Eventos-teste têm 0,05% contaminados; organizador conta os bastidores

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Eventos-teste têm 0,05% contaminados; organizador conta os bastidores

Peck Mecenas, CEO da Peck Produções, organizadora do Rock Brasil 40 anos, conta como está sendo a retomada dos eventos presenciais

Carolina Huertas
24 de novembro de 2021 - 9h51

O evento Rock Brasil 40 anos contou com 10 mil visitantes em sua primeira fase (Crédito: Diego Padilha)

A Prefeitura do Rio de Janeiro afirma que os 24 eventos-teste realizados na cidade, que receberam o total de 62.203 pessoas, tiveram apenas 32 contaminadas com o novo coronavírus, o que revela uma incidência de 0,05%.  Nas nove partidas de futebol e 15 shows ou festas monitorados, apenas 156 pessoas foram barradas por testarem positivo para a Covid-19.

Diante desse cenário que começa a se mostrar positivo, Peck Mecenas, CEO da Peck Produções, contou ao Meio & Mensagem como está sendo a experiência de retomada dos eventos presenciais. A companhia está produzindo o Rock Brasil 40 anos, o maior festival de música do ano até agora e primeiro grande evento-teste de cultura ao ar livre do Rio de Janeiro realizado desde o início da pandemia.

O projeto teve início em 6 de outubro e possui uma programação com pocket-shows, musicais, documentários, exposições de arte e foto, palestras e apresentações que se estende até 5 de junho de 2022. O festival passsará também por Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Para além do festival, a empresa também já possui em seu calendário outros eventos como Claro Verão Rio, Sertanejo in Rio, Arraiá do Zeca, Festival de Inverno Rio, Oktoberfest Rio, Arena N1 – Copa do Mundo 2022, que contam com patrocínios de empresas como Ourocard, Vibra Energia e Ambev.

 

Entre 1992 e 1996, Peck produziu shows de figuras como Barão Vermelho, Tim Maia e Jorge Ben Jor no Circo Voador (Crédito: Divulgação)

Meio & Mensagem – Como foi feito o planejamento do Rock Brasil 40 anos?
Peck Mecenas – O Rock Brasil 40 anos foi um projeto que de certa forma nos confortou e nos deu perspectiva. A pandemia começou no 13 de março e no dia cinco de abril, três semanas depois, o Banco do Brasil lançou um edital para o biênio 2021 e 20221. Eu me agarrei com todas as forças nesse edital porque era a chance que tínhamos de já garantir um projeto para esse ano. O edital dizia que precisava ser um projeto inédito, então não podia ser nada daquilo que eu já produzia e eu me senti com propriedade para escreve um projeto que celebrasse e homenageasse a turma do rock brasileiro que surgiu nos anos 80, no Arpoador, no Rio de Janeiro. Ele é um projeto efêmero que ia de encontro ao que o edital pedia, celebrando a cultura nacional. Nós pensamos em começar o projeto, que é nacional, no Rio de Janeiro pois foi onde essa turma começou. Então, sentamos com o prefeito da cidade, Eduardo Paes, no primeiro semestre de 2021 e na sequência com o comitê científico dele, a secretaria de saúde, e entendemos, naquele momento, em junho mais ou menos, que outubro seria um mês em que já teríamos na cidade, 80% da população adulta vacinada com as duas doses. Nós fizemos uma conta otimista, consultamos a Fiocruz, e cravamos outubro como o mês  em que poderíamos fazer ao ar livre, em frente ao CCBB, na praça da praça na Candelária, que é um lugar marcado por chacina, manifestação política e desordem urbana, seguindo todos os protocolos de segurança sanitários, um evento que desse segurança para o carioca. E assim foi. A primeira fase contou com nove noites lindas e deixou o carioca que gosta de cultura seguro para poder retomar e frequentar os eventos.  

M&M – Como foi a sua experiência com esse projeto? O que funcionou em termos de estrutura e protocolos? 
Peck – Essa pandemia vai trazer uma virada de chave aqui na produtora, porque eu confesso que em determinados festivais nós trabalhávamos com banheiros químicos. Com a chegada da pandemia e com essa questão sanitária, nós vamos deixar definitivamente de trabalhar com eles. Nós estamos muito preocupado com as questões sanitárias nos eventos de grande proporção, de grande público. Diante disso, nossa mudança principal é agora trabalhamos como banheiros em contêineres, dos quais possuem louças tanto nos vasos sanitários, quanto nas pias, para que você possa lavar as mãos com sabonetes depois que você usar o banheiro.  Esse era um cuidado que eu não via nos grandes festivais, estávamos sempre usando o banheiro químico. No Rock Brasil, trabalhamos com 40 quarenta contêineres com aproximadamente dez cabines cada um, tanto pra mulheres quanto para homes. Esse é um cuidado estamos tendo, além dos protocolos padrões de álcool em gel, máscara e copos sustentáveis, que a pessoa aluga na entrada do evento e fica com ele o final e assim, não usamos descartáveis. Nós estamos tendo cuidados além dos que as secretarias de saúde orientam.  

