Inovação versus volume: carros elétricos guiam acionistas

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Inovação versus volume: carros elétricos guiam acionistas

GM anuncia plataforma de veículos elétricos para alcançar Tesla; Nissan, por outro lado, estaria prestes a esvaziar investimentos em startups

Salvador Strano
11 de março de 2020 - 6h00

Tesla conquista a marca de um milhão de carros fabricados (Crédito: Spencer Platt/GettyImages)

A Tesla fabricou seu milionésimo carro. A cifra é um marco para a empresa e foi comemorada pelo CEO e fundador da companhia, Elon Musk, em uma publicação no Twitter. Em janeiro deste ano, a montadora alcançou o posto de segunda mais valiosa do segmento no mundo – atrás apenas da Toyota, segundo índice publicado pela Down Jones.

Entre as duas, entretanto, há diferenças estruturais. Se a companhia estadunidense tirou seu carro de número 1.000.000 de sua linha de produção apenas agora, a Toyota fabricou, só em 2019, mais de 10 milhões de automóveis. Já a Volkswagen, por sua vez, fabricou cinco milhões de unidades apenas do modelo Tiguan durante o período, o mais vendido da marca.

Se a Tesla não bate de frente com as montadoras tradicionais em número de unidades vendidas, há vantagens estratégicas na empresa quando o assunto é conquistar o bolso dos investidores. “Elon Musk trabalha com veículos de alta tecnologia, atuando de maneira muito forte em inovação e marketing”, afirma Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimento de negócios da Jato no Brasil – uma consultoria global do mercado automotivo que fornece informações e estudos para as empresas da cadeia produtiva do ramo.

A força da Tesla reside na tecnologia aplicada ao ecossistema de veículos elétricos. Há, no mundo, diversas cidades que já anunciaram restrições para o uso de motores a combustão no médio prazo. O argumento do poder público é o  de que carros são um dos principais poluentes de ambientes urbanos e um dos principais emissores de CO2 na atmosfera.

“Em eletrificação, todas as montadoras estão com algum tipo de produto para tentar bater o que a Tesla já vem fazendo”, explica Kalume. “Esse é um ponto de inflexão da indústria”, diz.

Na última quarta-feira, 4, a General Motors apontou sua estratégia para o segmento. Entre as principais novidades, está uma plataforma física de modelos elétricos que se adapta a diversos tipos de carros. A marca também pretende aumentar a autonomia dos veículos com mudanças na composição química da bateria.

A montadora anunciou que suas quatro marcas – Chevrolet, Cadillac, GMC, Buick – lançarão veículos elétricos nos próximos anos. Uma das principais apostas nesse sentido é o Chevrolet Bolt, um dos veículos elétricos mais vendidos entre as grandes montadoras, ao lado do Nissan Leaf.

Quebra molas

No caminho da inovação, entretanto, há companhias que enfrentam problemas internos que podem desacelerar seu processo de inovação. A Reuters noticiou nessa terça-feira, 10, que a Nissan deixará de investir em um fundo de capitais compartilhado com as outras montadoras da Aliança (Renault e Mitsubishi). A montadora não confirmou a informação à agência de notícias.

O fundo, chamado Alliance Ventures, tem como objetivo adquirir e capitalizar startups do segmento, incluindo uma operação de táxi autônomo chinesa e a Tekion Corp, uma varejista de carros baseada em armazenamento em nuvem.

A movimentação faz parte de um esforço de corte de gastos de seu novo CEO, Makoto Uchida. O executivo assumiu a companhia após um escândalo envolvendo o seu predecessor, Carlos Ghosn, que enfrenta acusações de apropriação indébita de recursos da empresa.

 

*Crédito da imagem no topo: Tramino/iStock

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