29 de junho de 2026 - 10h59

Durante quase 20 anos de carreira dedicados ao mercado de Brand Experience, sempre enxerguei o festival como um palco quase que exclusivo da publicidade tradicional. Como designer de formação e profissional que construiu sua trajetória entre promoções, eventos e experiências de marca, admirava Cannes por revelar e reconhecer grandes campanhas publicitárias de grandes agências do mundo todo, mas nunca imaginei fazer parte dele.

Talvez por isso, minha primeira vez no festival teve um significado tão especial.

Estar em Cannes, como diretor de Criação de uma agência de Live Marketing independente, já era motivo de muito orgulho. Mas participar concorrendo com um case nativo promocional para a Coca-Cola tornou essa experiência ainda mais simbólica.

A expectativa foi enorme, vim confiante, e qualquer menção em um short list já seria comemorado com emoção, mas independente do resultado, percebi o quanto o Brand Experience é potente, e muitas vezes essencial em cases tão relevantes como Field Barcode, do Mercado Livre, Clean My Name, de Cif, e Expedition Impossible, da Columbia Sportsware. Promoções simples, com sacadas absurdamente envolventes. Isso por si só já foi recompensador.

O mais interessante foi perceber que aquela imagem que eu tinha do festival foi mudando com o passar dos dias.

Ao longo da semana, ficou evidente como o Live Marketing passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante entre os trabalhos reconhecidos. Muitos dos cases mais inspiradores não eram simples campanhas publicitárias. Eram experiências capazes de criar participação, envolvimento, gerar conversa e construir conexões genuínas entre marcas e pessoas.

Saio de Cannes com a sensação de que o Live Marketing não está só tomando seu lugar de direito no festival, mas sim se tornando peça essencial para a construção dos melhores cases reconhecidos pela entidade.

Minha primeira experiência no festival não mudou apenas minha visão sobre ele. Reforçou uma convicção que me acompanha há duas décadas: quando uma marca consegue envolver as pessoas de forma verdadeira, ela cria muito mais do que comunicação.

Ela cria memórias.