MRV atrai clientes com tecnologia e sustentabilidade

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MRV atrai clientes com tecnologia e sustentabilidade

Após estudos com Interbrand e Fundação Dom Cabral, construtora mineira muda empreendimentos e adota iniciativas como usar VR para customizar apartamentos

Roseani Rocha
1 de fevereiro de 2019 - 6h00

 

Objetivo é que, até 2022, 100% dos lançamentos tenham recursos como captação de energia solar. Na foto, o condomínio Spazio Parthenon, em Belo Horizonte (Crédito: Vladmir Araújo)

 

Embora tenha aparecido bastante no noticiário recentemente porque seu fundador Rubens Menin Teixeira de Souza é um dos executivos responsáveis por viabilizar a operação da CNN Brasil, a MRV Engenharia diz não ter nada a ver com a empreitada e que a iniciativa de Rubens não interfere na empresa que, no dia a dia é comandada por Rafael Nazareth Menin Teixeira de Souza e Eduardo Fischer Teixeira de Souza, diretores presidentes.

Projetos do presidente do Conselho à parte, a MRV tem realizado movimentos interessantes tanto de produtos, quanto de comunicação e relacionamento com seus clientes. A construtora com sede em Belo Horizonte atua na faixa de imóveis populares (valor médio de R$ 150 mil, dois quartos e uma vaga de garagem) e desde 2017 começou a mudar o perfil de seus empreendimentos e o posicionamento da marca, ambos resultados de estudos feitos com a Interbrand e a Fundação Dom Cabral. Com base nos estudos das duas consultorias, a MRV percebeu que para as classes mais populares o conceito de sustentabilidade tinha relação com economia doméstica e uso racional de recursos, principalmente água e energia. “Incorporamos às nossas linhas de produtos itens de sustentabilidade e isso não é mais questão de status ou marketing, mas de economia doméstica”, ressalta Rodrigo Resende, diretor de comunicação, marketing e vendas da empresa. Assim, o novo posicionamento da marca é “Construir sonhos que transformam o mundo”. Além disso, outras mudanças em comunicação virão, inclusive um novo logotipo, que deverá ser revelado no segundo semestre.

Cliente entende sustentabilidade como economia doméstica (Crédito: Vladmir Araújo)

Em 2018, 30% dos empreendimentos lançados já tiveram estruturas como placas fotovoltaicas para captação de energia solar e medidores individuais de água, por exemplo, e isso tem atraído mais clientes. A meta da empresa é que 100% dos lançamentos tenham esses recursos até 2022. Numa parceria com a Renault, a construtora também está começando a testar o serviço de carro elétrico para ser compartilhado nos empreendimentos. Dois automóveis do modelo Zoe estarão disponíveis por três meses aos moradores do condomínio Spazio Parthenon, em Belo Horizonte.

Os moradores poderão agendar o uso pelo app Renault Mobility, que a montadora também está testando pela primeira vez no Brasil. As empresas pretendem avaliar perfil de utilização, tempo médio por reserva, principais destinos e o grau de satisfação dos usuários com o serviço e o carro, que é abastecido pela energia solar captada no condomínio. Depois de Minas Gerais, o projeto será testado em outro empreendimento da MRV em São Paulo.

Carro elétrico compartilhado, na parceria com a Renault (Crédito: Filipe Rhodes)

 

VR e Marketplace

Mesmo no caso do segmento popular, os apartamentos físicos decorados começam a ceder espaço para novas experiências. A MRV, por exemplo, desde o fim de 2018 tem utilizado realidade virtual para apresentar ao cliente um decorado customizado. Se o físico era feito com base numa família tradicional – casal, dois filhos – no virtual a experiência é feita de acordo com o perfil do comprador. A pessoa entra no apartamento “construído” para ela (na verdade, um quarto branco, com o cliente usando óculos de VR e um computador em forma de mochila). Um jovem solteiro, que tem um cachorro e gosta de comida japonesa, por exemplo, pode entrar na casa, ser recebido pelo pet e ver sua comida predileta sobre a mesa.

Uso de VR substitui o decorado tradicional (Crédito: Divulgação)

“O feedback dos clientes tem sido incrível, porque é uma experiência muito próxima do real”, comenta Rodrigo. Hoje, há equipamentos em 10 cidades e outras 20 o receberão este ano (normalmente, empreendimentos novos, porque a construtora não vai, claro, destruir decorados físicos que já existiam). A ferramenta também é utilizada para a personalização dos acabamentos da residência (piso, bancada de pia, cores e revestimentos de paredes), que são executados de acordo com as escolhas dos clientes, segundo Rodrigo.

Outra iniciativa para melhorar a experiência no pós-venda é a criação de um marketplace dentro do portal onde os clientes acompanham as obras. Nele, podem comprar produtos para sua nova casa com descontos maiores que os praticados por marcas como Magazine Luiza, Electrolux, Brastemp, Consul, Santista e Petz em seus próprios e-commerces ou parceiros de e-commerce. Os descontos, conta Rodrigo, vão de 5% a 35%, dependendo da empresa/marca.

Ainda no âmbito do marketing, o Grupo MRV, do qual fazem parte também a Urba Mais, a Log e uma startup com foco em mercado de locação chamada Luggo, continua com a política de patrocínios esportivos. “Acreditamos que é um grande agente de transformação social e oportunidade de desenvolver marcas”, comenta Rodrigo Resende. Além do futebol (São Paulo, Flamengo e Fortaleza), também investe em vôlei, automobilismo e até no time de futebol americano do Atlético (MG).

A MRV trabalha com as agências Impacta e Open, mas sua equipe de marketing, da qual fazem parte 60 pessoas, produz internamente, segundo Rodrigo, “muito conteúdo, criação e ativações de patrocínios”.

Segundo uma prévia operacional da companhia relativa ao 4º trimestre de 2018, a MRV atingiu seu 26º trimestre com geração de caixa, atingindo R$ 469 milhões em 2018 (43% superior a 2017) e registrou recorde de lançamentos, chegando a R$ 2,23 bilhões nos últimos três meses de 2018, uma alta de 34% sobre o ano anterior.

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