Em 2030, mobilidade urbana será sustentável

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Em 2030, mobilidade urbana será sustentável

Projetos de infraestrutura, como expansão de ciclovias, foco em pedestres e melhorias no transporte público, contribuirão para novos comportamentos, indica Kantar

Victória Navarro
26 de março de 2020 - 6h00

Na próxima década, o número de viagens via carros particulares, em diversas cidades ao redor do mundo, será reduzido em 10%. Entre os motivos, estão a ascensão da economia compartilhada, o surgimento de carros autônomos e o envelhecimento da população global. Por outro lado, se este é um momento de medidas para redução de uso de transportes públicos para contenção da disseminação do novo coronavírus, em 2030, a mobilidade sustentável ganhará maior destaque.

O uso de meios de transporte mais ecológicos – transporte público, ciclismo e caminhada – representarão 49% de todas as locomoções realizadas, enquanto os carros, 46% – hoje, representam 51%. Já aquelas viagens de táxi, compartilhamento e carona, bem com outros meios, serão responsáveis pelos 5% restantes. Projetos de infraestrutura, como expansão de ciclovias, esquemas de compartilhamento de bicicletas, foco em pedestres e melhorias no transporte público, contribuirão para novos comportamentos relacionados à mobilidade. 

Os dados são do estudo Mobility Futures, da Kantar, que leva em consideração as mudanças de 31 metrópoles, distribuídas pelo mundo, em relação à mobilidade urbana. Segundo Luciana Pepe, diretora de contas da Kantar, do setor automotivo, a evolução da mobilidade urbana leva em conta modelos matemáticos e considera variáveis como fatores sociodemográficos, infraestruturas de transporte das cidades, atitudes em relação à mobilidade e o quanto as pessoas e as metrópoles estão aptas à mudança.

 

Em 2030, o ciclismo será o meio de transporte com maior crescimento, em termos de uso, afirma a pesquisa Mobility Futures, da Kantar (crédito: PeopleImages/iStock)

Globalmente, afirma Luciana, as pessoas estão abertas a adotarem soluções inovadores de mobilidade. “A população tem forte necessidade de mudança de locomoção pelas cidades e, por isso, querem alternativas seguras, rápidas, confortáveis, confiáveis, acessíveis e ecológicas aos seus perfis de mobilidade atuais. Por exemplo, motoristas de automóveis reconhecem que estão desperdiçando precioso tempos sentados atrás do volante e preferem recostar-se no assento confortável do passageiro. E usam o carro pelo conforto e rapidez, só que têm aversão ao trânsito”, explica.

Entre todos, o ciclismo será o meio de transporte com maior crescimento, em termos de uso. De 2020 a 2030, deve apresentar um salto de 18%. A caminhada e o uso de transporte público, por sua vez, aumentarão 15% e 6%, respectivamente. 

As principais cidades em transformação, em relação à mobilidade urbana, até 2030, são Manchester, Moscou, São Paulo, Paris, Joanesburgo, Guangzhou, Milão, Montreal, Amsterdã e Xangai. De acordo com Luciana, Manchester, por exemplo, está investindo em infraestrutura de transporte público e aplicando £ 137,3 milhões em projetos de ciclismo e caminhada com o objetivo de reduzir 13%, a cada ano, as emissões de dióxido de carbono. “Paris, por sua vez, na próxima década, aumentará, significativamente, as medidas para deter carros. Os investimentos em infraestrutura inclui 200 quilômetros de linhas de metrô automáticas e 68 estações para reduzir congestionamento e poluição”, diz.

Nos próximos dez anos, São Paulo terá uma queda de 28% no uso de carros. De acordo com a pesquisa da Kantar, embora o transporte público, hoje, já represente uma parcela significativa das viagens, o sistema é lotado, atrasado e conta com pouca conexão, o que abrirá espaço para bicicletas e caminhada. Para a diretora de contas da Kantar, do setor automotivo, pelo fato de a cidade ser uma das mais congestionadas da América do Sul, “não é surpresa que mais pessoas voltem a andar de bikes e a caminhar, sempre que possível”. Logo, o transporte público, em termos de uso, crescerá 10%, as bicicletas, 47%, e a caminhada, 25%. 

No entanto, Luciana afirma que, “apesar de São Paulo estar, hoje, entre as cidade mais abertas às mudanças em mobilidade, a população não acha que a cidade esteja preparada tecnologicamente e não tem confiança em seu município”. Investimentos de municípios e governos locais na infraestrutura de transporte público; melhorias na rede de ciclovias e em zonas de pedestres para tornar a caminhada mais eficaz e segura; implementação e ampliação de esquemas de compartilhamento de bicicletas; apostas em novas tecnologias, como pagamentos digitais, locais para transporte intermodal e aplicativos de rota; e mudança de midset da população são algumas medidas que, de acordo com a profissional, podem ajudar São Paulo a tornar-se uma cidade que abraça a mobilidade. “As empresas que souberem fazer as parcerias corretas com empresas de tecnologia, com players inovadores, com provedores de mobilidade, sairão na frente”, afirma.

A pesquisa Mobility Futures, da Kantar, adota três índices para identificar as metrópoles do mundo que enfrentarão mudanças, nos próximos dez anos: o Transforming Cities, que avalia o comportamento de mobilidade em cada cidade; o Cidades Tecnologicamente Preparadas, responsável por constatar as metrópoles que estão prontas para moldar o futuro da mobilidade; e o Confiança do Cidadão, que destaca o quão certo os cidadãos estão em seus municípios para a construção de uma mobilidade mais sustentável. As cidades mais avançadas em cada índice levam a pontuação mais alta — 100 representa a média global. Veja os dados:

Fonte: estudo Mobility Futures, da Kantar

*Crédito da foto no topo: Phaelnogueira/iStock

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