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Evento ProXXIma

Metaverso e Web 3.0: criatividade e tecnologia para as marcas

Nick Coronges, global chief technology officer da R/GA, apresentou como o mundo virtual pode criar conexões reais para as pessoas

Giovana Oréfice
2 de junho de 2022 - 15h53

A Vollebak, uma marca preparada para a Terra do futuro, lançou uma jaqueta para viagens ao espaço. Com um bolso anti gravidade e um compartimento preparado para caso o viajante passe mal, o produto teve um lançamento futurista à altura de seu conceito. No Decentraland, a marca preparou uma espécie de caça ao tesouro do item, neste primeiro momento, disponível no metaverso.

 

Nick Coronges, global chief tecnhonology officer da R/GA (Crédito: Eduardo Lopes)

A ação é um dos cases da R/GA, apresentado por Nick Coronges, global chief tecnhonology officer da agência, no palco do segundo dia de evento do ProXXIma. Trazendo a proposta de pensar termos como o metaverso e a Web 3.0 de maneira mais prática e aplicáveis no dia a dia, o profissional acredita que o trabalho criativo para esses novos mundos virtuais vem da intersecção com a tecnologia. “O que precisamos são mais insights práticos e realmente trazê-los para o dia a dia em termos de o que podemos e devemos fazer”, declarou.

Um dos braços da R/GA são as “ventures”, ou seja, o trabalho ao lado de líderes para auxiliá-los a capitalizar em tecnologias disruptivas e emergentes a fim de gerar crescimento. “É apenas uma parte incrivelmente importante do que pensamos sobre inovação, porque muito disso e dos talentos se mudaram para esse ecossistema de startups”, contou Coronges. “Acreditamos que, para sermos relevantes, fazer acontecer e ter acesso a essas tendências, temos que engajar aquela comunidade. […] Isso significa realmente se envolver com elas e investir nessas empresas”, completou.

O CTO relembrou à plateia que o metaverso não é algo novo, citando os primórdios do termo, quando o autor Neal Stephenson o cunhou pela primeira vez em 1992 em uma de suas obras. Já o bitcoin começou a aparecer em 2008. Contudo, “o que aconteceu nos últimos anos que fez com que todos ficassem tão animados com isso?”, indagou Coronges. A resposta veio em forma de exemplos: a materialização do metaverso com jogos como Roblox, Fortnite e Minecraft. Além disso, o surgimento de plataformas construídas em sua maioria sobre blockchains popularizaram os NFTs, por exemplo, com a compra de terras dentro do ambiente virtual.

Segundo ele, a confluência de todas essas tendências é o que compõe o metaverso e a Web 3.0: gaming, cripto e blockchain e a virada digital da sociedade – alavancada, claro, pela pandemia. “O fato de estarmos trabalhando de forma remota e passando muito mais tempo online criou megas mudanças virtuais na quantidade de tempo que gastamos conectados. Muda a forma como nos vemos agora – estamos pensando em como nos parecemos no Zoom, em nosso avatar”, disse o executivo.

“É importante entender a Web 3.0 no contexto do que as pessoas sabem da Web 2.0 e 1.0”, comentou Coronges. A progressão parte de um acesso democratizado a audiências e informação, com uma tecnologia primária, como o surgimento da Internet. Em seguida, os grandes agregadores apareceram: as big techs, caracterizando o que vemos atualmente, com cloud, big data e smartphones, por exemplo. A próxima etapa vem para mostrar ao público a internet imersiva, descentralização e tokenização dos processos.

Citando empresas como o Google e Facebook, atual Meta, o executivo pontuou que os seus serviços foram importantes uma vez que facilitaram o consumo e a criação de conteúdo, mas alertou: “O único problema é que isso colocou o poder na mão de poucos e isso limitou o formato”. Nesse sentido, marcas foram afetadas ao limitarem a criatividade de criar conteúdos interativos para atender a um formato de Instagram, por exemplo.

Contudo, o cenário está começando a se modificar. “Falam muito que a Web 3.0 é um novo mundo onde a descentralização se torna novamente um portal onde você pode criar plataformas que nenhuma entidade corporativa possui. Então, isso está começando a criar um movimento na comunidade de desenvolvedores e as marcas estão começando a prestar atenção”, declarou Coronges. Ele pontuou ainda que a Web 3.0 não será uma substituta da Web 2.0, mas sim uma nova dimensão.

De acordo com o CTO, alguns dos aprendizados que estão sendo coletados pela R/GA com o trabalho ao lado de clientes no metaverso é de que o propósito da marca guia a aplicação da tecnologia, inclusive com ações direcionadas exclusivamente e criadas de forma nativa para tais ambientes virtuais. “Marcas terão que descobrir o que as faz únicas, como expressar e o que as faz nativas em uma plataforma”, endossou. Além disso, a Web 3.0 representa uma mudança de mindset que parte do consumo e chama a atenção para o engajamento e acesso, lembrando que ela é a extensão de estratégias holísticas de omnicanalidade para as marcas. Também, as novas tecnologias demandam esforços legais e financeiros, o que demanda um apoio extra para a aplicação de ações nesses meios.

Quando questionado sobre haver – ou não – espaço no metaverso para pequenas marcas e consumidores no geral, o porta-voz da R/GA ressaltou que, neste ambiente, as marcas menores de destacam, uma vez que as novas tecnologias foram criadas por pequenas empresas e comunidades que são nativas da Web 3.0, e só depois foram para o mainstream tornando-se maiores e mais notáveis. Ele ressaltou ainda que a aplicação de ações para grandes marcas podem até ser mais difíceis, uma vez que elas já contam com convicções muito enraizadas que devem ser quebradas caso queiram adentrar no novo mundo.

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