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Durante o Salão de Páscoa 2018, indústria se mostra confiante quanto a data comemorativa que, segundo a Abicab, apresentou queda de produção em 2017

Victória Navarro
23 de janeiro de 2018 - 16h49

Ubiracy Fonseca, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), apontou fatores como potencial de consumo e concentração de grandes players de chocolate no Brasil como determinantes para a retomada do setor em 2018 no País. O discurso foi feito durante a 28ª edição do Salão de Páscoa, que aconteceu nesta terça-feira, 23, no Nacional Club, em São Paulo.

O evento reuniu marcas como Arcor, Brasil Cacau, Cacau Show, Ferrero, Garoto, Kopenhagen, Lacta e Nestlé, que se mostraram confiantes em relação ao comércio que circunda a data mais importante do calendário anual da indústria de chocolates, a Páscoa, comemorada neste ano em 1º de abril. Em 2017, segundo a associação, foram produzidos 9 mil toneladas de produtos, um número 38% menor que o de 2016. As duas últimas Páscoas registraram com uma queda de produção e venda de aproximadamente 50%. “Índices econômicos e desemprego têm melhorado e dado sinais de recuperação no universo dos chocolates”, disse Ubiracy Fonseca.

 

“Índices econômicos e desemprego têm melhorado e dado sinais de recuperação no universo dos chocolates”, disse Ubiracy Fonseca, presidente da Abicab (crédito: iStock – Studio Porto Sabbia)

“Os ovos são produzidos praticamente oito meses antes da Páscoa e são armazenados até a data. Então, se não tiver estratégia bem definida de produto, de distribuição ou de posicionamento de preço, a marca chegará ao momento da Páscoa com uma oferta fora do que o público está esperando” 

O que se leva da crise
A indústria de chocolates levou a crise no setor como aprendizado. Segundo Afonso Champi, diretor da Abicab, a lição da má fase está traduzida nas ofertas de produtos e na contratação de pessoas. O evento, responsável por apresentar 120 lançamentos, revelou, de acordo com dados da associação, que 23 mil vagas de trabalho temporário foram geradas em indústrias e lojas especializadas em todo o Brasil para atender a demanda do período. “Os ovos são produzidos praticamente oito meses antes da Páscoa e são armazenados até a data. Então, se não tiver estratégia bem definida de produto, de distribuição ou de posicionamento de preço, a marca chegará ao momento da Páscoa com uma oferta fora do que o público está esperando”, diz. Neste ano, o número de empregos foi 5,9% menor que nos seis meses que antecederam a data comemorativa em 2017, o que, para o profissional, é um decréscimo pequeno, uma vez que em relação a 2016, o ano passado apresentou um declínio de 15% nas vagas.

Questionado sobre os preços dos produtos de Páscoa, Afonso Champi fala que os consumidores encontrarão todas as equações. “Dentro da estratégia de marketing, o preço é uma questão séria”, aponta. “Se você errar no posicionamento de preço R$ 2 para cima ou para baixo e isso não cumprir o que o cliente está disposto a pagar, a empresa não vai vender o seu produto”. O profissional ainda afirma que o aparecimento de ovos em tamanhos intermediários e menores se deu em consequência da procura por preços mais baixos.

Ações de marketing
Cocriação com o consumidor é aposta de Cacau Show nesta Páscoa. Élio Silva, vice-presidente de marketing e comunicação da marca, explica que foram apresentados sabores e embalagens a diversos grupos até que novos focos e versões fossem agregados a Cacau Show. “Acreditamos que estamos, cada vez mais, conectados com o nosso cliente”, fala. O profissional revela que em 2018, a empresa manterá praticamente o mesmo nível de investimento em marketing. “No ano passado, independentemente de ser um ano de recuperação, tivemos um desempenho muito bom”, revela. Élio Silva conta que, em 2017, algumas das linhas de Cacau Show cresceram de 16% a 18% no mercado. “Agora, este ano, com a melhora do cenário econômico e com as famílias podendo consumir produtos de maior valor agregado, acreditamos que manteremos a evolução”.

Joana Oliveira, gerente de marketing de Kinder no Grupo Ferrero, conta que o investimento de marketing da marca aumentou em relação ao ano passado. De março a agosto deste ano, a Kinder contará com comercial na televisão pela primeira vez após três anos. A novidade chega em momento de reposicionamento da marca. Sob o mote “Recheado de Imaginação”, Kinder quer trazer à tona o olhar genuíno e autêntico das crianças. “Sentimos a necessidade de expor essa nova fase em mais pontos de contato com o consumidor”, diz. Para a Páscoa, Kinder traz produtos com preços que variam de R$ 6 a R$ 60.

Seguindo a linha de Cacau Show e Kinder, o Grupo CRM tem expectativas positivas para a Páscoa. Com uma somatória das marcas Kopenhagem e Chocolates Brasil Cacau, o conglomerado prevê um crescimento de 10% na produção de ovos em relação a 2017 – 5% a mais que a ascensão do Grupo CRM apresentada no ano passado em comparação a 2016. Para comemorar os 90 anos de Kopenhagem, a marca reformulou todas as suas embalagens e trouxe um layout inspirado em joias com acabamento metalizado. Maricy Porto, diretora de marketing do Grupo CRM, informa que para a Páscoa deste ano o investimento em marketing está 30% maior que o do ano passado.

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