M&M – Como está sendo o comportamento do público nos eventos? 
Peck –  O público do rock Brasil 40 anos, é um público que possui uma faixa etária de 40 a 60 anos, então, é um público mais consciente e mais antenado com essas questões sanitárias. Foi muito bom ter tido a experiência com esse grupo. Eu acho que é mais tranquilo trabalhar na pandemia com essa faixa etária do que, com todo o respeito, um público mais jovem de 18 anos, por exemplo, que é um público que ainda está criando uma conscientização e formando a sua opinião. 

M&M – As marcas já estão confortáveis para voltar a se associar aos eventos presenciais?Peck – As marcas estão confortáveis desde que você passe tranquilidade para os seus gestores. Vou te dar um exemplo. A Ambev contratou uma empresa de medicina para poder prestar serviços de consultoria junto aos parceiros de eventos. Então, antes de assinar contrato com a Ambev, eu me reuni se não me engano três vezes com essa empresa para poder discutir protocolos de segurança e sanitários, de posto médico, dos banheiros químicos, do que fazer se a gente tiver situação pontual dentro do evento etc. As empresas estão sim patrocinando, mas com uma atenção redobrada por parte do departamento de marketing. Não foi simples captar patrocino para esse projeto, mas conseguimos passar tranquilidade, confiança e credibilidade. Está bem mais difícil do que era, mas desde que você faça da forma correta e que você tenha crédito no mercado, é possível. Estamos há muitos anos já no mercado, a Ambev é nossa parceira há 16, por exemplo, então a gente tem crédito com eles pra poder pagar tranquilidade. Nós produzimos esse evento com todo o carinho e cuidado. Tivemos uma responsabilidade enorme, com as marcas associando a imagem dele, o que para nós foi um grande dever de casa. Foi preciso passar confiança, credibilidade e uma tranquilidade os patrocinadores e as marcas. Eles são grandes multinacionais como a Ambev, que é super preocupada em associar a imagem a eventos nesse momento, o próprio Banco do Brasil, a Vibra Energia e o Canal Brasil que transmitiu ao vivo o projeto. Acredito que de alguma forma conseguimos passar credibilidade tanto para os patrocinadores, quanto para o nosso público pela forma como trabalhamos. 

M&M – Como está sendo produzido o calendário de eventos de 2022? Quais os novos desafios? E expectativas?
Peck – Nós estamos com o calendário vasto, não só de eventos remarcados eram pra ter acontecido em 2020 e 2021. Agora no verão estaremos produzindo dois projetos para Claro. Dentre as quatro estações, o verão é a mais propícias para enfrentarmos um problema sanitário como esse. O inverno é a estação mais complicada, mas acreditamos que até lá  já estaremos com 100% da população vacinada certeza e com doses de reforço. Estamos super confiantes e já desenvolvendo os projetos para as empresas. Nós vamos de 1 a 7 com um projeto chamado Claro Verão Búzios que é um esquenta para o Rio Open que vai acontecer em fevereiro no Jóquei. Depois, de 8 a 20 de janeiro estaremos no Rio para fazer o Claro Verão Rio, em Ipanema. No final desse mesmo mês, no dia 28 de janeiro vamos para Belo Horizonte fazer a segunda etapa do Rock Brasil 40 anos. E ai não vamos parar mais, eu tenho, por exemplo, o Sertanejo in Rio, um evento sertanejo com a Brahma dia 4 de março que contaria com a presença de Marília Mendonça e Henrique e Juliano, que agora contará com Maiara e Maraisa no lugar da cantora, e já está esgotado com 14 mil ingressos vendidos, ele aconteceria dia 27 de março de 2020.   

M&M –  Mesmo com os números de casos caindo e os resultados promissores dos eventos-testes, existe algum plano B com relação a uma possível quarta onda de pandemia?
Peck –  Eu sempre fui muito otimista. Em junho, quando planejamos que a primeira etapa do Rock Brasil 40 anos seria em outubro, eu assinei contrato com todos os 30 artistas que iriam fazer parte, eu precisei ser otimista e positivo junto aos meus patrocinadores e a minha equipe. Eu confesso a você agora, de coração aberto, que eu estou muito otimista com relação ao futuro da vacinação. Eu acho que a vacina já provou que é segura, que ela dá resultado, estamos aí com o número de casos sendo controlados. Então, o que eu posso acreditar é que quando tivermos 100% da população vacinada, o que deve acontecer até o final do ano ou no início do ano que vem, nós estaremos mais seguros ainda. Mas é claro que se acontecer – vou até isolar aqui na madeira – algum problema, se vier alguma variante que pegue a população mundial de surpresa, é claro que vamos fazer como fizemos em 2020, recolher tudo, pensar em uma nova estratégia e ouvir a ciência novamente.  Temos sempre que acompanhar o que a ciência diz, estamos confiando 100% nela. É graças a ciência que já temos dias com um número de mortes no Brasil  inferior a 200 pessoas. Nós chegamos a 4 mil mortes em março, como isso aconteceu? Foi através da vacinação, isso é a maior prova. A matemática é exata, a ciência é exata. Então, tem que estar sempre acompanhando a ciência, o que ela dizer que é certo, eu vou fazer. Em junho a ciência disse, Peck, em outubro achamos que teremos  80% da população adulta vacinada, o teu público é perfil adulto, então, pode programar para outubro que vai dar certo. Entendeu? É isso que eu estou fazendo. Eu estou ouvindo a ciência o tempo todo.  

*Crédito da imagem do topo: r.classen/shutterstock

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